Avanço da colheita de milho em Mato Grosso confirma quebra de produção

O avanço da colheita de milho em Mato Grosso, principal Estado produtor do País, consolida as previsões de baixas produtividades feitas mais cedo na temporada e apontam para resultados cada vez piores na medida em que as máquinas avançam.

Dados compilados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) a pedido da Reuters mostram que a produtividade média das lavouras colhidas na semana até 7 de julho ficou em 81 sacas de milho por hectare, ante um rendimento que chegou a superar 110 sacas na semana até 26 de maio.

Segundo o IMEA, as colheitadeiras têm registrado queda no rendimento médio das plantações semana após semana, desde o início de junho. Nesse período foram colhidas as lavouras que foram afetadas por uma forte estiagem no mês de abril.

“A expectativa agora é exatamente colher o milho que mais foi prejudicado por toda a situação de clima. O milho plantado mais tarde sofreu mais”, disse o superintendente do IMEA, Daniel Latorraca.

Relatório divulgado na sexta-feira pelo IMEA mostra que a área colhida em Mato Grosso já ultrapassa um terço do total plantado.

“Algumas lavouras vão ser colhidas apenas para não atrapalhar a próxima safra de soja. O que vai se colher paga apenas o diesel para rodar as máquinas”, disse o produtor rural Adelmo Zuanazzi, delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) em Sinop, no norte do Estado.

Na semana passada, o IMEA reduziu a previsão para a safra 2016 de milho do Estado em 1 milhão de toneladas, para 20.2 milhões de toneladas. Na comparação com 2015, a previsão é de uma quebra de 27% na produtividade.

A entidade, ligada aos produtores rurais, revelou que trabalha em um levantamento sobre as áreas que serão abandonadas, ou seja, foram plantadas, mas não serão colhidas.

Em outro relatório que citou as baixas produtividades do milho em Mato Grosso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu na quinta-feira sua previsão para a safra total do Brasil em 2015/16 para 69.14 milhões de toneladas contra 76.22 milhões de toneladas da previsão de junho.

As cotações do cereal na bolsa de Chicago reagiram imediatamente e chegaram a subir quase 2%.

O contrato mais negociado do milho em Chicago tocou nesta segunda-feira a maior cotação em 10 dias, impulsionado por clima menos favorável para lavouras norte-americanas e por aperto na oferta fora dos EUA, incluindo Brasil.

Qualidade e contratos

A região nordeste de Mato Grosso foi uma das mais prejudicadas, tendo quebra de mais de 50% nas produtividades na comparação com 2015.

“Na região, estão todos os sindicatos rurais pedindo situação de emergência. Nós estamos estimando que a produtividade chegue ao máximo 30 sacas por hectare na safra. O que iremos colher daqui para frente está pior ainda”, disse o presidente do Sindicato Rural de Canarana, Arlindo Cancian.

Segundo ele, dos lotes que estão sendo colhidos, muitos contêm grãos com baixa qualidade, o que deverá acarretar descontos na hora da comercialização.

Com mais de 65% da atual safra de Mato Grosso vendida antecipadamente, produtores com baixa produção podem também ter dificuldade de cumprir compromissos.

“Nessas regiões mais problemáticas, alguns produtores podem não conseguir colher o suficiente para cumprir todos os contratos”, disse Latorraca.

 

 

 

Fonte: Reuters

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