Anec: desempenho das exportações brasileiras de grãos em julho

Soja

As exportações brasileiras de soja totalizaram no último mês de julho um volume de 8.2 milhões de toneladas embarcadas – melhor resultado já registrado para este mês, superando em cerca de 30% o resultado obtido em julho de 2017 (6.3 milhões de toneladas). No acumulado do ano, as exportações de soja totalizam, até o momento, um volume de 58 milhões de toneladas, 12% acima do volume registado no mesmo período do ano passado.

Do volume total exportado no ano, o porto de Santos foi responsável pelo embarque de 18.3 milhões de toneladas, o que representa 31,5% do total embarcado. A saída pelos portos do Arco-Norte do País segue em crescimento e consolidação, sendo estes portos responsáveis pelo embarque de 17 milhões de toneladas entre janeiro e julho deste ano, o que representa 29% do total.

Como destaques, cabe ressaltar os resultados expressivos obtidos pelo porto de Barcarena (PA), que já soma um total acumulado de 4.8 milhões de toneladas de soja embarcadas neste ano, 27% acima do resultado obtido entre janeiro e julho de 2017, e do porto de Itaqui (MA), responsável pelo embarque de 5.5 milhões de toneladas de soja, 21% acima do resultado do ano anterior.

A disputa comercial entre EUA-China, aliada a um bom preço da soja no mercado internacional, além de uma forte desvalorização do real frente ao dólar, são fatores determinantes que vem contribuindo para o cenário positivo das exportações brasileiras de soja neste ano.

Entretanto, uma ressalva importante é necessária neste contexto. Apesar dos importantes resultados obtidos nas exportações de soja, o setor vive uma extrema dificuldade com relação ao tabelamento de fretes criado pelo governo federal, em atendimento às reivindicações do setor de transporte rodoviário de cargas, durante a paralisação ocorrida no mês de maio.

A majoração dos custos de transporte em virtude da obrigatoriedade de observância aos valores mínimo da tabela só não está impactando nos resultados do escoamento da safra de soja, em razão de que o tabelamento se deu num momento onde a safra 2017/2018 estava com a comercialização em nível bastante adiantado, com valores pré-fixados e contratos de transporte já firmados.

Mesmo neste cenário, as empresas exportadoras hoje incorrem num sério risco de estarem criando um passivo gigantesco para movimentar estes volumes. Isso porque que o transportador pode reivindicar posteriormente o valor correspondente à diferença entre o que é pago pelo embarcador e o que seria o mínimo, observados os valores da tabela, além do pagamento de 100% sobre esta diferença, a título de multa, conforme prevê a medida provisória.

Apesar de não impactar diretamente os resultados do escoamento da safra de soja 2017/2018, a tabela de frete vem trazendo grandes dificuldades ao setor na comercialização da próxima safra. Contratos de compra ou financiamento da safra de soja 2018/2019 pelas tradings, que deveriam estar em nível bem mais avançado neste momento, estão sendo realizados pontualmente, quase que estagnados.

Isso ocorre devido à dificuldade de precificação pelos compradores e pelos próprios produtores, com relação ao custo que será necessário para transportar essa soja face à indefinição sobre a questão do tabelamento de frete.

Para o mês de agosto, 6.2 milhões de toneladas de soja já estão programadas para serem embarcadas dentre todos os portos brasileiros. Nossa estimativa é de que as exportações de soja totalizem neste ano um volume de 74 milhões de toneladas embarcadas entre janeiro e dezembro.

Milho

Ao contrário do ocorre com a soja, as exportações de milho vêm sendo diretamente impactadas pelo tabelamento de fretes. A comercialização da safrinha de milho está praticamente parada desde o advento da tabela. Negócios vem sendo firmados e o milho transportado somente em rotas mais curtas, onde o valor praticado já era igual ou menor ao valor da tabela.

O embarque do milho em navios está ocorrendo quase que exclusivamente em portos onde o acesso principal acontece por outros modais, que não o rodoviário – caso do porto de Santos, que recebe quase 80% dos grãos via ferrovia, e dos portos de Santarém, Itacoatiara, e Barcarena, abastecidos pelo acesso hidroviário.

A dificuldade de precificação encontrada na soja para a safra 2018/2019 é a mesma encontrada na comercialização do milho segunda safra neste ano, com um agravante que é o baixo valor do milho no mercado interno, dificultando ainda mais a negociação junto ao produtor e inviabilizando o início do escoamento da safra.

Como resultado, as exportações de milho no mês de julho somaram apenas 1.8 milhões de toneladas, 45% menor do que o volume de milho exportado em julho de 2017. No acumulado do ano, as exportações de milho totalizam 5.3 milhões de toneladas – um milhão a menos do que o resultado obtido entre janeiro e julho do ano anterior, o que significa uma redução de 16% no resultado das exportações brasileiras de milho.

Para o próximo mês de agosto, estão programadas para serem embarcadas cerca de 3.1 milhões de toneladas, 2.3 milhões de toneladas a menos do que o total embarcado no mês de agosto de 2017.

Diante deste cenário de indefinição acerca da tabela de frete pelo judiciário, que vem travando a comercialização e o escoamento da safra (cuja decisão só deve vir após realização de audiência pública para discussão do tema, marcada pelo ministro Fux, do STF, para o dia 27 de agosto), revisamos os prognósticos de exportação de milho para este ano para 27 milhões de toneladas.

 

Fonte: Anec

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