Diário da Região: Nova crise para a carne brasileira

Publicado em 23/06/2017

Sob ameaça de perder mercados importantes para a carne brasileira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, vai tentar se encontrar, já na próxima semana, com autoridades norte-americanas. O receio é de que a proibição à compra de carne bovina in natura (fresca) do Brasil, anunciada na quinta-feira pelo Departamento de Agricultura americano, o USDA, provoque um efeito em cadeia e acabe fechando portas para o produto brasileiro em outros países.

Produtores de carne do país também temem que a decisão dos Estados Unidos de embargar o produto brasileiro in natura (carne fresca) prejudique o acesso do Brasil a novos mercados. A preocupação foi revelada pelo vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, para quem a decisão do governo norte-americano causa mais impacto à imagem do produto brasileiro que ao bolso do exportador.

A suspensão da importação foi decidida porque 11% da carne exportada pelo Brasil desde março não passou em testes de qualidade nos Estados Unidos. Sirimarco lembrou que a venda de carne desse tipo para aquele mercado é recente, mas admitiu que a atitude do governo norte-americano pode ter repercussões sobre outros países, uma vez que o Brasil está tentando abrir novos mercados, como Japão e Coreia.

Maggi afirmou nesta sexta-feira, 23, que o governo reconhece o problema de qualidade na carne brasileira exportada aos EUA. Segundo ele, o aparecimento de abscessos na carne bovina in natura, que levou os americanos a anunciarem na quinta-feira, 22, o embargo ao produto brasileiro, é proveniente da vacinação contra febre aftosa.

“O Brasil tem o status de livre de febre aftosa com vacinação”, disse Maggi, em entrevista em Cuiabá (MT). De acordo com o ministro, o Brasil talvez seja o único país nesta situação, de ser livre da aftosa e ainda vacinar o gado. “O mercado é novo para nós e também para eles. Acabamos tendo este problema”, disse.

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou nesta sexta-feira, 23, que a pasta determinou auditoria rígida nos frigoríficos brasileiros habilitados a exportar carne bovina in natura para os EUA. A medida é uma reação à suspensão, anunciada na quinta-feira, 22, pelos EUA, da compra de carne brasileira.

Ele comentou, também, que os técnicos da Agricultura vão verificar a qualidade das vacinas aplicadas, já que os abscessos detectados pelos EUA na carne bovina são atribuídos à vacina contra febre aftosa. “Vamos fazer uma investigação para verificar onde está o problema”, acrescentou Novacki, ao citar as medidas tomadas para enfrentar o problema do embargo. O secretário afirmou ainda que, em setembro, o secretário da área nos EUA deve visitar o Brasil.

 

Fonte: Diário da Região

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