Sucessão é o mote do Fórum Nacional de Agronegócios do Lide

03/10/2017|

O ex-ministro Rodrigues, no púlpito, junto com outras lideranças na abertura do evento: ‘As mudanças tecnológicas e a gestão do agronegócio exigem uma renovação total’. Gustavo Rampini

Com o tema central “Governança e Sucessão do Agronegócio”, o 6º Fórum Nacional de Agronegócios, promovido pelo Lide – grupo de líderes empresariais – e pelo Lide Agronegócios, dia 30 de setembro, em Campinas (SP), reuniu mais de 300 líderes políticos e empresariais do setor para um amplo debate.

“As mudanças tecnológicas e a gestão do agronegócio exigem uma renovação total das empresas, dos empresários e das entidades representativas do setor”, afirmou, na abertura, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, curador do evento e presidente do Lide Agronegócios e membro da Academia Nacional de Agricultura, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Na opinião do chairman do Lide, o ex-ministro de Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, a tecnologia pode ser uma ferramenta facilitadora nos processos de sucessão no campo. “Hoje há um movimento de volta dos jovens ao campo, pois constataram que lá já existem todas as tecnologias com as quais ele está acostumado na cidade, como internet, energia, asfalto, além de uma melhor qualidade de vida”, disse.

Além dos ex-ministros Rodrigues e Furlan, a abertura do fórum contou com as presenças do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, representando o governador Geraldo Alckmin; do prefeito de Campinas, Jonas Donizette; do deputado Nilson Leitão, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária; do presidente da Associação Brasileira de Agronegócios (Abag) e presidente da Academia Nacional de Agricultura, Luiz Carlos de Carvalho, e do presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes.  Também compuseram a mesa de abertura, o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Vieira, o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira, a presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio, Carmem Perez, o CEO do Lide, Gustavo Ene.

TRANSIÇÃO HARMONIOSA

‘É preciso conversar mais, deixar claro os critérios ligados às competências e cargos de cada um dos integrantes da família dentro da organização’, afirmou o  professor Fábio Mizumoto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foto: Gustavo Rampini

Segundo o professor Fábio Mizumoto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para uma transição harmoniosa na sucessão nas empresas do agronegócio, que na maioria dos casos é constituída por empresas familiares, é necessário muito tempo de preparação. “É preciso conversar mais, deixar claro os critérios ligados às competências e cargos de cada um dos integrantes da família dentro da organização, além de intensificar os esclarecimentos sobre o negócio em que a família está atuando”, destacou.

Com conhecimento profundo sobre a sucessão nas empresas do agronegócio, Shiro Nishimura, presidente do Conselho de Administração da Jacto, relatou as dificuldades do processo sucessório na fabricante de máquina agrícolas fundada por seu pai, Shunji Nishimura, na cidade de Pompeia (SP). “Até alcançar um nível de profissionalização que fosse harmônico com os interesses da família, houve muita discussão no processo, que foi bastante desgastante”, enfatizou.

Já Luiz Lourenço, presidente do Conselho da Cocamar, abordou o andamento do processo de profissionalização da sucessão na cooperativa paranaense. “A profissionalização e a modernização da gestão são o melhor caminho, apesar de ser longo e cheio de percalços. O nosso começou em 1999 e, após várias etapas, culminou, em 2014, com a aprovação de um novo modelo que prevê a constituição de uma diretoria executiva”, comentou.

MODERNIZAÇÃO
“É muito importante as instituições setoriais se modernizarem, passando por um processo de rejuvenescimento das suas lideranças”, afirmou Rui Prado, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato).

“Após a análise de diversos modelos, chegamos a um consenso e definimos que o mandato da diretoria não poderá ser superior a dois anos, sem direito a reeleição”, explicou Arlindo Moura, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

“Nós nos baseamos nas entidades da área de soja dos Estados Unidos. Por isso, mudamos o formato de gestão, que passou de dois anos com reeleição, para um mandato de três anos, mas sem reeleição”, destacou Marcos da Rosa, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja).

Por Equipe SNA/SP