AgRural aponta que plantio da soja recupera atraso e atinge 81% da área

A produção, baseada por enquanto na linha de tendência de produtividade, é calculada em 100.2 milhões de toneladas. A linha de tendência será substituída por estimativas de produtividade, de acordo com as condições de desenvolvimento da safra em cada estado, a partir de dezembro.

O levantamento semanal da consultoria AgRural aponta que o plantio da soja no território brasileiro avançou 11% nesta semana e atingiu 81% da área estimada em 33,1 milhões de hectares. Pelas estimativas da empresa o ritmo segue abaixo dos 85% registrados em igual período do ano passado e dos 89% da média de cinco anos, além de ser o menor desde 2008/09.

Segundo o analista Fernando Muraro, sócio-diretor da AgRural, o plantio em Mato Grosso atingiu 95% da área e os primeiros talhões semeados em setembro estão iniciando a formação de vagens. “Embora ainda existam áreas precisando de água, bons volumes de chuva foram registrados durante a semana”, disse ele.

As chuvas também favoreceram o avanço do plantio em Goiás, onde o percentual semeado saltou de 72% para 91%. “Após um longo período sem chuvas e altas temperaturas, o clima está favorável também no leste do estado, que planta mais tarde”, disse Muraro. Em Mato Grosso do Sul, o plantio está finalizado. Em Maracaju, 12% da soja está em floração e a umidade do solo é boa. Em São Gabriel do Oeste, as chuvas estão esparsas, mas a umidade do solo é considerada suficiente.

Pelas estimativas da consultoria, o plantio no Paraná atingiu 93% da área, mas segue lento no sul e nos Campos Gerais, devido ao excesso de umidade. ”Em Guarapuava há casos de replantio por problemas na germinação. No oeste e sudoeste, a falta de luminosidade em talhões em frutificação começa a preocupar produtores. Em Maringá, no norte, dias de sol seriam bem-vindos”, observa Muraro.

Segundo o levantamento, no Rio Grande do Sul o tempo firme permitiu que o plantio evoluísse 24% nesta semana, chegando a 73% e tirando o atraso em relação à média de cinco anos. “Em Ijuí, praticamente não choveu nos últimos dias e o plantio está na reta final. Em Erechim, a alta umidade tem favorecido o ataque de lesma e caramujos.”

Em Minas Gerais, “as chuvas generosas após um início seco” favoreceram a aceleração do plantio, cujo índice saltou de 39% para 66% nesta semana. Em São Paulo, 90% da área já foi semeada. No sul paulista o ritmo segue lento devido às chuvas e há casos pontuais de perdas por granizo.

A região do Matopiba – confluência do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – é onde o plantio continua mais atrasado, apesar do bom avanço nesta semana, favorecido pela melhor distribuição e maiores volumes de chuvas. Na Bahia houve salto de 15% para 40%, ainda abaixo dos 86% da média de cinco anos. No Maranhão atingiu 33% da área semeada, com problemas pontuais de germinação.

Comercialização

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Segundo cálculos da AgRural a comercialização da soja da safra 2015/2016 evoluiu 3% em novembro e atingiu 44% da produção esperada, ritmo superior aos 26% vendidos até o mesmo mês do ano passado e os 40% da média de cinco anos. Muraro observou que o dólar abaixo de R$ 3,80 durante a maior parte do mês tornou as propostas de compras menos atraentes. Além disso, diz ele, os atrasos no plantio também interferiram no ritmo dos negócios, por causa da incerteza sobre o tamanho da safra e a época de colheita.

A AgRural estima que metade da safra está vendida no Centro-Oeste. “Após negociar parte da produção em reais, os produtores agora esperam por uma melhora dos preços em dólar e uma maior definição do clima para voltar às vendas”, diz Muraro. Em Sorriso (MT), o preço médio para fev/16 fechou novembro a US$ 14,40, com queda mensal de 4%. No Sul do País, as vendas totalizam 32%. No porto de Rio Grande (RS), o preço médio para abr-mai/16 ficou em R$ 77,60, 6% abaixo do apurado em outubro.

No Sudeste, o índice de vendas chegou a 46%. Com a demora das chuvas, a maioria dos produtores achou mais prudente voltar a negociar somente quando a safra estiver mais garantida. No Norte/Nordeste, 56% da safra está vendida. Em Porto Nacional (TO), a saca que chegou a sair por R$ 76,00 com o dólar a R$ 4,20 agora vale R$ 65,00.

 

Fonte: Globo Rural

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