Projeto brasileiro prevê aproveitamento de soro de leite em pequenas queijarias do país e exterior

Amauri Rosenthal
“Depois de instalado o primeiro modelo, vamos buscar parcerias público-privadas (PPPs)”, conta o pesquisador da Embrapa Amauri Rosenthal sobre projeto de aproveitamento de soro de leite

 

O soro de leite é rico em proteínas, mas, ao ser descartado na natureza, torna-se uma substância poluente. A preocupação com a sustentabilidade ambiental, aliada ao interesse em aumentar a competitividade de mercado para pequenas queijarias brasileiras, fez surgir um estudo idealizado pelo pesquisador Amauri Rosenthal, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Agroindústria de Alimentos.

O trabalho despertou interesse no exterior e está sendo financiado pela Agência Australiana para o Desenvolvimento Internacional (Ausaid) e consolida uma parceria com A Comunidade Científica e Organização de Pesquisa Industrial (da sigla CSIRO em inglês: The Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization). Além de Austrália e Brasil, o projeto também reúne parceiros da Argentina, Colômbia e Uruguai. “A princípio, no país, o estudo envolve queijarias da Zona da Mata de Minas Gerais. Há previsão para chegar ao Rio de Janeiro e à região Sul, mais precisamente na fronteira dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina”, informa Rosenthal.

Para que o projeto se estenda, pondera o pesquisador, será necessário realizar um levantamento do processamento do soro de leite nas regiões produtoras. “O objetivo é avaliar onde seria interessante desenvolver o trabalho do ponto de vista do custo-benefício.” De acordo com o pesquisador, o foco inicial será voltado para as unidades de concentração de soro e/ou para as unidades de secagem da substância.

A previsão é de que o primeiro modelo, a ser implantado na Zona da Mata mineira, esteja funcionando a partir de março do ano que vem. Na localidade, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária conta com as parcerias do polo de leite da região, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora (MG). “Depois de instalado o primeiro modelo, vamos buscar parcerias público-privadas.”

Para que o projeto seja instalado nas queijarias, Rosenthal reforça que, conforme o mercado atual de soro, também será avaliado se compensará instalar a unidade de processamento de soro, levando em conta o transporte e seu tempo de duração, a malha rodoviária e o custo para o produtor, que, segundo ele, deve ser baixo.

 

A PRODUÇÃO

De acordo com o pesquisador, em média, cada quilo de queijo produzido gera em torno de dez litros de soro. E para a produção de um quilo de queijo são necessários, em média, entre oito e dez litros de leite, podendo variar dependendo do tipo de queijo.

“As proteínas do soro têm elevado valor nutricional e geram produtos de alto valor agregado, como o isolado e o hidrolisado proteicos que são muito consumidos por atletas de academias – os chamados whey proteins. O soro pode também ser usado na confecção de bebidas lácteas, entre outros produtos”, informa Rosenthal. Nas propriedades rurais, o soro também é utilizado na alimentação animal e, por isso, o projeto da Embrapa também vê melhorias neste campo.

 

WORKSHOPS

Em setembro, Rosenthal participou de um workshop em Buenos Aires, ocasião em que pôde alinhar as ações do projeto conforme o interesse do setor lácteo da Argentina e Uruguai, países parceiros da Embrapa. “Na Argentina, por exemplo, há casos em que a própria unidade processadora de soro de leite se encarrega do transporte e da coleta da substância nas queijarias”, informa.

 

Por equipe SNA/RJ

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