Mato Grosso tem déficit de armazenagem de 21 milhões de toneladas

A armazenagem é um ponto estratégico na agricultura de Mato Grosso. A produção de soja e milho no estado foi estimada em 55 milhões de toneladas, mas a capacidade de armazenagem é de 33.4 milhões de toneladas. Por causa deste déficit, a comissão de Política Agrícola da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) elegeu o tema como foco de trabalho este ano.

“Os produtores e o governo precisam atentar para isso, pois é estratégico. Os modais logísticos do estado estão invertendo para os portos de Arco Norte, mas se não tivermos estocagem aqui onde os grãos são produzidos, isso terá um efeito parcial”, disse Emerson Zancanaro, vice-diretor Norte da Aprosoja e coordenador da comissão de Política Agrícola.

Os investimentos em armazenagem deverão melhorar a rentabilidade do produtor rural, pois ele poderá aproveitar preços mais baixos do frete fora do pico de safra. Além disso, poderá ser o detentor de garantias bancárias para penhor e aproveitar melhores preços de venda da produção. Existe ainda uma unanimidade quanto à necessidade de solicitar a readequação dos juros do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para 6% a.a., assim como desburocratizar os processos de acesso ao crédito junto aos bancos.

Durante reunião da comissão de Política Agrícola, na terça-feira (7), também foi apresentado o resultado da pesquisa realizada com os associados para conhecer as demandas ao Plano Safra 2017/18. Entre as reclamações, está o excesso de garantias pedidas pelos bancos para custeio.

“As exigências são muito grandes perto do que se capta de recurso. Sempre foi comum fazer penhor de safra e, atualmente se pede garantia hipotecária, o que está impedindo o acesso do produtor ao crédito para o custeio”, disse Frederico Azevedo, coordenador da comissão de Política Agrícola da Aprosoja. Ele ressalta que, além de dificultar o acesso ao crédito, as exigências forçam o aumento as operações de troca ao invés das relações bancárias.

A alta reciprocidade, quando as instituições financeiras vinculam o custeio à compra de títulos de capitalização, seguro rural, consórcio ou outra aplicação financeira, também foi apontada como problema pelos associados. Como propostas para o plano, a Aprosoja irá solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a redução da taxa de juros do custeio de 9,5% para 7,5%, e a implantação de custeios rotativos e da hipoteca abrangente de forma efetiva, como forma de baratear o custo de captação dos recursos.

Também foram traçadas três prioridades em relação às linhas de investimento: o Plano ABC, o PCA e o Moderinfra. Todos os pontos serão validados na próxima semana, durante reunião de diretoria da Aprosoja, e apresentados à Câmara de Crédito do Mapa.

Ainda durante a reunião da comissão, foi debatida a situação das reformas tributária e previdenciária, que estão em discussão em nível nacional. De acordo com os participantes, as modificações podem impactar na rentabilidade do produtor, com o aumento da tributação, o que pode ser altamente prejudicial à produção agrícola brasileira.

 

Fonte: Só Notícias/Agronotícias

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp