Produtores rurais criticam medida governamental que proíbe avermectina

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), publicou no dia 30 de maio, no Diário Oficial da União, uma instrução normativa que proíbe a fabricação e o uso de produtos veterinários antiparatisas de longa duração contendo avermectinas. Vale lembrar que em 2011 o Mapa já havia proibido o uso de avermectinas cujo período de carência ou de retirada descrito na rotulagem fosse maior do que 28 dias em gado de corte confinado.

A medida causou uma série de críticas em diversos setores relacionados à pecuária. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado (que vai se licenciar do cargo na quarta), ligou para Neri Geller e pediu explicações sobre a nova normativa, já que ela proibia apenas produtos de longa duração – de mais de 42 dias.

Outra associação que levantou a voz contra a medida foi o Sindicato Nacional da
Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que enviou representantes e advogados para Brasília para questionar o processo.

O Sindan também publicou uma nota onde repudia a medida, uma vez que os produtos são utilizadas tanto no Brasil quanto no mundo há mais de 20 anos, são registrados no Mapa e reconhecidos como uma ferramenta indispensável para o controle de ectoparasitos, que causam bilhões de reais de prejuízos à pecuária nacional. Além disso, a Sindan declarou que adotaria as medidas cabíveis para anulação da Instrução Normativa.

Para o Conselho Nacional de Pecuária de Corte a medida é uma resposta à barreira técnica imposta pelos Estados Unidos, que reduziu o nível de resíduos aceitos da avermectina na carne processada de 40 para 10 partes a cada bilhão.

O presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura, Ricardo Yano, considerou a decisão do governo unilateral.

– Houve uma decisão unilateral sem uma discussão com os produtores. Parece que os frigoríficos não estão conseguindo preencher suas escalas e estão procurando uma situação que não existe. Precisamos discutir mais esse assunto e vamos trazer os laboratórios e frigoríficos para a discussão para chegarmos em uma razão comum. A indústria da carne está apenas pedindo uma explicação e uma definição mais clara sobre o assunto, já que a medida trouxe prejuízo ao produtor que usava o produto como manejo para o animal ganhar peso por um tempo maior – declarou Yano.

Para ele, caso o remédio prejudique a qualidade da carne basta o produtor rural ser responsável.

– Se for confirmado que ele usou no momento errado que ele perca o preço – complementa Yano.

Fonte: Canal Rural

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