Jornal do Commercio: Austeridade, eficiência e foco no agronegócio

Por Antonio Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional de Agricultura//

 

Qualquer pessoa razoavelmente esclarecida sabe que a atual crise econômica foi construída pelo governo, nos últimos anos, de forma quase irresponsável. O inchaço da máquina pública, os inúmeros programas sociais, as casuísticas desonerações fiscais e os empréstimos subsidiados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) integram esse trágico enredo, que colocou o País em humilhante posição perante seus pares.

“Não há almoço grátis”, como costumam dizer os economistas. Estamos pagando pelos desatinos de uma equivocada política econômica “desenvolvimentista e social”.

Nossos indicadores de crescimento (negativo), desemprego, inflação, déficit público, dívida pública e juros são os piores do planeta. As perspectivas são totalmente desanimadoras.

Temos de enfrentar essa crise com austeridade e eficiência. A sociedade não aceitará a solução fácil da criação de novos impostos. Nossa carga tributária já supera incríveis 36 % do PIB (Produto Interno Bruto),uma das maiores do planeta, e sufoca o desenvolvimento do setor privado.

Vamos dar um basta na verdadeira farra que se transformaram os programas sociais do Bolsa Família,Fies, Pronatec, Minha Casa e inúmeros outros.Vamos acabar com os privilégios de determinadas categorias e feudos, típicos de um estado patrimonialista,que distorcem o funcionamento da economia e estão sugando os escassos recursos da nação, deixando-a em estado de grande fragilidade.

Não há outro caminho,chega de mágicas. Já aprendemos que políticas econômicas heterodoxas não funcionam, conseguem apenas postergar determinados efeitos da crise econômica,que inevitavelmente vão ressurgir de forma mais aguda.

O governo precisa fazer seu dever de casa e construir um programa consistente e confiável, que possa superar os atuais entraves políticos e reverter as expectativas negativas do mercado.

Uma vez equacionado o ajuste fiscal, o crescimento econômico virá impulsionado principalmente pelo mercado externo, com o avanço das exportações, onde o agronegócio tem sido protagonista.

Em 2015, por exemplo, o setor exportou US$ 88 bilhões e gerou um saldo positivo na balança comercial do agro de U$ 75 bilhões. Tal resultado foi obtido apesar da significativa queda nas cotações internacionais, parcialmente compensada pelo aumento do volume exportado.

O Brasil tem condições de exportar mais e melhor produtos do agronegócio. As expectativas para os próximos anos são animadoras, tendo em vista os avanços obtidos pela ministra Kátia Abreu para conquistar novos mercados e superar barreiras sanitárias, comerciais e tarifárias de alguns dos mais importantes países importadores de alimentos. É o caso da China,Rússia, Japão, Estados Unidos e países árabes, que abriram novas perspectivas para nossas exportações de carnes, leite e derivados.

Devemos aproveitar as vantagens competitivas de nossa agropecuária e ampliar as xportações de produtos com maior valor agregado, proporcionando condições para o desenvolvimento de uma robusta agroindústria, capaz de gerar mais empregos e riquezas para o país.

Precisamos ajustar nossa economia e colocar o País em uma trajetória de crescimento sustentável. O bom senso econômico sugere que se dê prioridade ao desenvolvimento do agronegócio, onde temos eficiência e competitividade comprovadas. Vamos arregaçar as mangas, superar as divergências políticas e unir esforços para construir, em bases
sustentáveis, uma nação próspera e democrática.

 

Fonte: Jornal do Commercio, 15/03/16

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