Dólar fecha em alta com a disputa pela definição da Ptax

O dólar encerrou a quinta-feira em alta no Brasil, chegando a oscilar R$ 0,10 durante o dia, com as cotações refletindo a disputa de investidores pela formação da Ptax, as preocupações do mercado com o Orçamento do governo e a alta da moeda norte-americana no exterior.

O dólar fechou o dia cotado a R$ 4,9510 para a venda, em alta de 1,68%. Foi a maior alta desde 3 de agosto, quando subiu 1,97%.

Na B3, às 17h16 (Horário de Brasília), o primeiro vencimento do contrato futuro do dólar estava em alta de 0,59%, cotado a R$ 4,9220.

A divisa dos EUA oscilou em alta durante praticamente toda a sessão. Pela manhã, parte do impulso foi dado pela atuação de investidores comprados interessados na formação da Ptax.

A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista e que serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Além da Ptax, as cotações reagiam a alguns dados econômicos que deram força à moeda norte-americana. Os gastos dos consumidores, que representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, aumentaram 0,80% no mês passado, informou o Departamento de Comércio. A estimativa dos economistas era de 0,70%.

Por outro lado, a inflação medida pelo índice de preços de PCE subiu 0,20% no mês passado, repetindo a taxa mensal de junho.

Assim, o Dólar Índice estava em alta firme, o que contribuía para o movimento também no mercado brasileiro.

Com a determinação da Ptax de fim de mês, perto das 13h, o dólar ficou mais livre para oscilar no Brasil. Mas a divisa dos EUA seguiu em alta, com investidores demonstrando cautela com a proposta do governo para o Orçamento de 2024.

Em entrevista coletiva no início da tarde, os Ministros do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e da Fazenda, Fernando Haddad, confirmaram a meta fiscal de resultado primário zero para o próximo ano, um objetivo visto por economistas do mercado financeiro como difícil de ser alcançado.

Além disso, o Orçamento para 2024 traz uma ampliação de gastos de R$ 129 bilhões em relação a este ano. Para cumprir a meta de primário zero, o Projeto estabelece um aumento de R$ 168 bilhões em arrecadação, incluindo receitas ainda não aprovadas.

“Eles vão lutar para atingir a meta zero, mas terão que buscar outras fontes de receita”, disse Evandro Caciano, chefe de câmbio da Trace Finance. “Por isso, depois da Ptax o fiscal passou a comandar. Houve um movimento de compra de proteção, com o investidor estrangeiro comprando moeda. O estrangeiro está se protegendo”, disse.

Durante o dia, chamou a atenção a oscilação do dólar, próxima de R$ 0,10, algo incomum para uma única sessão. Na cotação mínima, às 9h33, a moeda à vista marcou foi cotada a R$ 4,8650. Na máxima, registrada às 12h07, o dólar foi cotado a R$ 4,9600.

No exterior, as 17h16 (Horário de Brasília), o Dólar Índice estava em alta de 0,50%, cotado aos 103.630 pontos.

Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados para a rolagem do vencimento de outubro.

Fonte: Reuters
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