Desaceleração da economia chinesa não deve afetar comércio com Brasil

Desde a abertura do mercado chinês para a carne brasileira, em junho do ano passado, espera-se exportar para o país asiático de 15 mil a 20 mil toneladas mensais de carne bovina, afirma o presidente da Abiec, Antônio Camardelli. Foto: Divulgação
Desde a abertura do mercado chinês para a carne brasileira, em junho do ano passado, espera-se exportar para a China, de 15 mil a 20 mil toneladas mensais de carne bovina, destaca o presidente da Abiec, Antônio Camardelli. Foto: Edi Pereira / Divulgação Abiec

A desaceleração do nível de crescimento da China não é motivo de preocupação das cadeias de carnes e soja do Brasil. As medidas adotadas por um dos maiores importadores de alimentos do mundo estão focadas nos programas de infraestrutura e, segundo Antonio Camardelli, presidente Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec),trata-se de uma medida que, apesar de parecer negativa, vai favorecer a manutenção da expectativa de que a China se um dos maiores importadores do Brasil.

Prova disto é que, de acordo com Carmardelli, desde a abertura do mercado chinês para a carne brasileira, em junho do ano passado, espera-se exportar para o país asiático de 15 mil a 20 mil toneladas mensais de carne bovina.

Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, no caso específico do setor de proteína animal, são boas perspectivas em relação ao mercado chinês. “Todos os indicativos mostram que a China deve expandir suas compras da avicultura e da suinocultura do Brasil.”

Quanto à soja, Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove),afirma que a entidade vê com otimismo o potencial de crescimento do consumo de alimentos na China, em especial de proteínas animais e óleos vegetais. “Trata-se de um país cuja economia cresce a taxas elevadas, ainda que menores que no passado, e se urbaniza a taxas impressionantes”, acentua.

 

“Trata-se de um país cuja economia cresce a taxas elevadas, ainda que menores que no passado, e se urbaniza a taxas impressionantes”, diz o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli. Foto: Divulgação
“Trata-se de um país cuja economia cresce a taxas elevadas, ainda que menores que no passado, e se urbaniza a taxas impressionantes”, diz o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli. Foto: Divulgação

CARNE BOVINA

Camardelli garante que, de acordo com as avaliações da Abiec, a meta da China, de tirar o peso de investimento da linha de infraestrutura, não trará prejuízos ao setor brasileiro de carne bovina.   E destaca:“A Abiec mantém as expectativas anunciadas do fim do ano passado, com relação à abertura de um escritório da entidade na China, face à magnitude daquele mercado. É, também, a oportunidade que teremos de acompanhar procedimentos e movimentos comerciais daquele grande mercado asiático.”

A China, diz Camardelli, é consideradao mercado de todas as carnes. Os embarques brasileiros para aquele país começaram no fim de junho de 2015 e, em pouco mais de cinco meses, já representavam 81,3 mil toneladas, com faturamento de US$ 401,2 milhões. A expectativa da Abiec é que, em 2016, o faturamento com as exportações de carne bovina para a China represente cerca de US$1 bilhão.

“Temos uma programação e acompanhamos o movimento dos outros países. Na avaliação de quantitativos mensais, acreditamos na nossa participação e alcançar o objetivo de colocar a China entre os três primeiros lugares países importadores da carne brasileira e, consequentemente, no rol de faturamento”, projeta o presidente da Abiec.

 

SUÍNOS E AVES

O presidente da ABPA, Francisco Turra, lembra que, em 2015, o que se viu foi uma intensificação nos negócios da avicultura e da suinocultura com os importadores chineses. “De carne de frango, embarcaram para lá 307,1 mil toneladas, 35% a mais que no ano anterior.A China é o quarto maior importador de frango do Brasil, com 7,3% do total exportado pelo País.”

Também no ano passado, destaca Turra, “11 plantas frigoríficas de aves foram habilitadas, totalizando 39 plantas habilitadas. De suínos, foram mais 5, totalizando 11 plantas”.

De carne suína brasileira, foram exportadas para a China 5,2 mil toneladas, 520% a mais que no ano anterior. “A China ainda representa uma pequena parcela das exportações de suínos (somente 1%, posicionando-se em 11° lugar), mas já dá mostras de que tende a incrementar seus embarques após a habilitação das novas plantas. Em dezembro de 2015, o país representou 2,7% das exportações, ficando em 6° lugar ,com 1,224 mil toneladas embarcadas”, comenta o presidente da ABPA.

