Governo planeja zerar tarifa para importar alimentos

Preocupado com o efeito do aumento de preços dos alimentos na popularidade do presidente Jair Bolsonaro, o governo quer zerar as tarifas de importação de alguns itens da cesta básica para facilitar a entrada dos produtos estrangeiros.

Ao falar recentemente sobre a variação do preço do arroz, que disparou nas últimas semanas, com o pacote de cinco quilos chegando a custar R$ 40,00 em alguns sites (normalmente, é vendido a cerca de R$ 15,00), Bolsonaro disse que o governo prepara medidas para encarar a inflação dos alimentos e “dar uma resposta a esses preços que dispararam nos supermercados”.

No Palácio do Planalto foi instalado um gabinete para informar o presidente sobre a variação dos preços dos produtos. Esse trabalho já estava sendo feito pelos Ministérios da Economia e da Agricultura, mas Bolsonaro pediu para acompanhar mais de perto as oscilações dos preços, já que é cobrado pela rede de informações, principalmente nos grupos de WhatsApp.

O aumento das importações de alimentos por parte da China e a desvalorização do real encareceram os produtos básicos no País, e levou também a uma queda de braço entre os supermercadistas e a indústria de alimentos sobre o repasse do aumento de custos para os consumidores.

A alta acontece justamente no momento em que o auxílio emergencial, pago a desempregados e trabalhadores informais e responsável pelo aumento da popularidade do presidente durante a pandemia, foi reduzido à metade, de R$ 600,00 para R$ 300,00.

Bolsonaro disse que, embora tenha preocupação, não vai “dar canetada”, no sentido de uma intervenção nos preços. Ele afirmou que no seu governo “não há fiscal do Sarney, porque isso não deu certo no passado e não daria agora”.

Em 1983, o governo Sarney congelou os preços e passou a divulgar a “tabela da Sunab”, publicada nos jornais e fixada nos supermercados, mostrando quanto cada coisa deveria custar. Bolsonaro lembrou que, já no governo dele, houve problemas com o preço da carne, mas que, depois, as coisas se acertaram.

“Tenho apelado para eles (donos de supermercados). Ninguém vai usar a caneta Bic para tabelar nada, não existe tabelamento, mas peço a eles que o lucro desses produtos essenciais nos supermercados seja próximo de zero. Acredito que nova safra começa a ser colhida em dezembro, janeiro, de arroz em especial. A tendência é normalizar o preço”, disse o presidente em vídeo postado nas redes sociais.

 

Fonte: Estadão Conteúdo

Equipe SNA

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