Tecnologia na classificação de grãos pode elevar receitas de produtor em R$ 3 bilhões

Por Mauro Zafalon

 

O campo vive atualmente uma série de problemas que afetam produtividade, elevam custos e diminuem a renda dos produtores. Em discussões com produtores, o AgriHub, uma rede que tem como objetivo levar tecnologia ao campo, apurou pelo menos 30 problemas para os produtores no desenrolar de uma safra.

Apenas os dois principais do topo da lista, manejo de pragas, doenças e ervas daninhas e subjetividade na classificação, geram perdas de R$ 5.3 bilhões para o produtor por safra.

O de maior efeito negativo no bolso do produto é a subjetividade na classificação de grãos. Nesse caso, o produtor deixa de receber pelo menos R$ 3.1 bilhões por safra.

O segundo maior problema apontado no campo são as dificuldades encontradas pelo produtor no manejo de pragas, doenças e ervas daninhas. Nesse caso, os gastos extras do produtor podem chegar a R$ 2.2 bilhões.

Em ambos os casos, segundo Fábio Silva, analista de parceria de AgriHub, a utilização de tecnologias apropriadas impediria esses acentuados gastos extras ou perdas de rentabilidade.

Um terceiro problema apontado pelos produtores é a falta de conectividade no campo, o que inibe a utilização de tecnologia. “É como o produtor ter uma Ferrari e utilizar estradas de terra”, disse Silva. Algumas opções tecnológicas estão disponíveis, mas não há meios de ela ser transmitida para o campo.

Antonio Morelli, sócio da Agronow, acredita que a situação de conectividade é crítica, mas deverá mudar nos próximos anos. As comunicações estão defasadas no campo porque a demanda pelo serviço sempre foi baixa. O cenário começa a mudar e, com o aumento de procura por esses serviços, as empresas vão se voltar também para o campo.

Luiz Fernando Sá, da Plant Project e da StartAgro, disse que esse avanço da tecnologia no campo é irreversível, e o Brasil será um grande mercado para as empresas. Já são 200 startups ligadas ao agronegócio no país, que tem agora a oportunidade de se apropriar dessa onda tecnológica, afirma Sá.

O Brasil tem vantagens na adoção de tecnologia rural, segundo Fabiana Alves, do Rabobank. Um dos exemplos é o cerrado. Além disso, o momento é especial para a chegada de tecnologia no campo devido à maior presença de jovens na agricultura. Eles são mais propensos a inovações e utilizações de tecnologias.

Morelli acrescenta que até 2010 o referencial de tecnologias era o que vinha embutido nas máquinas agrícolas. Na sequência, veio a adoção da tecnologia digital. É um momento de transição e de barreiras para os dois lados: campo e empresas.

A executiva do Rabobank diz que a adoção de tecnologia está sendo rápida, mas a conversão ainda não é um fato concreto. Os produtores precisam avaliar melhor as novas tecnologias e os investidores nessas empresas devem deixar claras as suas propostas de valor.

Quem utiliza mais tecnologia no campo? A resposta para o Brasil ainda é incerta, mas na Austrália uma pesquisa indica que há uma correlação de aproveitamento diferente. Os que mais utilizam são os grandes e os pequenos produtores, segundo Alves.

Os grandes produtores utilizam esses novos recursos porque têm mais facilidades. Os pequenos, porque precisam de resultados para sobrevivência.

Para Sérgio Marcus Barbosa, da EsalqTec, a tecnologia no campo é importante porque traz sustentabilidade, tanto a ambiental como a social e financeira.

 

Fonte: Folha de São Paulo

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