Gargalos à vista no escoamento de açúcar para exportação

Usinas e tradings de açúcar estão preocupadas com os possíveis gargalos no escoamento da safra atual para o exterior nos próximos meses. Esse receio não é fruto do tamanho da produção esperada pelas usinas, que não deve ser muito diferente da registrada na última safra, mas da concorrência com a enxurrada de grãos atualmente represada pelos agricultores em virtude dos baixos preços.

Além de boa parte dos produtores de soja estar segurando a comercialização de soja por causa do mercado adverso, em cerca de um mês começa a ser colhida uma volumosa safrinha de milho, com boa parte destinada à exportação. No ano passado, apesar da produção recorde de 35,6 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul, não houve gargalos, em parte graças à quebra da safrinha de milho.

“Como o ritmo da produção de açúcar está mais lento este ano, uma vez que as usinas estão demorando mais para processar cana do que no último ciclo, é possível que o período crítico para o escoamento comece no fim de maio ou em junho”, disse Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow.

Isso também vai depender de quando os produtores de grãos vão acelerar a comercialização de seus produtos. “Quanto mais demorar a exportar soja, maior a possibilidade de o escoamento encavalar com o da safra de açúcar”, disse Akamine.

Nesse contexto, a expectativa é de aumento no custo com caminhões para transportar açúcar. Danilo Caprara, trader da Olam International, acredita que as usinas poderão pagar mais pelo frete, mas afirma que esse será um problema “pontual, no pico da safra”.

Segundo Akamine, da Czarnikow, por enquanto os preços do frete de açúcar não subiram de forma expressiva, “porque a safra ainda não começou a ser escoada fortemente”.

Já há quem esteja se precavendo contra eventuais gargalos. A usina Alta Mogiana, por exemplo, decidiu antecipar em um mês a contratação das transportadoras que levarão seu açúcar até os portos. Mas o valor do frete já foi um pouco superior ao do ano passado, disse Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial da companhia.

Trader da Sucden, Eduardo Sia não descarta possíveis congestionamentos de caminhões nos portos, o que pode gerar custo com estadia dos veículos. Ele pondera que a demanda por açúcar costuma “vir bem distribuída”, o que ajuda a não congestionar os portos.

Na última semana, houve um grande aumento da fila de navios que esperam para carregar açúcar nos portos, mas a quantidade é considerada dentro do normal. Na quarta-feira passada (26 fde abril), haviam 42 navios na fila, oito a mais do que uma semana antes, segundo a agência marítima Williams Brazil.

A capacidade dos portos não preocupam, até porque, neste ano, o mercado de açúcar ganhou uma nova via portuária. A VLI vai inaugurar na sexta-feira sua nova estrutura no porto de Santos, que inclui um berço de atracação de navios com capacidade para embarcar 4.5 milhões de toneladas de açúcar por ano.

 

Fonte: Valor Econômico

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