LIÇÃO DOS VETERINÁRIOS AOS GOVERNANTES
O Médico – Veterinário é comemorado em 9 de setembro. Nessa data, em 1933, Getúlio Vargas regulamentou a profissão com o Decreto 23.133. O Brasil possui a maior população de médicos-veterinários do planeta. São mais de 580 cursos de Veterinária. Os EUA possuem 32 faculdades de veterinária. O Canadá possui 5 e a Austrália 7.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) vê o ensino da medicina veterinária em xeque. Diante das 87,4 mil vagas anuais, expressa preocupação com a qualidade da formação e dos serviços prestados.
D. Pedro II criou por decreto a Imperial Escola de Medicina Veterinária e de Agricultura Prática em Pelotas (RS), em 8 de dezembro de 1883. A primeira do país.
Em 1912, a Congregação Beneditina fundou a Escola Agrícola e Veterinária do Mosteiro de São Bento de Olinda (PE). Ali, o farmacêutico Dionysio Meilli obteve o primeiro diploma de médico-veterinário em 1915. Ali se construiu o primeiro hospital veterinário, em 1913. Hoje, o CFMV aponta mais de 215 mil veterinários em atividade.
O trabalho do veterinário vai muito além dos animais de estimação. Ele protege a saúde pública ao controlar zoonoses. Na segurança alimentar, atua na inspeção e na qualidade dos produtos de origem animal antes de chegarem ao consumidor. Cuida de rebanhos e da fauna silvestre. Desempenha papel estratégico e vital no agronegócio, na pecuária de corte e de leite, na avicultura de corte e de postura e na suinocultura.
O animal de carga no mundo antigo era o motor da sociedade. Ao envelhecer tornava-se economicamente inútil, vulnerável e dependente de cuidados. Nessa imagem talvez se possa encontrar a dimensão mais humana do veterinarius. Cuidar do animal velho é o ápice de altruísmo e empatia. Significa dedicar esforço a um ser incapaz de retribuir com produtividade.
O veterinário atua como tradutor e protetor de seres incapazes de usar a linguagem humana para expressar a dor. Exige uma sensibilidade profunda para decifrar o silêncio animal. Nesse exemplo de dedicação ao outro e não a si e entre si, deveriam espelhar-se governantes, administradores e políticos.
Quando esse princípio não orienta o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, o poder se afasta de sua finalidade pública. Transforma o Estado em balcão de negócios privados. Triste espetáculo.







