Super El Niño exige prevenção e gestão de incêndios florestais

No último El Niño, a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal estiveram entre as áreas mais afetadas, com prejuízos ambientais, econômicos e sociais, segundo o INPE – Foto: Canva

Especialistas alertam que a possibilidade de um Super El Niño nos próximos meses pode aumentar significativamente o risco de incêndios florestais e queimadas em áreas rurais. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial altera o regime de chuvas e favorece períodos prolongados de estiagem, temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e vegetação ressecada, criando condições propícias para a rápida propagação do fogo, especialmente nas regiões Norte, Centro-Oeste e parte do Nordeste.

INPE: Efeitos do fenômeno

Os efeitos desse cenário já foram observados no último episódio do fenômeno. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostram que os quatro primeiros meses de 2024 registraram 17.182 focos de calor no Brasil, alta de 81% em relação ao mesmo período de 2023. A Amazônia, o Cerrado e o Pantanal estiveram entre as áreas mais afetadas, com prejuízos ambientais, econômicos e sociais. Embora as condições climáticas agravem o problema, especialistas ressaltam que a maioria dos incêndios tem origem em ações humanas.

Prevenção e gestão de incêndios florestais

Para Osmar Bambini, cofundador e diretor de Inovabilidade da umgrauemeio, startup da Rede SNASH (SNA Startup Hub) especializada em inteligência territorial para prevenção e gestão de incêndios florestais, o avanço de eventos climáticos extremos exige uma mudança na forma de enfrentar os incêndios florestais.

“Diante de eventos extremos como o Super El Niño, o modelo tradicional de apenas ‘reagir’ ao fogo se torna inviável, pois as condições climáticas aceleram o alastramento das chamas. A tecnologia da umgrauemeio atua na mudança desse paradigma, migrando o foco para a antecipação e a governança territorial. O nosso software, Pantera, cruza dados de clima (vento e umidade) com imagens em tempo real para identificar anomalias a partir de três segundos, descartando alarmes falsos. Entregamos inteligência operacional. A central sabe onde é o foco antes que ele escale, e o sistema apoia as brigadas indicando a rota mais rápida e segura para o combate.”

A umgrauemeio desenvolve soluções que integram monitoramento contínuo, análise de dados e suporte à tomada de decisão. A empresa atende organizações públicas e privadas, contribuindo para reduzir o tempo de resposta às ocorrências e fortalecer estratégias de proteção ambiental e de infraestrutura crítica.

Prevenir para reduzir riscos

Diante desse cenário, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) reforça que a prevenção é a principal ferramenta para reduzir os riscos durante os períodos de estiagem. Em sua cartilha sobre prevenção e combate às queimadas, a entidade destaca que as mudanças climáticas, associadas às altas temperaturas e à redução das chuvas, exigem planejamento antecipado por parte dos produtores rurais.

Orientações

Entre as orientações estão a construção e manutenção de aceiros ao redor das propriedades, a revisão periódica de máquinas agrícolas para evitar a emissão de faíscas, a limpeza da vegetação seca próxima às instalações, o treinamento das equipes para atuação em situações de emergência e a disponibilidade de equipamentos básicos de combate ao fogo, como abafadores, sopradores, reservatórios de água e tratores adaptados.

A cartilha também recomenda que os produtores acompanhem diariamente as condições meteorológicas antes de realizar qualquer atividade que possa gerar ignição, respeitem os períodos de proibição do uso do fogo determinados pelos órgãos ambientais e mantenham contato permanente com brigadas, Corpo de Bombeiros e vizinhos para garantir uma resposta rápida caso um foco de incêndio seja identificado. Segundo a Aprosoja-MT, a atuação integrada entre produtores rurais, órgãos públicos e comunidades é essencial para impedir que pequenos focos se transformem em grandes incêndios.

Com a possibilidade de um novo episódio de El Niño favorecer condições mais secas em diversas regiões do país, especialistas reforçam que investir em prevenção, monitoramento e resposta rápida será fundamental para reduzir os impactos sobre o meio ambiente, a produção rural e a segurança das comunidades.

*Clique para acessar a CARTILHA APROSOJA – MT

Por Larissa Machado /larissamachado@sna.agr.br
Com informações adicionais da Aprosoja-MT
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