Pesquisa mostra que 61% dos produtores rurais não têm armazéns nas propriedades

O que se vê na realidade do campo é que a falta de estrutura para guardar os grãos é um dos principais gargalos da produção rural no País – Imagem de wirestock no Freepik

A armazenagem de grãos é uma das atividades primárias mais importantes na logística do agronegócio. Garante competitividade ao possibilitar a comercialização em momentos mais oportunos, evitando que os agricultores sejam obrigados a vender grande parte da produção logo após a colheita. Também é fator de segurança alimentar, pois a disponibilidade de espaços adequados facilita a formação de estoques e o fornecimento de alimentos de qualidade.

O que se vê na realidade do campo, porém, é que a falta de estrutura para guardar os grãos é um dos principais gargalos da produção rural no País, como revela pesquisa da ESALQ-LOG (USP) encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O estudo traçou uma radiografia inédita a partir de entrevistas com 1.065 produtores do país e faz parte de um amplo estudo da CNA intitulado “Diagnóstico da Armazenagem Agrícola no Brasil”.

O levantamento aponta que 61% não têm infraestrutura de armazenagem na propriedade rural. Apenas 39% possuem algum tipo de estrutura para armazenar os grãos, sendo que 19,80% possuem silos convencionais ou graneleiros, 9,90% utilizam apenas silo bolsa (alternativa de menor custo de implantação, porém de curta durabilidade) e 9,20% usam silo bolsa como complemento aos outros silos.

É um resultado surpreendente para um País que bate recordes a cada safra: enquanto a produção de grãos cresce 12.5 milhões de toneladas por ano, a oferta nos armazéns cresce apenas 4 milhões de toneladas/ano.

Entre os produtores sem estruturas, 72,70% investiriam em armazéns, se tivessem linhas de crédito e juros mais atrativos. Também apontaram a necessidade de qualificação de mão de obra e de investimentos em distribuição de energia e manutenção de estradas.

Os produtores defendem taxas de juros de 2% a 5% ao ano, prazo de financiamento de 12 a 20 anos e carência do pagamento da amortização de 3 a 5 anos. A linha de crédito para armazenagem do Plano Safra atual, chamada PCA (Plano para Construção e Ampliação de Armazéns), tem taxa de juros de 7% a 8,50%, prazo de até 12 anos e carência de 3 anos.

Há estimativa de que seria preciso gastar R$ 15 bilhões por ano para corrigir a distância entre o crescimento da produção e o crescimento da capacidade de armazenagem, mas o Plano Safra disponibilizou R$ 6.6 bilhões para armazenagem em 2023/2024. São necessárias políticas públicas voltadas para o aumento da oferta da capacidade de armazéns, dentro e fora das propriedades rurais.

O eixo de infraestrutura do PAC (Plano de Aceleração de Crescimento) contemplou rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, mas não há qualquer menção aos armazéns, disse Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da CNA.

Os ganhos econômicos das fazendas com estrutura própria de armazenagem ficaram claros no estudo. Quase um quarto (24,20%) dos produtores disse ter aumentado a lucratividade entre 6% e 11%, comparando as vendas tardias com as da época da colheita:

É um ganho muito significativo, porque quando se fala de commodity, produto de menor valor agregado, o sistema de transporte é predominantemente rodoviário, o que resulta em custos de transportes elevados, já que são percorridas grandes distâncias até o porto. Para quem tem o armazém na propriedade, se abre uma janela de oportunidade. Por que o produtor vai escoar a soja e o milho no pico da safra, por exemplo, se pode fazer posteriormente, quando o frete é menor e o preço do grão mais atrativo?

Entre os 39% de produtores que têm armazenagem da propriedade, a maioria (74,80%) indicou a estratégia de comercialização como fator determinante para a decisão de estruturar seus próprios armazéns. Foram citadas também vantagens como redução do custo com serviços de terceiros e garantia da qualidade dos produtos, evitando os riscos de guardar os grãos a céu aberto.

Entre os principais desafios na gestão dos armazéns, foram citados falta de mão de obra qualificada, alto custo da estrutura, controle de pragas e risco de roubos, especialmente nas propriedades mais remotas.

https://www.cnabrasil.org.br/storage/arquivos/Relato_rio-Armazenagem-_PARTE01_CAP-01-AO-05_compressed-1.pdf

Fonte: Senar
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