ONG Banco de Alimentos celebra Dia Mundial da Alimentação chamando atenção para desperdício

Erradicação da fome é responsabilidade de todos, considerando que, hoje, mais de 52 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar, sem acesso diário à comida de qualidade e quantidade necessária. Foto: Divulgação

A erradicação da fome é responsabilidade de todos. Atualmente, mais de 52 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar, sem acesso diário à comida de qualidade e na quantidade necessária. Apesar dos avanços das políticas públicas, 7,2 milhões de brasileiros ficam o dia inteiro sem comer por falta de dinheiro, ou seja, estão no estado de insegurança alimentar grave (IBGE, 2014).

Para ter uma vida ativa e saudável, a recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) é que a pessoa acima de 12 anos coma, pelo menos, 2,2 mil calorias por dia.

A associação civil ONG Banco de Alimentos recolhe alimentos excedentes de produção e de comercialização e leva para onde falta. Ao abraçar essa causa, em 1998, a economista Luciana Quintão desenvolveu um método que se tornou referência para a criação de novas organizações.

O trabalho consiste em uma cadeia de valor com três pilares:

  • alimenta – colheita urbana, que busca alimentos onde sobra e leva para onde falta;
  • educa – ações educacionais e profiláticas, voltadas às comunidades atendidas em parceria com faculdades de nutrição;
  • conscientiza: conscientização sobre a fome e o desperdício na sociedade – disseminando informações para promover uma mudança social e o exercício pleno da cidadania consciente e incentivando o fim da cultura do desperdício.

Com a ação da ONG, cerca de 50 toneladas por mês de alimentos que seriam descartados, perfeitos para o consumo, transformam-se em complementação alimentar diária – saudável, equilibrada e em quantidade suficiente – para mais de 20 mil pessoas de 45 instituições cadastradas, entre crianças, jovens, adultos e idosos.

3º MAIOR PRODUTOR 

“O Brasil passou recentemente de quarto para terceiro maior produtor de alimentos do mundo. É inadmissível termos 52 milhões de pessoas que vivem em insegurança alimentar. Mudar isso está em nossas mãos. Cabe a nós honrar esse país e alimentar essas pessoas. Um prato de comida pode mudar uma vida, é mais do que saúde, é vontade de viver. As nossas sementes frutificaram. Mais de 10 milhões de pratos de comida complementados nesses anos todos”, afirma Luciana.

Instituído pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Dia Mundial da Alimentação é celebrado em 16 de outubro em mais de 150 países com atividades relacionadas à nutrição e à alimentação.

Os eventos promovem conscientização e ação global para aqueles que sofrem com a fome e a necessidade de garantir a segurança alimentar e dietas nutritivas para todos. O Dia Mundial da Alimentação é também uma oportunidade para demonstrar o compromisso com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 – Alcançar a Meta do #FomeZero em 2030.

Luciana Quintão, presidente da ONG Banco de Alimentos que, em 2018, celebra seu 20º aniversário mostrando para o mundo que é possível minimizar os efeitos da fome e combater o desperdício de alimentos. Foto: Divulgação

CONSCIENTIZAÇÃO

Passar informações, valorizar e fortalecer a cultura alimentar brasileira, conscientizar as pessoas sobre a importância de consumir alimentos regionais e na época correta é também uma das missões do Banco de Alimentos.

Com o evento “5 renomados chefs de cozinha, 5 regiões do País e 5 alimentos regionais”, realizado em São Paulo, no dia cinco de outubro, a ONG mostrou a riqueza da gastronomia e o potencial nutritivo que os alimentos de diversas regiões do país podem oferecer.

“Alimentação não é apenas a ingestão de nutrientes. É estar em família, é amor, bem-estar, cultura e lembranças. Como o Brasil tem dimensões continentais, acabamos não conhecendo todo o potencial nutritivo que os alimentos brasileiros podem nos oferecer”, afirma Natália Rodrigues, nutricionista da ONG.

Promover a saúde por meio do combate à má nutrição é tarefa diária de todos que trabalham na ONG Banco de Alimentos. “Nós, que moramos em São Paulo, somos privilegiados porque temos condições de experimentar alimentos muito diferentes”, diz Natália.

Participaram do evento os chefs Cássio Prados (Região Sudeste), Fernando Mack (Região Centro-Oeste), Raul Godoy (Região Norte), Madu Melo (Região Nordeste) e Marcos Livi (Região Sul).

SLOGAN 

Com o slogan “Valorize suas raízes”, Madu Melo falou das propriedades nutritivas da mandioca, do cacau, do feijão verde, da palma e da carne de cabrito/bode.

“É hora de quebrar paradigmas. Não tem sentido pagar uma fortuna por escargots e não comer palma. O cabrito é considerado o melhor amigo do sertanejo. Sua carne tem baixo teor de gordura saturada e de calorias, mas tem sabor e nutrientes. E a mandioca é a rainha do Brasil”, explicou Madu.

O chef gaúcho Marcos Livi falou das pesquisas realizadas pela Embrapa no Sul. “Temos identificados 600 tipos de pimentas, 300 espécies de abóbora, do arroz cachinho produzido em Sentinela do Sul e dos butiás, semente de palmeiras usada em várias preparações. O projeto Guardiões das Sementes Crioulas busca preservar as práticas agroecológicas tradicionais”, afirma Marcos.

Fernando Mack morou em vários Estados do Brasil, até fixar residência em Cuiabá (MT): “A Região Centro-Oeste tem três biomas distintos. No cerrado tem floradas de mel o ano inteiro e frutas como peras, mangaba, cerejas do cerrado, baru e outras. Várias espécies de pequi de tamanho e sabor diferente”.

Segundo ele, as pessoas só aproveitam a polpa e jogam fora a casca e a castanha, provavelmente as partes mais nobres: “Existem empresas exportando o ouriço para os Estados Unidos e processando a castanha que é vendida muito cara no Mercado de Pinheiros, em São Paulo. Toda essa riqueza vai para o lixo”.

BIODIVERSIDADE 

Para Raul Godoy, o Brasil tem a maior biodiversidade do mundo e a Região Norte, principalmente a Amazônia, talvez abrigue o melhor exemplo disto.

“No nosso restaurante (Bio-Comer Saudável), assumimos o compromisso de evitar o desperdício. Reduzimos substancialmente o lixo e tudo é comestível. Precisamos aprender com os indígenas da Região Norte, que não conhecem a abundância. Eles pescam um pirarucu de 200 quilos, colocam na brasa e consomem tudo. O que, por acaso, sobra, salgam com sal de pedra, secam e vira farinha (piracui). O açaí é um fruto muito saudável, que ficou conhecido fora do Brasil, e agora estamos aprendendo a processar”, relata Godoy.

Para mais informações, acesse www.bancodealimentos.org.br.

EDIÇÃO ESPECIAL D’A LAVOURA

A edição nº 711 também deu sua contribuição ao publicar reportagens sobre o cenário das perdas e desperdícios de alimentos no Brasil e no mundo. O acesso online e gratuito está disponível em https://issuu.com/sociedadenacionaldeagricultura/docs/a_lavoura_711.

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Fonte: ONG Banco de Alimentos com edição d’A Lavoura

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