A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) encaminhou um documento aos candidatos à presidência no qual são detalhadas “Propostas para um Brasil mais cooperativo – Contribuições do cooperativismo para o próximo governo”.
Com 4,8 mil cooperativas espalhadas pelo Brasil, movimentando R$ 650 bilhões de ativos, envolvendo 17,1 milhões de cooperados no País e com a meta de atingir, até o final da década, R$ 1 trilhão em movimentação econômica e 30 milhões de cooperados, o setor demonstra sua força no desenvolvimento socioeconômico do Brasil.
Reunidas, as cooperativas brasileiras formam a maior empresa nacional acima de Petrobras, JBS e Vale. Na agropecuária, em especial, são 1.173 cooperativas com mais de 1 milhão de cooperados e 223.477 de empregados, representando 53% da produção de grãos do Brasil e 71,2% de produtores da agricultura familiar.
Diante de números tão convincentes, uma das ações propostas no documento é conquistar uma participação ainda maior na sociedade civil organizada, colocando representações cooperativistas lado a lado com confederações, federações e associações empresariais do país.
“É a hora e a vez do cooperativismo, há uma mudança no pensamento das pessoas. A busca por uma economia compartilhada, de negócios que prezam por sustentabilidade, transparência, inovação e integridade, e o cooperativismo faz parte deste processo”, define na carta de propostas, o presidente do Sistema OCB, Marcio Lopes.
Comunicação
No item “Espaços de representatividade e de participação”, os autores da carta colocam como meta ampliar canais de comunicação com o poder público em todos os fóruns, perseguindo políticas públicas que reflitam anseios e a realidade do movimento cooperativista, entre elas, a “representação sindical com a participação da CNCoop em temas trabalhistas e sindicais, e a criação de “equipes de governo especializadas em cooperativismo e a representação do cooperativismo em juntas comerciais”.
Para o comentarista José Luiz Tejon, da rádio Eldorado/Estadão, a comunicação deveria ser expandida para um diálogo com toda sociedade brasileira em todos os níveis, classes e comunidades do país, com a criação de núcleos de programas onde a sociedade civil organizada se tornasse legítima protagonista do planejamento estratégico de cada região, estado e da federação.
De acordo com o articulista, onde existem cooperativas corretamente lideradas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é superior e a distribuição da renda é maior e melhor.
Potencial
As 300 maiores cooperativas do mundo alcançam um faturamento combinado de US$ 2 trilhões, maior do que o PIB brasileiro. Atualmente existem três milhões de cooperativas em nível global, com mais de 1 bilhão de cooperados e 280 milhões de empregos gerados.
A capilaridade das cooperativas e seu potencial transformador também se estende às questões de inclusão social, econômico e cultural, afirma Roberto Rodrigues embaixador do cooperativismo na FAO. “Onde tem pobreza não tem cooperativa. Onde tem cooperativa não tem pobreza”.
Marcio Lopes, da OCB, e membro do Conselho da Aliança Cooperativista Internacional, afiança: “Cooperativa é prosperidade, pessoas e confiança”.
“Temos no país ainda cerca de 4 milhões de pequenos produtores rurais desassistidos e fora dos mercados. Somente via cooperativas iremos integrá-los na ciência, no mercado e na agregação de valor agroindustrial e na riqueza de seus ‘terroir’, conclui Tejon.
Crédito
As cooperativas de crédito no Brasil têm a maior rede de atendimento no País, incluindo 7.6 mil pontos com expansão na oferta de crédito para pequenos negócios, em 19% dos contratos, e 18,7% do volume de financiamento do crédito rural. Contam com quase 12 milhões de cooperados e mais de 79 mil empregos.
O segmento cooperativista se espalha pelos setores agro, de consumo, crédito, infraestrutura, saúde, trabalho produção de bens e serviços, e transporte.
O documento da OCB – “Propostas para um Brasil mais cooperativo – Contribuições do cooperativismo para o próximo governo”, está disponível para consulta no site www.somoscooperativismo.coop.br