Plano de uso de satélite na citricultura tem avanço

com as informações que serão coletadas através do projeto será possível estabelecer um inventário completo de plantas, variedades e idade produtiva dos pomares, entre outras informações.
Com as informações que serão coletadas através do projeto será possível estabelecer um inventário completo de plantas, variedades e idade produtiva dos pomares, entre outras informações

Gestado desde o ano passado, o projeto que busca conferir maior precisão às estimativas de safra de laranja no cinturão formado por São Paulo e pelo sul de Minas Gerais, por meio da utilização de fotos de satélites, ganhou fôlego extra no mês de setembro, a partir da assinatura de dois protocolos de intenções.

Ambos foram firmados no dia 19 pela Secretaria de Agricultura paulista – um deles com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por citricultores e indústrias de suco de laranja, e outro com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O projeto deverá receber R$ 16 milhões em investimentos nos primeiros três anos – R$ 8 milhões na implantação e R$ 4 milhões por ano para sua manutenção nos dois anos seguintes.

Trata-se do maior projeto conjunto já realizado pelo segmento. Conforme informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Citrícos (CitrusBR), entidade que representa as grandes indústrias de suco radicadas no país (Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus), com as informações que serão coletadas será possível estabelecer um inventário completo de plantas, variedades e idade produtiva dos pomares, entre outras informações.

A ideia é que a compilação desses dados siga o know-how desenvolvido pelo USDA, que já faz suas estimativas baseadas em um sistema de contagem de pés que usa fotos de satélite ou de sobrevoo e depois checa as informações com equipes de campo.

O interesse do USDA em participar do projeto se justifica pela importância do parque citrícola brasileiro em questão – o maior do mundo -, que influencia os rumos das cotações internacionais de suco e, assim, os rumos da citricultura na Flórida, que reúne o segundo maior parque citrícola voltado à produção da bebida do mundo.

O projeto foi idealizado pela CitrusBR e contou desde o início com o apoio da secretária da Agricultura de São Paulo, Mônika Bergamaschi. Do lado privado, a “transferência” do comando da CitrusBR para o Fundecitrus tende a evitar a oposição das autoridades regulatórias, conforme apurou o Valor.

No total, a área de produção de laranja a ser monitorada em São Paulo e no sul mineiro alcança 153 mil hectares e abriga cerca de 151 milhões de pés. O Fundecitrus, que arcará com 100% dos gastos, já está com fotos de satélites de toda a área, feitas em caráter experimental. O objetivo é que uma checagem de campo tenha início ainda neste mês, mas ainda restam muitos detalhes a serem discutidos.

Amanhã, uma reunião na Secretaria da Agricultura de São Paulo poderá definir o papel de cada participante do projeto. Todas as informações têm de ser públicas. Mas, apesar dos esforços em curso para acelerar o processo, dificilmente já haverá uma divulgação conjunta na próxima safra (2015/16), em virtude dos trâmites burocráticos necessários.

Fonte: Valor Econômico

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