De olho na Copa: produtores investem em orgânicos de maior valor agregado

29/01/2014|Tags: |
A coordenadora do CI Orgânicos, Sylvia Wachsner

A coordenadora do CI Orgânicos da SNA, Sylvia Wachsner, diz que ainda há muito espaço para a produção orgânica brasileira no exterior

 

Em 2013, o Organics Brasil, organização que reúne empresas exportadoras de produtos orgânicos, registrou uma movimentação de R$ 130 milhões em negócios. De acordo com a coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da SNA, Sylvia Wachsner, os números mostram que ainda há muito espaço para a produção orgânica brasileira e o país é capaz de alcançar patamares superiores. Ela explica: “Se levarmos em conta que são 76 empresas que participam deste programa de promoção internacional dos alimentos orgânicos e que a maioria do montante arrecadado vem da exportação de açúcar orgânico, posso afirmar que podemos crescer muito mais”.

Para elevar o faturamento com as vendas externas, a aposta do setor está no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, já que hoje, na opinião de Wachsner, “nós exportamos, mas os outros que agregam valor”.

“Você pode agregar valor com tecnologia. Fui a uma feira orgânica na Alemanha, a Biofach, e vi produtores da Colômbia que fabricam açaí liofilizado (em pó) e exportam. No Brasil, vende-se açaí como commodity. No México, eles oferecem abacate em pó também. Você pode misturá-lo com tomate e outros ingredientes e fazer guacamole”, exemplifica ela, que acrescenta: “Ver os americanos vendendo nosso açaí é triste”.

Copa como vitrine

A expectativa do segmento é de que a Copa do Mundo gere uma boa oportunidade para que o Brasil exponha seus diferenciais nos orgânicos. Através dos quiosques disponibilizados nas cidades-sede do Mundial por iniciativa do programa Brasil Orgânico e Sustentável, do governo federal, empresas planejam apresentar uma produção que pretende ir além da commodity.

Diretor da Coopernatural, uma das participantes do projeto, Ricardo Edson Fritsch conta que os produtores se preparam para o megaevento com animação e projetam um aumento da produção. “Investimos R$ 100 mil numa nova unidade de bebidas e cerca de R$ 200 mil em novos equipamentos. Estamos de olho não apenas no evento em si, mas em todos os que virão depois”, diz o diretor, que aposta nos alimentos prontos para consumo, como os sucos orgânicos de 300ml, com destaque para o de sabor tangerina.

“Novos produtos também serão lançados na Feira Sabor Gaúcho Orgânico e Sustentável, no Rio Grande do Sul, que acontecerá durante 21 dias da Copa”, complementa.

Adilson Lunardi, coordenador de finanças da Cooperagreco, investe em uma linha de comidas congeladas com embalagens de alta durabilidade e que podem ficar na prateleira até dois anos.

“Geleias em pequenas porções e o suco de frutas, especialmente o de butiá, são mercadorias também importantes e que custarão em torno de R$ 10. Esse suco não existe em outras regiões do país, é feito de uma palmeira específica da região sul do Brasil. Tem um sabor muito próprio e se assemelha ao da laranja, principalmente em sua acidez”, explica Lunardi, que projeta um aumento de 20% no faturamento da cooperativa em relação ao ano anterior, alcançando R$ 5,5 milhões.

Embalagens de castanhas de 50g serão o carro-chefe da Cooperacre. De acordo com Maria de Fátima do Nascimento, diretora da cooperativa, castanhas graiadas com chocolate e laminadas doces e salgadas foram feitas exclusivamente para os torcedores, entre um jogo e outro, se alimentarem de maneira saudável. O pacote sairá a R$ 3.

Também serão oferecidos pacotinhos com porções in natura, para que o alimento seja consumido como dose diária de proteína. “Investimos cerca de R$ 1,5 milhão em infraestrutura, entre salas e máquinas, e R$ 15 milhões em nossa indústria em Rio Branco, parte desse aporte feito pelo pelo governo. Estamos correndo contra o tempo, pois só faltam seis meses para os jogos. Mas estamos otimistas”, afirma a diretora, que prevê um aumento de 50% no faturamento para 2014 e o incremento da cartela de produtos, entre eles uma barra de cereais, que será lançada nas Olimpíadas.

Para ver e desfrutar   

A intenção é chamar a atenção e conquistar até os consumidores mais exigentes. A Cooperagrecco, por exemplo, irá oferecer uma caneca maltada em estilo colonial nas cores verde e amarela. “Quem circula em eventos como esse possui informação qualificada e cuida da saúde. E são pessoas exigentes. Essa caneca é um diferencial e funcionará como um presente, uma recordação”, diz Lunardi.

Ricardo Edson Fritsch, da Coopernatural, revela que vai oferecer um serviço exclusivo: uma pousada orgânica. “Vamos inaugurar o local de alto luxo com um grupo da Noruega que vem para o evento. A diária sairá por R$ 250 e os quartos terão piso aquecido, pois na Serra Gaúcha faz muito frio. O café da manhã oferecerá produtos orgânicos e sustentáveis”, antecipa o diretor da cooperativa.

Por Equipe SNA/RJ