Trump pode decidir nesta sexta nova rodada de tarifas contra a China

O governo Trump pode estar a ponto de impor tarifas de até 25% sobre mais produtos importados da China, num valor de US$ 200 bilhões, intensificando um confronto entre as maiores economias do mundo, com possíveis pressões sobre empresas americanas que importam de tudo, de bolsas a pneus de bicicleta.

O governo pode tomar a decisão de começar a taxar essas importações, equivalentes a quase 40% de todas as mercadorias que a China vendeu aos Estados Unidos no ano passado, a partir desta sexta-feira (7/9), porque nesta quinta-feira (6/9) se encerra o período de consultas públicas sobre a questão.

A China avisou que, se isso acontecer, está pronta para impor tarifas retaliatórias sobre produtos americanos no valor de US$ 60 bilhões.

“A China terá de adotar contramedidas necessárias se o lado americano ignorar a oposição da maioria esmagadora de suas empresas e adotar novas medidas tarifárias”, disse nesta quinta-feira o porta-voz do Ministério do Comércio, Gao Feng.

Os EUA já impuseram tarifas sobre produtos chineses no valor de US$ 50 bilhões, e Pequim revidou com a taxação de US$ 50 bilhões em mercadorias americanas. Esses produtos americanos incluem soja em grão e carne bovina – um tiro direto contra os apoiadores do presidente Donald Trump no cinturão agrícola dos EUA.

Trump começou a guerra comercial para punir Pequim pelo que classificou de táticas predatórias da China para tentar suplantar a supremacia tecnológica dos EUA. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) alegou que essas táticas incluem o roubo de segredos comerciais por meio da invasão de computadores por hackers e ao forçar empresas americanas a transferir tecnologia em troca de acesso ao mercado chinês.

Nas primeiras trocas de hostilidades, o governo americano mirou as importações industriais chinesas para tentar poupar seus consumidores de custos de importação mais altos. Mas se Trump acrescentar os US$ 200 bilhões em produtos chineses que estão na lista dos passíveis de tributação, os consumidores americanos provavelmente vão sentir o aperto diretamente. E a China prometeu atingir produtos americanos no valor de US$ 60 bilhões em retaliação.

Muitas empresas americanas que dependem de produtos chineses importados que estão na mira se preparam para o golpe de uma próxima rodada de tarifas, e algumas se perguntam se serão capazes de absorver os custos mais altos ou se terão de repassá-los aos seus clientes, ou encontrar fornecedores alternativos fora da China.

“Uma escalada na guerra tarifária pode começar a interromper ou cortar as cadeias de fornecimento, provocando uma redução da eficiência produtiva, custos mais altos e perda de competitividade, em última instância levando a uma taxa de crescimento potencial mais baixa para ambos os países”, escreveram analistas da S&P Global Ratings nesta quarta-feira (5/9).

Os analistas da S&P dizem que uma guerra comercial aberta até 2021 poderia reduzir a produção econômica anual dos EUA em um terço de um ponto porcentual, na média, e a da China em dois décimos de um ponto percentual de 2019 até 2021. A guerra comercial poderá provocar ainda mais danos se abalar os mercados financeiros e, assim, prejudicar o índice de confiança das empresas e desencorajar o investimento.

Sherill Mosee, fundadora da MinkeeBlue, uma empresa da Filadélfia que atua há quatro anos na produção de malas de viagem e bolsas de trabalho, disse que seu negócio provavelmente terá de suspender as operações se as tarifas entrarem em vigor e o governo começar a taxar malas e bolsas importadas da China.

A MinkeeBlue depende de importações baratas para conseguir vender por menos de US$ 200,00 uma bolsa multiúso para trabalhadoras, com espaço para guardar sapatos e uma lancheira. Sherill Mosee disse que não será capaz nem de absorver custos de importação mais altos nem de repassá-los a seus clientes. E acrescentou que encontrar um fornecedor fora da China pode levar meses.

“Estou assustada; estou aturdida”, disse Sherill Mosee. “Estou apenas começando a ampliar meu negócio. Eu finalmente me sentia feliz com sua direção e agora isso acontece.”

 

Fonte: Associated Press

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp