Setor de biodiesel cobra do governo previsibilidade

Previsibilidade quanto ao comportamento da demanda. É o que querem produtores e distribuidoras de combustíveis quando o assunto é a mistura obrigatória de biodiesel no diesel. Atualmente, o percentual está fixado em 8% (B8), e a expectativa é de aumento para 10% (B10) já em março do ano que vem, um ano antes da previsão inicial. Mas, segundo Julio Minelli, diretor-executivo da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), novos investimentos para atender ao aumento da demanda até o B15 dependerão de previsibilidade.

“As empresas precisam de tempo para se planejarem”, disse Sérgio Massillon, diretor institucional da Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), durante a Conferência BiodieselBR, realizada ontem em São Paulo. Segundo ele, aumentos como a indústria queria que ocorresse com o B9 este ano são inviáveis. “Não dá para aumentar da noite para o dia”, disse. A proposta de entidades da área de biodiesel era que o aumento para B9 fosse em novembro deste ano.

No mês de março do ano passado, a então presidente Dilma Rousseff alterou a lei que regulamentava a proporção de 7% na mistura de biodiesel no diesel e foi estabelecido um cronograma que levaria o percentual a até 10% em 2019. A meta foi antecipada para 2018. Minelli, da Aprobio, prevê que o incremento para 10% de biodiesel ampliará em 25% a demanda de biodiesel em 2018, para 5.4 bilhões de litros.

“Não vemos problemas com a implementação do B10. Mas temos de começar a agir para alterar as regras de estoques reguladores”, disse Waldyr Barroso, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo ele, a “ineficiência do cálculo da demanda vem causando uma redução do volume estimado dos estoques”. Mas Barroso destacou que, nós últimos leilões de biodiesel realizados no país, houve uma tendência de diminuição da concorrência, o que têm pressionado os preços do produto.

Tarifa antidumping nos EUA

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos decidiu impor tarifas antidumping preliminares sobre as importações de biodiesel produzido na Argentina e na Indonésia, informou o jornal “Financial Times”. As taxas variam de 50% a 70%. No caso do produto argentino, cálculos iniciais do órgão americano indicaram margens de dumping entre 54,36% e 70,5%. Em relação ao biodiesel do país asiático, o percentual é de 50,71%.

Segundo o Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, a Argentina já pediu a abertura de negociações para tentar suspender as taxas adotadas. Os EUA importaram menos de dois milhões de toneladas de biodiesel argentino e indonésio em 2016, mas o volume representou 80% do volume total comprado no exterior. Os americanos são grandes produtores de biodiesel.

 

Fonte: Valor Econômico

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