China amplia pressão sobre commodities

As turbulências no mercado financeiro chinês se somaram a movimentos derivados da valorização do dólar e aumentaram a pressão especulativa sobre as principais commodities agrícolas negociadas nas bolsas de Chicago (soja, milho e trigo) e Nova York (açúcar, café, cacau, suco de laranja e algodão) em agosto. E, conforme cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega desses produtos, apenas café e suco encerraram o mês com cotações superiores às de julho.

O sentimento de aversão ao risco que voltou a se espalhar entre investidores a partir de meados do mês passado, quando tiveram início as desvalorizações mais expressivas da moeda chinesa e surgiram incertezas sobre o futuro da demanda do país, refletiu-se com todas as cores nos movimentos dos gestores de recursos (“managed money”). Conforme dados da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), no período entre os dias 19 e 25 as apostas ficaram mais “baixistas” nas duas principais bolsas dos EUA para seis dos oito produtos agrícolas citados – somente o açúcar e o algodão escaparam da tendência.

Em Chicago, o grão que mais caiu foi o milho. Também por conta da proximidade do início da colheita desta safra 2015/16 no Meio-Oeste americano, e apesar dos sinais de que a produtividade das lavouras poderá ser menor que a esperada, o preço médio do cereal em agosto foi 8,87% menor que em julho, mas 2,68% maior que o de agosto de 2014. Alternativa ao milho em alguns casos, o trigo encerrou o mês com baixas de 8,73% e 17,67% nas mesmas comparações.

Entre milho e trigo, o “fator China” pesa mais sobre o primeiro, já que o país asiático vinha ampliando as compras do produto no exterior nos últimos meses. Mas nada, proporcionalmente, como na soja, onde os chineses são responsáveis por mais de 60% das importações globais. Não por acaso – e apesar de os sinais disponíveis indicarem que a China não reduzirá suas compras -, no período até o dia 25 o saldo líquido comprado dos gestores caiu 96% em relação à semana anterior no mercado da soja em Chicago.

Conforme o Valor Data, nesse mercado a cotação média da segunda posição recuou 7,82% em relação a julho e foi 13,5% menor que a de agosto de 2014.

Em Nova York, a maior baixa verificada em agosto foi a do açúcar: 10,16% em relação a julho, para um valor médio 33,19% menor que em agosto do ano passado. E isso apesar da percepção de que a atual safra canavieira do Centro-Sul do Brasil (2015/16) será ainda mais “alcooleira” do que o esperado inicialmente.

No período de sete dias encerrado em 25 de agosto, o saldo líquido vendido dos gestores de recursos até caiu – mas apenas 0,8%, para 65.034 contratos. Se comparado com o saldo de 29 de julho, houve um aumento de 9% na aposta de queda das cotações.

Com o “empurrão” de um pessimismo maior dos gestores de recursos, a média dos papéis de segunda posição de entrega do cacau fechou o mês passado em queda de 5,37% em relação a julho, para um nível 3,54% mais baixo que em agosto de 2014. E o algodão, mesmo que o humor dos gestores tenha melhorado com o corte da previsão do USDA para a colheita no país, caiu 1,63% sobre julho, para um valor 1,24% inferior ao de agosto de 2014.

Na contramão, suco de laranja e café fecharam agosto com preços médios mais elevados que os de julho – 5,73% e 3,07%, respectivamente. O primeiro ancorado nos temores que cercam a safra no Brasil, e o segundo nas ameaças sanitárias que ainda pairam sobre os pomares de laranja da Flórida.

 

Fonte: Valor Econômico

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