Exportações de café aumentam 3,60% em maio, mas caem 16% em receita em relação a maio/25

Apesar do aumento dos embarques, a receita cambial caiu 16% na mesma comparação – Foto: Canva

As exportações brasileiras de café registraram uma leve recuperação em maio, impulsionadas pela entrada da nova safra, mas o setor ainda acumula resultados inferiores aos do ano passado tanto em volume quanto em receita. Dados divulgados ontem (11) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o País embarcou 3.089 milhões de sacas de 60 quilos no mês passado, aumento de 3,60% em relação a maio de 2025. Apesar do aumento dos embarques, a receita cambial caiu 16% na mesma comparação, totalizando US$ 1.050 bilhão. No acumulado dos 11 primeiros meses da safra 2025/26 (julho de 2025 a maio de 2026), o Brasil exportou 35.373 milhões de sacas, volume 17,70% inferior ao exportado no mesmo período da temporada anterior. A receita totalizou US$ 13.612 bilhões, queda de 0,70%.

Considerando apenas o ano civil, as exportações entre janeiro e maio totalizaram 14.745 milhões de sacas, queda de 12,40% em relação ao mesmo período de 2025. A receita caiu 14,60%, para US$ 5.552 bilhões. Segundo informou o Presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, em nota da entidade, o desempenho está “dentro das expectativas do setor diante da transição entre a entressafra e a chegada da nova colheita”. “A leve alta em maio reflete a entrada de cafés colhidos já neste ano, principalmente os Canéforas, que são nossos Conilon e Robusta. Esse movimento deverá ser observado também com os Arábicas nos próximos meses”, informou.

Márcio Ferreira destacou que a queda acumulada em 2026 é resultado de uma safra menor e do elevado volume exportado em 2025. Para o 2º semestre, entretanto, a expectativa é de recuperação dos embarques, sustentada por uma colheita considerada recorde. “O clima foi favorável na maior parte do cinturão cafeeiro, permitindo uma safra com excelente qualidade, alta produtividade e bom volume. Em condições normais, deveremos observar crescimento das exportações, principalmente no 2º semestre”, indicou.

O executivo alertou, porém, que fatores externos e gargalos logísticos continuam preocupando o setor. Entre eles estão os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os fretes marítimos, os problemas de infraestrutura portuária no Brasil e as incertezas em torno da política comercial dos Estados Unidos.

A Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro nos cinco primeiros meses de 2026, com a compra de 1.911 milhão de sacas, equivalente a 13% das exportações totais, embora com recuo de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 1.771 milhão de sacas, mas registraram uma das maiores quedas entre os principais compradores, de 38,40% na comparação anual. Na sequência estão Itália, Bélgica e Japão.

O café Arábica manteve a liderança das exportações brasileiras, com 11.126 milhões de sacas embarcadas entre janeiro e maio, representando 75,50% do total. O volume, contudo, foi 21,30% menor do que o do mesmo período de 2025.
Já os cafés Canéforas (Conilon e Robusta) seguiram em forte expansão. Os embarques totalizaram 1.891 milhão de sacas, aumento de 86,50% na comparação anual, respondendo por 12,80% das exportações totais. O café solúvel representou 11,60% dos embarques, com 1.707 milhão de sacas exportadas.

Os cafés diferenciados, que incluem produtos de qualidade superior, certificados ou especiais, responderam por 17,60% das exportações brasileiras no período, com 2.590 milhões de sacas embarcadas. O volume representa uma queda de 30,10% em relação aos cinco primeiros meses de 2025. A receita gerada por esse segmento foi de US$ 1.124 bilhão, queda de 31,10% na comparação anual, embora ainda represente 20,20% do faturamento total das exportações brasileiras de café.

O Porto de Santos concentrou 72,80% das exportações brasileiras de café entre janeiro e maio, com 10.728 milhões de sacas embarcadas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 23,20% do total, enquanto o Porto de Paranaguá participou com 1,10%.

Fonte: Cecafé
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp