‘Mormo pode não apresentar sintomas’, alerta especialista

Luana
Coordenadora do Programa Estadual de Sanidade de Equídeos (Pese) da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Luana Batistella destacou sintomas e complicações do processo de sacrifício dos animais. Foto: Larissa Melo/Faeg

Ressaltando a importância de um cuidado efetivo com a sanidade de equídeos, a coordenadora do Programa Estadual de Sanidade de Equídeos (Pese) da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Luana Batistella esteve entre os palestrantes do Seminário de Equideocultura. Como principal dúvida entre os produtores, Luana afirmou que, apesar de muitas vezes as doenças serem assintomáticas, é necessário o sacrifício dos animais, conforme recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O evento foi realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) e Instituto Inovar.

Durante a palestra, Luana destacou os sintomas, complicações e explicou também como funciona o processo de sacrifício dos animais e interdição das propriedades.

“Ainda temos muita resistência quando o assunto é sacrifício e os produtores tem o direito de pedir um novo teste para as doenças. Ainda assim é preciso considerar que não existe cura ou vacina. No caso do mormo, ainda temos o contágio em humanos. É preciso levar a sanidade a sério”, completa.

Em outubro de 2014, foi registrado um caso de mormo no Parque de Exposições Agropecuárias de Goiânia e o local ficou interditado por mais de 30 dias. Daí em diante, outros oito casos foram confirmados: Hidrolândia, Abadia de Goiás, Goiânia, Edéia, Silvânia, Mara Rosa, Caldazinha e Bela Vista de Goiás.

Ocasionada pela bactéria Burkholderia mallei, a doença não tem cura e pode ser transmitida, inclusive, pelos alimentos, água ou secreções como: catarro, urina e fezes, de um animal saudável para outro sadio e ainda, para os humanos com sintomas similares e difícil tratamento.

“No caso do mormo, a maior prevalência é em animais idosos, debilitados por estresse, trabalho intenso e más condições de manejo”, disse Luana.

O animal pode apresentar febre, catarro, ferida dentro do focinho, tosse, gânglios aumentados e dificuldade para respirar. Em caso de confirmação, todos os animais da propriedade passarão por dois exames e o local (parques de exposições, leilões ou propriedades) pode ser interditado. Sem tratamento, os animais sacrificados precisam ser queimados e enterrados.

CONTROLE DE TRÂNSITO

Luana também ressaltou a necessidade de um controle de trânsito dos animais. Conforme dados da Agrodefesa, em 2014, apenas com a finalidade esportiva, 16 mil animais foram transportados conforme emissão de guias. Além disso, 8 mil animais foram transportados com a finalidade de trabalho.

O que ocorre é que muitas festas e eventos são realizados sem a emissão dessa guia por parte da Agrodefesa e, neste caso, existe um grande risco de contaminação dos animais presentes.

LABORATÓRIO GOIANO

A palestrante também falou do futuro laboratório goiano que será administrado pela Agrodefesa. Um investimento de R$ 50 mil promete colocar o Laboratório de Análise e Diagnóstico Veterinário (Labvet) no papel de protagonista no combate ao mormo em Goiás, já que, com o reconhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), será o primeiro laboratório público a realizar exames para detectar a infecção pela bactéria Burkholderia mallei.

O investimento foi aprovado dia 28 de abril no Conselho Deliberativo do Fundo para o Desenvolvimento da Agropecuária de Goiás (Fundepec Goiás) e a expectativa é de que o estado se destaque no cenário nacional.

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