Armazenagem de grãos no Brasil terá destaque no Congresso Brasileiro de Soja

O Brasil tem capacidade para armazenar 160 das 230 milhões de toneladas de grãos produzidos na safra 2017/2018, o que revela uma defasagem em silos e armazéns. Somente a soja responde por 117 milhões de toneladas da produção brasileira.

Para debater os vários aspectos que envolvem a armazenagem de grãos, a Embrapa Soja promoverá um debate sobre o tema durante o VIII Congresso Brasileiro de Soja, a ser promovido de 11 a 14 de junho, no Centro de Convenções de Goiânia.

“Este ano, a defasagem na capacidade estática de armazenagem no Brasil foi amenizada, porque o valor da soja está competitivo e o produtor está comercializando mais rapidamente a produção. Este fato está facilitando o escoamento da safra e reduzindo o período de armazenagem”, disse o pesquisador da Embrapa Soja, Irineu Lorini.

O painel sobre armazenagem contará com uma palestra sobre como o setor produtivo está utilizando a automação dos processos para otimizar a logística de armazenagem e garantir maior qualidade aos produtos. O tema será ministrado pelo representante da cooperativa Comigo, Paulo Carneiro Junqueira.

Outra palestra irá abordar o uso industrial da soja, e será ministrada pelo profissional da Caramuru, Rogério Fernandes Balieiro.

Qualidade da soja

Durante o painel também será apresentado um estudo da Embrapa Soja (PR), realizado junto ao setor produtivo, em que se acompanhou a qualidade da commodity nas últimas três safras. Foram coletadas e avaliadas quase 1.000 amostras nos diferentes estados brasileiros.

“Esse monitoramento revela como algumas práticas de produção podem melhorar ou piorar a qualidade do grão e da semente comercializados. Conhecendo a fundo esses aspectos, podemos ajudar o Brasil a alcançar novos patamares de qualidade”, afirmou Lorini.

O levantamento fornece subsídios importantes para a adoção de melhorias no processo produtivo e na armazenagem. O pesquisador da Embrapa disse  que foram avaliados, por exemplo, os grãos defeituosos e a soma de grãos mofados, ardidos, queimados, fermentados, imaturos, chochos, germinados e danificados por percevejo.

A legislação brasileira determina, por exemplo, que o armazenador tolere até 8% de grãos avariados, mas há regiões brasileiras em que as amostras apresentaram até 30% desses grãos. “Esses casos representam prejuízo para o produtor, porque o armazenador pode descontar o percentual que estiver avariado, já que esse material tem baixa qualidade para a indústria”, avaliou Lorini. “Portanto, ainda temos bastante a avançar”.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o índice de dano causado por percevejos nos grãos de soja. Há regiões em que as amostras variavam de 25% a 35% de grãos danificados pela praga. “Isso indica que é preciso investir mais no manejo integrado de pragas nas lavouras de soja para reduzir esse índice”, disse Lorini.

“Também destaco como elevados os danos mecânicos e alguns defeitos dos grãos. Por isso, é preciso melhorar o manejo da colheita e do processamento para se obter redução nesses danos”.

Teor de proteína

Com relação ao teor de proteínas da soja, a média nacional foi de 37% na safra 2016/17, com variação entre 32 a 41% nas microrregiões de cada estado.

Quanto mais alto for o teor de proteínas nos grãos, tanto melhor será para a produção de farelos com teores de proteína mínimos exigidos pela legislação, atingindo-se até o ideal para a produção do farelo com alto teor de proteína.

“Quanto maior o teor de proteínas nos grãos utilizados como matéria-prima para produzir farelos, tanto menores serão os processos utilizados pela indústria para se adequar aos padrões”, afirmou o pesquisador.

 

Fonte: Embrapa

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp