SNASH reforça conexão entre startups e mercado durante Cerrado Innovation Summit

Leonardo Alvarenga, CEO do SNASH, falando sobre a atuação do hub na aproximação entre startups, produtores rurais, grandes empresas, cooperativas, governo e investidores – Foto: SNASH

Realizado em Goiânia (GO), no dia 23 de setembro, o Cerrado Innovation Summit – Edição Agro reuniu representantes do setor produtivo, pesquisadores, empresas de tecnologia e startups para discutir inovação, inteligência artificial, dados e adoção tecnológica no agronegócio. Com o tema “Agro Inteligente: dados, IA e a nova fronteira de produtividade no Cerrado”, o encontro, organizado pelo Hub Cerrado, teve entre seus destaques a participação do SNASH (SNA Startup Hub) em painel dedicado à aplicação de tecnologias no agro.

Leonardo Alvarenga, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e CEO do SNASH, participou do debate ao lado de Marcelo Eskenazi, assessor de Inovação da São Martinho; Jardel Lopes, pesquisador do Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (CEAGRE); e Eduardo Bitu, Chief Strategy & Innovation Officer da Aliare. A discussão foi mediada por Douglas Paranahyba, coordenador do Polo de Referência Nacional em Agronegócio do Sistema Sebrae.

Durante o painel, Leonardo apresentou a atuação do SNASH na aproximação entre startups, produtores rurais, grandes empresas, cooperativas, governo e investidores. A discussão mostrou que, além de desenvolver novas tecnologias, o desafio está em criar caminhos para que essas soluções cheguem efetivamente ao mercado e sejam incorporadas pelo campo.

Segundo Leonardo, o SNASH reúne mais de 180 startups ativas em sua rede, submetidas a processos de curadoria e avaliação de maturidade. O objetivo é formar um ecossistema capaz de gerar conexões comerciais e oportunidades concretas, e não apenas manter uma base de dados de empresas de tecnologia.

“O principal trabalho do SNASH é impulsionar o desenvolvimento do agro através das soluções inovadoras das Agtechs”, destacou Leonardo durante o painel. Ele explicou que a estrutura institucional da SNA contribui para aproximar as startups de diferentes segmentos do agronegócio, abrindo portas junto a empresas, entidades, conselhos e instituições públicas.

Durante sua fala, Leonardo Alvarenga apresentou o Programa de Inovação para Produtores e Empresas – Foto: SNASH

Da startup ao negócio

Um dos pontos destacados foi a necessidade de transformar a aproximação entre startups e empresas em processos estruturados. Nesse sentido, Leonardo apresentou o PIPE – Programa de Inovação para Produtores e Empresas, que trabalha com identificação de demandas, scouting, seleção de soluções e acompanhamento da implementação até a avaliação dos resultados.

A proposta está alinhada à discussão predominante no painel: a inovação precisa partir de problemas concretos e produzir resultados mensuráveis. Marcelo Eskenazi destacou que startups interessadas em trabalhar com grandes empresas precisam compreender primeiro a necessidade que pretendem solucionar, evitando apresentar tecnologias sem aderência à realidade do negócio.

A mesma lógica apareceu na discussão sobre adoção tecnológica. Para os participantes, o desenvolvimento de uma solução é apenas uma etapa do processo. É necessário criar condições para que a tecnologia seja incorporada pelo produtor, gere ganhos de produtividade, reduza custos e contribua para a competitividade das atividades agropecuárias.

Curadoria e maturidade

Leonardo também explicou que o SNASH estabelece critérios para a entrada de startups no ecossistema. Em geral, o hub não atua com empresas que estejam apenas na fase de ideação. É necessário apresentar pelo menos um MVP validado pelo mercado, além de demonstrar maturidade e capacidade de entrega.

A curadoria busca, dessa forma, aproximar empresas e produtores de soluções com maior capacidade de implementação. Durante o painel, Leonardo citou ainda conexões realizadas pelo SNASH com corporações a partir do mapeamento de dores e desafios de inovação.

Inovação além da tecnologia

A participação do SNASH também contribuiu para ampliar a discussão sobre o papel da inovação no desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Ao final do painel, Leonardo ressaltou que o país construiu sua trajetória de crescimento agrícola com base em pesquisa, ciência e inovação, mas que o próximo desafio está em acelerar a incorporação de novas tecnologias no campo produzidas pelas Agtechs.

A participação dos demais especialistas complementou o debate. Marcelo Eskenazi abordou a inovação a partir das necessidades concretas das empresas; Jardel Lopes destacou a aproximação entre ensino, pesquisa, estudantes e campo; e Eduardo Bitu tratou da construção de ecossistemas digitais integrados, combinando dados, inteligência artificial, softwares e soluções desenvolvidas por diferentes empresas.

Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
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