Soja: mercado sobe em Chicago com foco no clima da Argentina e apesar dos números do USDA

08/02/2018|

Os contratos futuros da soja na CBOT fecharam em alta, com os principais vencimentos registrando ganhos de 4,25 a 4,75 centavos. O março/18 fechou cotado a US$ 9,87 ¾ e o maio/18 a US$ 9,98 ¾ o bushel.

Os contratos futuros do farelo de soja na CBOT fecharam em forte alta, com os principais vencimentos registrando ganhos de US$ 5,30 a US$ 6,30 por tonelada curta. O março/18 fechou cotado a US$ 341,70 e o maio/18 a US$ 341,10.

USDA aumenta estoques dos EUA e safra do Brasil para 112 milhões de toneladas

O USDA divulgou a atualização dos seus números mensais de oferta e demanda nesta quinta-feira (8/2) aumentando, mais uma vez, os estoques finais norte-americanos de soja para 14.42 milhões de toneladas. O número ficou acima da média esperada pelo mercado de 13.28 milhões de toneladas, porém, dentro do intervalo esperado de 12.38 a 14.7 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, o USDA reduziu a estimativa das exportações de soja dos Estados Unidos de 58.79 milhões para 57.15 milhões de toneladas.

Soja Mundo

A produção mundial foi revisada para baixo, sendo estimada em 346.92 milhões de toneladas, contra 348.57 milhões de toneladas do boletim de janeiro. Assim, os estoques finais mundiais, esperados entre 97 e 99.5 milhões de toneladas, foram estimados em 98.14 milhões de toneladas.

A safra do Brasil foi novamente corrigida para cima, estimada em 112 milhões de toneladas, contra 110 milhões de toneladas do relatório anterior e as exportações elevadas de 67 para 69 milhões de toneladas.

A safra da Argentina foi revisada de 56 para 54 milhões de toneladas, com os estoques finais do país agora estimados em 22.41 milhões de toneladas, contra 22.36 milhões de toneladas no relatório do mês passado.

A média esperada pelo mercado era de 111.5 milhões de toneladas para a safra brasileira e de 56 milhões de toneladas para a argentina.

Já as importações chinesas foram mantidas em 95 milhões de toneladas.

Milho EUA

Foram poucas mudanças relativas à safra norte-americana, e apenas os estoques finais foram alterados, ficando abaixo do estimado no mês anterior. O número veio em 59.74 milhões de toneladas, contra 62.92 milhões de toneladas do boletim de janeiro e também abaixo das expectativas do mercado, que variavam entre 61.01 e 64.7 milhões de toneladas.

Milho Mundo

A estimativa da produção mundial do cereal também foi corrigida para baixo, ficando em 1.041.73 bilhão de toneladas, reduzindo os estoques finais para 203,09 milhões de toneladas de 206.57 milhões de toneladas.

A safra brasileira foi mantida em 95 milhões de toneladas, enquanto os estoques foram aumentados para 10.62 milhões contra 10.37 milhões de toneladas do boletim anterior. As exportações nacionais também subiram e foram estimadas em 35 milhões de toneladas.

Como na soja, a estimativa da safra de milho da Argentina foi corrigida para baixo, passando de 42 para 39 milhões de toneladas, com os estoques reduzidos para 5.27 milhões, contra 6,27 milhões do relatório de janeiro.

Trigo

O USDA estimou a produção global do grão, da safra 2017/18, em 758.25 milhões de toneladas.

O volume ficou ligeiramente acima do indicado no último boletim, de 757.01 milhões de toneladas. Em contrapartida, os estoques finais mundiais registraram uma queda mais significativa e recuaram de 268.02 milhões para 266.10 milhões de toneladas.

Com relação a safra dos Estados Unidos, o USDA manteve a estimativa em 47.37 milhões de toneladas. Os estoques finais subiram de 26.92 milhões para 27.47 milhões de toneladas. Já os estoques finais norte-americanos caíram de 26.54 milhões para 25.86 milhões de toneladas.

A safra do Brasil também permaneceu inalterada, em 4.25 milhões de toneladas nesta temporada. Os estoques finais brasileiros subiram de 1.53 milhão para 1.61 milhão de toneladas. Por outro lado, as exportações recuaram de 800.000 para 600.000 toneladas. As importações também caíram de 8 milhões para 7.80 milhões de toneladas.

A produção da Argentina foi estimada em 18 milhões, contra as 17.50 milhões de toneladas indicadas anteriormente. Os estoques finais caíram de 330.000 para 260.000 toneladas e as exportações subiram de 11.90 milhões para 12.50 milhões de toneladas.

A safra da União Europeia ficou em linha com o estimado em janeiro, de 151.60 milhões de toneladas. Os estoques finais do país passaram de 12.62 milhões para 13.12 milhões de toneladas. As exportações de trigo foram estimadas em 26 milhões de toneladas. No boletim passado, o número foi de 27 milhões de toneladas.

Assim como em outros países, a safra da Rússia foi mantida em 85 milhões de toneladas. Os estoques finais caíram de 16.33 milhões para 15.33 milhões de toneladas. Já as exportações ficaram em 36 milhões de toneladas contra as 35 milhões de toneladas estimadas em janeiro.

O USDA ainda divulgou os números da Ucrânia. A produção apresentou ligeiro ajuste e subiu de 26.50 milhões para 26.98 milhões de toneladas. Os estoques finais ficaram em 1.88 milhão de toneladas, contra as 1.51 milhão de toneladas de janeiro. As exportações permaneceram inalteradas.

Soja – vendas EUA

Na semana encerrada no dia 1 de fevereiro, foram vendidas 743.200 toneladas da soja abaixo das expectativas do mercado de 901.000 toneladas. As vendas registraram um expressivo aumento na comparação com a semana passada e representam um aumento de 11% em relação à média das últimas quatro semanas.

Argentina

Nesta quinta-feira (8/2), a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), em seu Panorama Agrícola Semanal (PAS), diminuiu sua estimativa para a safra de soja na Argentina de 51 milhões de toneladas (número do boletim anterior) para 50 milhões de toneladas.

A BCBA justifica que a diminuição se deve a uma “prolongada condição de déficit hídrico”, somada às temperaturas, que estão bastante elevadas. Esta condição, como a entidade aponta em seu boletim, afeta o rendimento em 40% da área plantada a nível nacional.

As áreas de soja de primeira etapa passam por períodos críticos, enquanto os quadros de segunda etapa registram um atraso importante no desenvolvimento. No curto prazo, as regiões mais afetadas não devem receber chuvas de importância para mitigar este problema.

Mercado Nacional

Os preços da soja no Brasil acompanharam os ganhos registrados em Chicago e também fecharam em alta nesta quinta-feira. Uma leve alta do dólar também favoreceu o fechamento positivo das cotações no interior do País.

Em Rondonópolis, Mato Grosso, a saca de soja subiu 2,20% para R$ 65,00, enquanto em Castro, no Paraná, a alta foi de 1,40% para R$ 72,50. Em Itiquira, também em Mato Grosso, o ganho chegou a 3,45%, com a saca cotada a R$ 63,00.

Nos portos, os preços também subiram. No mercado disponível a saca foi cotada a R$ 73,50, em alta de 1,38% e em Rio Grande, a R$ 74,00, subindo 0,82%. No terminal gaúcho, a saca da soja para entrega em maio/18 foi cotada a R$ 75,30, em alta de 0,67%.

Ainda segundo Ginaldo Sousa, o mercado internacional tem de ser acompanhando ainda bem de perto pelos produtores brasileiros, já que pode oferecer algumas boas oportunidades. “O produtor deve aproveitar as altas em Chicago para conseguir preços ainda melhores”, disse o diretor da Labhoro.

USDA reduz estoques americanos e safra argentina e milho fecha em leve alta na CBOT

Os contratos futuros do milho na CBOT fecharam em leve alta, com os principais vencimentos registrando ganhos de 0,50 a 0,75 centavos. O março/18 fechou cotado a US$ 3,65 ¾ e o maio/18 a US$ 3,73 ¼ o bushel.

Milho – vendas EUA

As vendas do milho foram de 1.76 milhão de toneladas. A estimativa do mercado era de 1.35 milhão de toneladas. O volume ficou 4% abaixo do da semana anterior, porém, 27% acima da média das últimas quatro semanas.

No acumulado da temporada, as vendas do cereal somam 34.021.500 toneladas. O volume ainda está abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior, de 41.189.400 toneladas.

As vendas semanais do trigo foram de 393.400 toneladas. O volume ficou 36% acima do da semana passada e 67% em relação a média das últimas quatro semanas.

Milho Argentina

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) também divulgou, nesta quinta-feira (8/2), em seu Panorama Agrícola Semanal (PAS), a sua nova estimativa para a safra de milho da Argentina de 39 milhões de toneladas, 5% menor do que havia sido estimado em sua primeira previsão, 41 milhões de toneladas.

Isso se deve porque grande parte das áreas de milho plantadas em datas precoces continuam enchendo grãos sobre reservas hídricas irregulares, de forma que os rendimentos dessas áreas deve ser afetado, com um grande peso produtivo nas regiões núcleo norte e sul.

O plantio de milho com destino comercial foi finalizado em toda a área agrícola nacional, com 5.4 milhões de hectares plantados.

Grandes estoques de milho do Brasil compensarão safra menor

Os grandes estoques de milho do Brasil na temporada 2017/18 permitirão que o país mantenha a força nas exportações neste ano, apesar de uma safra estimada para ser 10% menor que o recorde da temporada passada, afirmou nesta quinta-feira o Diretor Geral da associação de exportadores Anec.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou nesta quinta-feira a produção de milho do Brasil, segundo exportador global, em 88 milhões de toneladas, contra 97.8 milhões de toneladas no ciclo anterior, em meio a uma área plantada menor.

Mas os estoques iniciais em 2017/18 estão previstos pela Conab em um volume histórico de 18.6 milhões versus 6.9 milhões de toneladas na temporada passada.

As exportações do cereal Brasil foram estimadas pela Conab em 30 milhões de toneladas em 2017/18, perto do recorde registrado no ciclo anterior, de 30.8 milhões de toneladas.

Na exportação, tem estoque de passagem de milho grande, eu acho que (a safra menor) não vai prejudicar, disse o Diretor Geral da Anec, Sérgio Mendes, durante evento em Brasília nesta quinta-feira.

Na parte do milho talvez você tenha uma redução, não na exportação, na produção. Mas vai ser compensado pelo estoque de passagem… se as coisas correrem bem, capaz até de bater recorde de novo (para exportação de grãos em geral), acrescentou Mendes, se referindo à soja e milho.

Para a soja, a Conab estima exportações de 66 milhões de toneladas, contra um recorde de 68.15 milhões na temporada passada, o que faz do país o maior exportador da oleaginosa.

No caso da soja, a Conab elevou sua projeção de produção em 2017/18 para 111.56 milhões de toneladas, contra 110.43 milhões de toneladas em janeiro e inferior apenas ao recorde de 114.07 milhões de toneladas do ano passado.

O representante da ANEC não apontou números para as exportações.

Mendes lamentou problemas logísticos na BR-163, em função do trecho não pavimentado da rodovia no Pará, que tem atrasado os embarques no início da safra. A via é importante ligação entre áreas produtoras de Mato Grosso e o porto fluvial de Miritituba (PA), de onde partem barcaças carregadas de grãos em direção aos portos do Norte.

Mercado interno

Segundo levantamento do economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, em Sorriso (MT), a saca caiu 7,14%, e foi cotada a R$ 13,00. Em São Gabriel do Oeste (MS), a queda foi de 2,27%, com a saca cotada a R$ 21,50.

Na região de Castro (PR), a queda foi de 1,67%, com a saca cotada a R$ 29,50. Na contramão desse cenário, em Campo Novo do Parecis (MT), a saca subiu 2,78%, e foi cotada a R$ 18,50. Ainda em Mato Grosso, em Tangará da Serra, alta foi de 2,63%, com a saca cotada a R$ 19,50. Já em Assis (SP), a alta foi de 1,11%, com a saca cotada a R$ 27,30.

Os analistas ainda reforçam que o mercado encontra suporte nos atrasos na colheita na safra de verão. No maior estado produtor do cereal na primeira safra, o Rio Grande do Sul, cerca de 30% da safra já foi colhida, segundo dados reportados pela Emater/RS.

“Os rendimentos se mantêm em níveis satisfatórios, com casos recorrentes que ultrapassam 6.000 kg/ha, cenário este registrado nas áreas ao Norte do estado”, informou em nota.

Em contrapartida, as lavouras semeadas no Centro-Sul do estado sofreram com o stress hídrico e as chuvas observadas ao longo da segunda quinzena de janeiro não foram suficientes para reverter a ausência de água no solo. “Atingindo fortemente as lavouras em fase reprodutiva e diminuindo assim o potencial produtivo”, destacou a entidade.

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