Demanda global de leite deve crescer, mas Brasil perde em competitividade

Estudo da Tetra Pak mostra que consumo leiteiro aumentará 36% nos próximos dez anos; representantes do setor estimam avanço de produção no País e preços mais baixos no curto prazo
Estudo da Tetra Pak mostra que consumo leiteiro aumentará 36% nos próximos dez anos; representantes do setor estimam avanço de produção no País e preços mais baixos no curto prazo

Com alta de 16,5% nos índices de captação de leite para agosto, no comparativo anual, os preços pagos ao produtor seguem em queda. Em contrapartida, analistas estimam aumento no consumo leiteiro em nível global nos próximos anos e o País perde em competitividade, tanto que ainda está na posição de importador.

“Compramos cerca de um bilhão de litros de leite e vendemos em torno de 500 milhões. Não temos capacidade de exportar mais porque países como Estados Unidos e da União Europeia (UE) subsidiam os produtores para exportação. Assim, somos menos competitivos e a maior parte de nossas vendas externas vai para a América Latina”, explica o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez.

O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, disse ao DCI que os preços no mercado internacional caíram substancialmente, dificultando as vendas externas.

LÁ FORA

O principal produto exportado pelo Brasil é o leite em pó, cerca de 74% das exportações. No mercado internacional está havendo desvalorizações desde o início do ano, pois a União Europeia e a Nova Zelândia também aumentaram a produção.

“A Rússia embargou a importação dos EUA, União Europeia e Austrália de leite em pó, e esse leite que seria destinado à produção de queijos, acabou sendo direcionado para produção de leite em pó. Ou seja, está ‘sobrando’ leite no mercado mundial também. Como os preços no mercado interno ainda estão em patamares elevados, este é mais um motivo que mostra a falta de competitividade do Brasil lá fora”, completa o analista de mercado da equipe Leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Wagner Yanaguizawa.

Neste cenário, na próxima década, o consumo global de lácteos deve ultrapassar a oferta disponível pela primeira vez na história. Levantamento da Tetra Pak revela que a expectativa é de expansão de 36% até 2024, principalmente em razão do aumento da população, do maior poder aquisitivo e da urbanização na África, na Ásia e na América Latina.

MERCADO DOMÉSTICO

“Houve uma estiagem tremenda em diversas regiões que subiu os custos de produção. A captação aumentou e os preços vêm caindo, assim a conta não fecha. Esperamos que este processo pare e que a demanda interna aumente”, afirma Alvim, da CNA.

Na avaliação do analista do Cepea, este cenário deve se manter, principalmente, porque com a chegada das chuvas a oferta de leite aumenta e, consequentemente, a captação. Logo, os preços devem seguir caindo. Problemas na adulteração do leite por parte dos laticínios no Rio Grande do Sul, fizeram com que o leite de lá que vem ao mercado de São Paulo chegasse com preços abaixo do mercado local, “com isso as empresas paulistas tiveram que dar uma queda nos preços para conseguirem escoar a produção também”, diz Yanaguizawa.

Pelo lado da demanda, com o final do ano e início das férias escolares a disponibilidade de leite no mercado deve aumentar, mais um fator que ajudará na derrubada dos preços, a sazonalidade.

“Além disso, algumas indústrias estão recebendo uma notificação sobre uma taxa que passará a ser cobrada a partir de outubro. Não sabemos ao certo o que é, mas sabemos que se isso acontecer vai ser ainda pior para o produtor, que terá menor rentabilidade”, ressalta Jorge Rubez.

Fonte: DCI

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