CNC : Boletim Conjuntural do Mercado de Café – janeiro 2015

As condições climáticas e as incertezas quanto ao tamanho e à qualidade da colheita 2015 de café do Brasil mantiveram a volatilidade elevada no mercado futuro do café arábica no primeiro mês do ano. Embora dezembro e janeiro tenham sido bastante secos e com temperaturas muito elevadas nas principais origens nacionais, repetindo o cenário observado nos mesmos meses de 2013 e 2014, as cotações do Contrato C, negociado na Bolsa de Nova York, acumularam queda.

Conforme ilustrado no gráfico 2 (“Contrato C – Nova York”), durante a primeira quinzena de janeiro, os preços futuros do arábica seguiram tendência de alta, motivada pela perspectiva de precipitações bem abaixo dos níveis históricos nos principais estados produtores do Brasil. É importante ressaltar que a restrição de umidade é crítica para o desenvolvimento dos internódios das plantas e para a atual fase de granação do café que será colhido nos próximos meses. No entanto, o rompimento do bloqueio atmosférico, que impedia a formação de chuvas sobre o Sudeste no Brasil, motivou movimentos especulativos de curto prazo, com o único objetivo de realização de lucros, pressionando os preços internacionais da commodity até o final do mês.

A pressão baixista pode ser considerada descolada da realidade produtiva do campo, uma vez que as recentes chuvas não têm sido generalizadas, nem abundantes, e as lavouras acumulam estresse desde a estiagem prolongada de 2014, que impediu a realização de tratos culturais adequados e motivou podas drásticas em muitas localidades. Além disso, ao contrário do observado na temporada anterior, neste ano a safra brasileira de conilon também sofrerá significativas perdas, pois o Espírito Santo é o estado da região Sudeste em situação mais crítica devido à falta de chuvas, conforme dados do Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo).

A tendência de redução das colheitas ocorre concomitantemente à elevação dos volumes exportados de café, resultando em significativo encolhimento dos estoques, ou seja, em um quadro de aperto de oferta. Em 2014, as exportações brasileiras totais de café (verde e industrializado) atingiram 36.74 milhões de sacas, volume recorde e 14,8% superior ao de 2013, segundo informações do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (DCAF/MAPA).

Coerente a esse cenário, a INTL FCStone reconheceu que o recente período chuvoso no Brasil não deve resultar em melhora significativa do quadro de aperto da oferta de café, que vem sendo carregado por duas safras, dado que as perdas na produção nacional não permitirão a formação de estoques locais. A consultoria informou que, mesmo quando se consideram as projeções de safras mais otimistas para 2015/16, “claramente a situação não parece tranquila”.

Entretanto, o comportamento dos fundos que operam no mercado futuro e de opções de café arábica da Bolsa de Nova York não refletiu essa realidade, uma vez que houve tendência de aumento das posições vendidas e de encolhimento das posições compradas até o final do mês, repercutindo na queda das cotações do Contrato C em janeiro.

No acumulado do mês, o vencimento março do Contrato C da ICE Futures US registrou queda de 470 pontos, sendo cotado a US$ 1,619 a libra-peso no último pregão de janeiro. A cotação média mensal, de US$ 1,69, foi 44% superior à do mesmo período de 2014. Já os estoques certificados de café da Bolsa de Nova York apresentaram redução de 45.600 sacas, encerrando o mês em 2.27 milhões de sacas. Em relação ao volume registrado no mesmo período do ano anterior, de 2.66 milhões de sacas, houve redução de 14,7%.

Por outro lado, o mercado futuro da variedade robusta registrou discreta valorização em janeiro. O vencimento março/2015 acumulou alta de US$ 9,00 sendo cotado a US$ 1.925,00 a tonelada no último dia do mês. A cotação média mensal, de US$ 1.956,00 a tonelada foi 14% superior à de janeiro de 2014. Os estoques certificados de robusta monitorados pela ICE Futures Europe consolidam sua tendência de recomposição, encerrando janeiro em aproximadamente 2.35 milhões de sacas, volume cinco vezes superior ao contabilizado no mesmo período do ano passado.

Em relação ao mercado internacional do café robusta, é válido comentar o expressivo aumento das exportações do Vietnã em 2014, mostrando que os preços valorizados também estimularam maiores embarques do país asiático. Dados do Escritório Geral de Estatísticas (GSO, em inglês) informam que as exportações atingiram o equivalente a 27.3 milhões de sacas de 60 kg no ano passado, volume 25% superior ao de 2013. A receita gerada foi de US$ 3.45 bilhões, 26% maior que os US$ 2.74 bilhões alcançados no período anterior.
Em consequência da depreciação das cotações do arábica e da valorização das do café robusta, houve tendência de estreitamento da arbitragem entre os terminais de Nova York e Londres, que encerrou o mês próxima a US$ 0,75.

No mercado cambial brasileiro, o dólar apresentou tendência de enfraquecimento durante quase todo o mês, mas, no último pregão de janeiro, apresentou forte valorização, anulando as perdas do período e resultando em alta mensal de 1,28%. Em 30 de janeiro foram divulgadas estatísticas prévias do governo norte-americano que indicam crescimento de 2,4% da economia dos Estados Unidos em 2014, consolidando sua tendência de recuperação, embora os resultados do quarto trimestre tenham ficado aquém do esperado. Esse fato, aliado às especulações quanto ao programa de intervenção do Banco Central do Brasil no mercado de câmbio, resultou no fortalecimento do dólar na última sessão do mês, quando foi cotado a R$ 2,6894.

No mercado físico brasileiro, os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) para as variedades arábica e conilon encerraram janeiro em tendências opostas, com variações acumuladas de, respectivamente, -1,6% e 6%. A valorização do real em período concomitante à queda das cotações externas do café arábica potencializou as perdas no mercado doméstico. Com isso, houve estreitamento no diferencial entre as variedades, que saltou de R$ 182,00/saca no início do ano e encerrou janeiro em R$ 156,00/saca.

Por fim, no dia 23 de janeiro foram publicados dois normativos de grande interesse para a cafeicultura. As Portarias Nº 11 e Nº 12 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento declararam estado de emergência sanitária para a broca do café em São Paulo e Espírito Santo, respectivamente. A partir dessas publicações, o Mapa fica autorizado a anunciar a permissão, em caráter emergencial, do uso de produtos substitutos ao Endosulfan no combate à broca do café nesses Estados.

Fonte: Conselho Nacional do Café

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