Economia da China reflete tensão crescente com tsunami do Covid

A economia da China continuou a desacelerar em dezembro. Em meio a um grande surto de Covid-19 espalhado por todo o país, a atividade registra queda, na medida em que mais pessoas ficam em casa para tentar evitar a doença ou mesmo se recuperar da infecção.

O índice da Bloomberg, que agrega oito indicadores antecedentes, mostrou uma contração na atividade em dezembro, depois de um ritmo fraco registrado novembro. E as perspectivas são sombrias para o ano novo.

Embora não haja dados confiáveis sobre a extensão da propagação do vírus ou o número de infectados e mortos neste momento, a epidemia atingiu todas as províncias antes do final dos testes ostensivos e regulares. O cancelamento de quase todas as restrições domésticas agora significa que o vírus pode circular livremente pelo país.

Mesmo antes de as restrições à circulação serem suspensas, a economia da China estava lutando contra uma queda nos gastos do consumidor, enquanto a produção industrial crescia no ritmo mais lento desde os bloqueios da primavera.

Serviços

A situação foi ainda pior para lojas e restaurantes em Pequim do que no restante do país. As vendas no varejo da cidade caíram quase 18% em novembro devido ao aumento de casos e restrições na capital.

No entanto, embora as pessoas agora estejam livres para se movimentar, houve pouca recuperação no movimento até agora este mês, segundo dados de alta frequência sobre o uso do metrô e das estradas.

As 3.6 milhões de viagens realizadas no metro de Pequim quinta-feira passada ficaram 70% abaixo do nível do mesmo dia de 2019, e o tráfego nas ruas da cidade foi de apenas 30% do nível em janeiro de 2021, segundo a BloombergNEF. Outras grandes cidades, como Chongqing, Guangzhou, Xangai, Tianjin e Wuhan, estão registrando uma queda semelhante.

Vendas

Isso parece estar afetando as vendas de casas e carros, que caíram nas primeiras semanas deste mês. Vendas de carros foram um ponto positivo para os gastos do consumidor este ano, apoiados por subsídios do governo, mas começaram a cair no mês passado com a retração dos consumidores.

Isso, por sua vez, afetou a produção industrial. A produção de carros caiu pela primeira vez desde maio, quando muitas fábricas foram forçadas a fechar.

No entanto, ao contrário da primavera, quando foi a política do “Covid-zero” que causou escassez de autopeças e fechou algumas fábricas, agora é o próprio vírus que está afetando a produção, com as empresas tendo que lidar com mais trabalhadores doentes.

Mercados

A disseminação do vírus na China minou a euforia inicial observada nos mercados de ações e commodities com a reabertura da economia. O Índice Composto de Xangai caiu perto do nível em que estava pouco antes de as autoridades começarem a relaxar as restrições em 11 de novembro e recuou nas últimas duas semanas.

O preço do minério de ferro também registrou uma queda semanal modesta, já que um aumento nos casos de Covid obscureceu as perspectivas de demanda de curto prazo e minou o efeito dos recentes anúncios de apoio ao setor imobiliário.

As siderúrgicas chinesas estão atualmente reduzindo a produção, indicou a Guangfa Futures em nota, com dados de uma associação da indústria, mostrando queda na produção e aumento dos estoques no meio deste mês.

A queda nos mercados reflete a piora da confiança entre as pequenas empresas, que estava em território contracionista pelo terceiro mês consecutivo em dezembro, segundo o Standard Chartered Plc. Embora tenha havido uma pequena melhora em relação a novembro, os principais índices ainda mostram que as empresas menores não estão otimistas com a situação atual ou com o futuro.

O setor manufatureiro registrou alguma melhora, com aumento de novos pedidos, vendas e produção a partir de novembro, “provavelmente refletindo o impacto positivo do relaxamento do controle do Covid”, relataram os economistas do banco Hunter Chan e Ding Shuang, no relatório.

Pequenas e médias empresas

No entanto, “as PMEs (pequenas e médias empresas) de serviços continuaram a enfrentar ventos contrários devido ao fraco sentimento do consumidor em meio ao aumento de casos de Covid”, informaram os analistas em um relatório na semana passada.

Há poucas boas notícias para as empresas chinesas no exterior, com a queda no comércio global se estendendo até dezembro, segundo os primeiros dados coreanos. Isso significa que as exportações da China podem cair pelo terceiro mês consecutivo.

A queda de quase 27% nas exportações coreanas para a China nos primeiros 20 dias deste mês mostra a fraqueza da demanda chinesa por semicondutores, que vem caindo devido a uma queda na demanda doméstica e externa por smartphones e outros dispositivos.

Fonte: Bloomberg
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