 

 “A China ainda representa uma pequena parcela das exportações de suínos (somente 1%, posicionando-se em 11° lugar), mas já dá mostras de que tende a incrementar seus embarques após a habilitação das novas plantas", ressalta o presidente da ABPA, Francisco Turra. Foto: Edi Pereira / Divulgação ABPA
“A China ainda representa uma pequena parcela das exportações de suínos (somente 1%, posicionando-se em 11° lugar), mas já dá mostras de que tende a incrementar seus embarques após a habilitação das novas plantas”, ressalta o presidente da ABPA, Francisco Turra. Foto: Édi Pereira / Divulgação ABPA

Para o presidente da entidade, a participação é tímida, mas o crescimento é exponencial.  “Em receita, o crescimento foi de 427,6%, chegando a US$ 9,823 milhões.”

A expectativa, para 2016, diz Turra, “é que tenhamos um cenário ainda mais favorável às exportações”. “As relações entre brasileiros e chineses caminham bem e são reforçadas pela confiança das autoridades e dos importadores na qualidade e no status sanitário do Brasil.”

Ele esclarece que, em aves, enquanto diversos países registravam focos de influenza aviária, o Brasil ganhou mais força por nunca ter registrado focos da enfermidade. “Já em suínos, conquistamos o status de livre de peste suína clássica, no ano passado, o que fortalece o reconhecimento brasileiro pelos chineses com uma produção de carne em excelentes condições sanitárias, reforçada pelo fato de não termos em nosso território problemas como a diarreia suína epidêmica (que foi um grande problema para o comércio internacional entre 2014 e 2015)”, esclarece.

Turra faz questão de destacar o trabalho realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que tem movido grandes esforços para ampliar estas exportações. “A ministra Kátia Abreu liderou diversos encontros com as autoridades chinesas eagilizou habilitações que há muito estavam travadas.”

De acordo com o presidente da ABPA, temos outros fatores que nos favorecem: “Embora em ritmo menor, a economia e o desenvolvimento chinês continuam fortes, melhorando a renda da população e, com o reforço na renda, o comportamento natural é o aumento da presença de proteínas no cardápio. Neste cenário, a carne de frango é altamente favorecida por ser versátil e ter custo mais acessível. Foi o que aconteceu nos últimos anos, com a ampliação do consumo per capita de frango na China e a ampliação da demanda pela proteína”, analisa.

 

SOJA

Na análise do presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, “levando em consideração que cerca de 250 milhões de chineses deverão residir nas cidades nos próximos dez anos – mais que toda a população brasileira –, são grandes as oportunidades daquele mercado para o agronegócio brasileiro”.

“Cabe ao Estado e ao setor privado desenvolverem e aplicarem políticas comerciais e diplomáticas para que o comércio seja realizado com maior participação de bens semimanufaturados e manufaturados”, pondera.

Segundo a Abiove, cujas empresas processam 60% da soja produzida no Brasil, em 2015, a sojicultura brasileira continuou contribuindo para a economia nacional com taxas de crescimento importantes na produção e na exportação.

Estudos realizados pela entidade indicam que a safra de 2016, estimada em 98,6 milhões de toneladas, dependerá das condições climáticas, ainda incertas. Se este patamar for atingido, o crescimento será de 3,6% em relação à colheita de 2015. A produção de farelo é projetada em 30,7 milhões de toneladas, aumento de 1% ante a produção em 2015, e a de óleo, em 8 milhões de toneladas, crescimento de 1,3%.

Com relação às exportações, a Abiove prevê, para 2016, embarques de soja em grão de 53,8 milhões de toneladas, aumento de 1,5% na comparação com o resultado em 2015. Quanto ao farelo, a expectativa é de que as vendas externas sejam semelhantes às de 2015 (15,2 milhões de toneladas). Já as exportações, de óleo deverão ficar em 1,47 milhão de toneladas, crescimento de 5%.

A China liderou as compras brasileiras de soja em grão, com 39,49 milhões de toneladas (75% das exportações totais da commodity) e aumentou em 21% suas importações da soja brasileira.

Ainda segundo os indicadores da Abiove, a economia da China tem crescido em níveis elevados (entre 6% e 7% ao ano). “O País é a segunda economia mundial e, portanto, esse crescimento percentual representa um forte aumento de renda em bases anuais. Outros fatores importantes a serem levados em conta pelos exportadores brasileiros de soja são a urbanização de mais 243 milhões de pessoas até 2025 e o aumento do consumo per capita de proteína animal em cerca de 40%.“

“Esses elementos (mesmo que o País tenha diminuído o ritmo da urbanização) permitem concluir que a China continuará importando farelo de soja e milho para atender à produção doméstica de proteínas”, conclui o estudo da Abiove.

 

Por equipe SNA/SP

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