
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de investimentos de R$ 130 milhões voltado à expansão das exportações brasileiras para novos mercados internacionais. Os recursos serão aplicados em parceria com 57 entidades representativas do setor produtivo, com foco em ações de promoção comercial, inteligência de mercado e prospecção de oportunidades em destinos considerados estratégicos para os produtos brasileiros. O lançamento oficial do programa está previsto para o início de agosto.
Durante coletiva técnica, em Brasília, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, ressaltou que a ampliação da presença brasileira em novos mercados já integra a estratégia da Agência e ganhará ainda mais intensidade diante do atual cenário internacional.
Aumento de lista de produtos isentos
Segundo ele, além de fortalecer a diversificação das exportações, a instituição continuará trabalhando em conjunto com empresas e entidades brasileiras e norte-americanas para ampliar a lista de produtos brasileiros isentos das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.
Um levantamento elaborado pela Gerência de Inteligência de Mercado da ApexBrasil mostra que a decisão final do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) aumentou de 615 para 699 o número de produtos brasileiros contemplados com isenção da tarifa adicional de 25%. Com essa atualização, cerca de 60,5% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano em 2025, o equivalente a US$ 22,8 bilhões, permanecerão livres da sobretaxa.
Queda da estimativa
A análise preliminar também indica redução no volume de exportações brasileiras afetadas pela tarifa de 25%. A estimativa caiu de US$ 9,4 bilhões para aproximadamente US$ 7,2 bilhões após a ampliação da lista de exceções.
Processo de diversificação
De acordo com a ApexBrasil, o processo de diversificação já apresenta resultados concretos. Entre junho de 2025 e maio de 2026, cerca de 72% das aproximadamente 2.400 empresas exportadoras apoiadas pela Agência que mantinham negócios com os Estados Unidos passaram a comercializar seus produtos também em pelo menos um novo mercado internacional.
Contexto geopolítico favorece Brasil
Na avaliação de Laudemir Müller, o atual contexto geopolítico tem favorecido o Brasil como parceiro comercial. Segundo ele, em um ambiente de maior instabilidade global, cresce a busca por fornecedores confiáveis, previsíveis e inseridos em democracias estáveis, fatores que reforçam a atratividade do país tanto para o comércio exterior quanto para novos investimentos.
O estudo apresentado pela ApexBrasil revela ainda que 85 produtos brasileiros foram incluídos na lista de exceções à tarifa de 25% após o processo de consulta pública conduzido pelo governo norte-americano. Entre os segmentos beneficiados estão ferro fundido, pescados, couros, madeira, hidróxido de alumínio, mel, objetos de arte e determinados produtos plásticos.
Pressão nos preços ao consumidor dos EUA
Apesar da ampliação das isenções, parte das exportações brasileiras segue sujeita às medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Segundo Müller, os efeitos da decisão não se restringem ao Brasil, já que diversas cadeias produtivas norte-americanas dependem de insumos brasileiros. Considerando um fluxo comercial anual de aproximadamente US$ 38 bilhões entre os dois países, cerca de US$ 7,2 bilhões foram diretamente impactados pelas novas tarifas, o que pode elevar custos para empresas dos Estados Unidos e pressionar os preços ao consumidor final.






