Após recorde, Anec estima equilíbrio para exportações de soja do Brasil em 2019

O ano de 2018 foi muito positivo para o agronegócio brasileiro, em especial no que diz respeito às exportações de soja. O principal motivador desse sucesso foi a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que elevou a demanda pelos produtos brasileiros.

“O Brasil é um grande exportador de soja. Como aconteceu esse problema com os chineses que taxaram as importações americanas, evidentemente, o Brasil teve a primazia de exportar mais para a China. Já exportava e muito e exportou mais ainda”, disse Sérgio Mendes, diretor geral da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais).

“No início do ano existia a previsão de exportar 72 milhões de toneladas e vamos exportar no fechamento do ano 82.5 milhões de toneladas”, acrescentou.

Contudo, o produtor brasileiro deve ficar atento para as perspectivas apresentadas para o próximo ano. Com a possibilidade de acerto entre as duas principais potências mundiais, 2019 pode trazer diminuição nas exportações, especialmente no caso da soja.

“Nós vamos ter de entrar já exportando muita soja para satisfazer o apetite da China e dos outros países da Ásia. Não vamos exportar mais os 82.5 milhões de toneladas porque eu duvido que essa situação com os Estados Unidos vai continuar assim”, afirmou Mendes.

“As estimativas de soja são de 73 milhões de toneladas e milho. Sempre exportamos perto de 30 milhões de toneladas e esse ano vamos exportar 18 milhões de toneladas. Vamos tentar vender 31 milhões de toneladas no ano que vem”.

Milho

Já para o cenário do milho, a expectativa é de mais dificuldades, principalmente com a questão do tabelamento dos fretes e da grande quantidade do grão que já estão em estoque.

“O escoamento, de maneira geral, foi tranquilo, mas alguns grãos muito importantes como o milho sofreram com o tabelamento do frete. O milho não aguenta esse preço. O preço normal já é extremamente pesado e se for colocado um adicional no tabelamento você praticamente inviabiliza o milho”, disse o diretor da Anec.

“Vamos carregar esse problema para 2019. Eu não vejo como resolver esse problema do milho no ano que vem, que ainda teve um estoque muito grande de passagem”.

Frete

Para Mendes, será fundamental que o tabelamento dos fretes seja revisto pelo governo durante 2019. “Vamos ter de sentar juntos e ver o que pode ser feito.  Anos atrás, principalmente em relação ao milho que tinha um preço internacional que não pagava os fretes, havia aqueles leilões promovidos pela Conab em que você pagava melhor ao produtor por essa diferença do frete. Quem tem cacife para isso é o governo”.

“Os componentes dessa cadeia – o produtor, o transportador e o exportador – não tem espaço para pagar essa conta. Não tem como conviver com essa tabela de frete. Os nossos competidores lá fora devem estar se divertindo com isso porque eles sabem que é impossível”.

 

Fonte: Notícias Agrícolas

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