Dessecação é importante estratégia no manejo da soja

08/02/2018|

A colheita da soja também pode ser feita sem dessecação, mas o produtor deve levar em conta os benefícios dessa prática, aliado às informações de previsão de tempo e ainda avaliar os riscos envolvidos, antes da tomada de decisões. Foto: Breno Lobato/Divulgação Embrapa

A dessecação pré-colheita da soja, com uso de herbicida, é uma prática muito comum que tem três objetivos: uniformizar a área da soja, controlar plantas daninhas e antecipar a colheita, pois o produtor obtém uma antecipação média de cinco dias, o que antecipará o plantio do milho safrinha. As informações são do pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, da Embrapa Agropecuária Oeste.

Ele explica que “quando o produtor desseca a lavoura, a planta vai morrer rapidamente e o trabalho precisa ser executado de forma dinâmica” o que, segundo ele, deve ser feito em consonância com os dados pesquisados sobre a previsão do tempo.

“É fundamental que o produtor esteja atento a essas informações, antes de optar pela dessecação, pois o excesso de chuvas pode prejudicar o trabalho de colheita e ocasionar perdas”, destaca.

“Além disso, caso a colheita, após a dessecação demore, o produtor pode ter surpresas desagradáveis como, por exemplo, perdas com abertura de vagens, maior incidência de grãos “ardidos” e até germinação da soja no próprio pé, dentro da vagem, caso ocorra excesso de umidade na lavoura por período prolongado”, explica Garcia.

Ele salienta que a colheita também pode ser feita sem dessecação, mas o produtor deve levar em conta os benefícios da prática, aliado as informações de previsão de tempo e avaliar os riscos envolvidos, antes da tomada de decisões.

“É preciso avaliar se vale a pena ou não dessecar naquele momento.”

HORA DA APLICAÇÃO

Outra dica do pesquisador se refere ao momento certo de aplicação do dessecante, que é fundamental, pois evita perdas no rendimento da cultura, caso seja feito antes do tempo correto, que é a maturação fisiológica das plantas. Essa fase é conhecida como o estágio R7 de desenvolvimento, quando boa parte das folhas já estão amareladas.

“Se fizer a dessecação antes desse ponto, a soja perde massa dos grãos”, explica Garcia.

A partir desse ponto recomendado, “a planta já finalizou o transporte de nutrientes para os grãos e já atingiu o pico de matéria seca e está apenas perdendo água”.

Outro ponto importante é que os produtores que adotam a dessecação da soja seguem as orientações agronômicas, ainda mais que o principal herbicida usado como dessecante nas lavouras de soja está sendo retirado de circulação.

“Assim, seguindo as orientações desse profissional, que vai fazer o diagnóstico da área, conhecer as especificações do produto e só então emitir a receita, o trabalho de pré-colheita será feito com a segurança e a qualidade necessária”, enfatiza o pesquisador.

“No Sul do Mato Grosso do Sul, apenas as cultivares de soja precoce já foram colhidas. Porém, estamos iniciando o processo de amarelecimento das lavouras de soja, pois isso é visível nas paisagens, apesar de ainda existirem muitas áreas que estão verdes. Em meados de fevereiro, boa parte dessas lavouras estarão entrando nessa fase”, destaca Garcia.

Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste com edição d’A Lavoura

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