Agrolink: Falta de qualificação, insumos e pesquisas dificulta o trabalho de produtores orgânicos

O produtor que deseja investir no mercado de orgânicos, além de levar em consideração fatores básicos como a análise do solo e da água, deve fazer um balanço das vantagens, desvantagens e riscos que o negócio oferece. Atualmente, existe uma carência em matéria de qualificação, insumos, apoio técnico e pesquisas no setor. É o que observa a coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da SNA, Sylvia Wachsner.

“O produtor rural precisa correr atrás de sementes, mudas e todos os insumos que podem ser utilizados na agricultura orgânica. Ele acaba aprendendo no caminho. Ainda temos pouca pesquisa, faltam agrônomos, veterinários e técnicos agrícolas que possam ajudar os agricultores na transmissão de conhecimento comprovado. Muito se aprende na base da troca de informações”, comenta Sylvia.

Fornecimento

No caso dos insumos, ela ressalta que o fornecimento ainda é muito precário e que o empreendedor precisa contar com diversos fornecedores, e quando possível do mesmo insumo.

“A falta de insumos é bastante recorrente e muitas vezes os produtos são tirados do mercado ou têm sua composição trocada. Estamos melhorando, mas ainda é um mercado em formação. Semanalmente recebemos ligações de uma ou duas empreendedoras procurando por fornecedores de insumos para suas indústrias e, por outro lado, há produtores com excesso de produtos sem saber como comercializar.”

Pequenos e médios

De acordo com a coordenadora do CI Orgânicos, os investimentos destinados à agricultura familiar não contemplam os pequenos e médios produtores que praticam a agricultura orgânica.

“Os agricultores familiares são os que compõem em maior número o cadastro do Ministério da Agricultura. Já os investimentos na qualificação do pequeno e médio produtor não tem sido objeto de maior atenção. Estamos falando de produtores rurais que arriscam seu próprio dinheiro para se capacitar e procurar conhecimento e pesquisas que permitam incrementar sua produção. No entanto, existem casos isolados de produtores maiores e com mais tempo no mercado, que divulgam seu conhecimento entre produtores rurais menores que atuam como seus fornecedores”, explica Sylvia.

Capacitação

O governo federal lançou, há cerca de dois anos, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), que executa diversas iniciativas para articular e implementar programas e ações indutoras da transição da agricultura convencional à produção de base agroecológica e orgânica. O plano está focado no agricultor familiar e engloba diversas políticas para o desenvolvimento de tecnologias que tem por objetivo incrementar o processo produtivo, incluindo a produção de sementes orgânicas , que é um gargalo no setor.

Neste âmbito, diversos estados oferecem capacitações, oficinas e cursos para um público que reúne desde assentados da Reforma Agrária a agricultores familiares. Além disso, há diversas parcerias entre instituições estaduais, sistemas de pesquisa como a Embrapa, universidades e empresas de assistência técnica e extensão rural.

Entidades como a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro, Associação de Agricultura Orgânica em São Paulo (AAO), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outras, oferecem capacitação para produtores rurais interessados em iniciar uma produção orgânica, melhorar ou aprofundar seus conhecimentos, ou para pessoas que desejam investir nesta área. “O foco dos cursos destas entidades são os produtores rurais, sejam eles agricultores familiares, pequenos ou médio produtores”, reconhece Sylvia.

Planejamento

Apesar das dificuldades que o setor enfrenta, o empreendedor que decide ingressar no mercado de orgânicos precisa, acima de tudo, de planejamento. A afirmação é do produtor rural Fernando Ataliba, do sítio Catavento (SP) que, durante o Fórum de Empreendedorismo promovido este ano pelo CI Orgânicos no Rio de Janeiro, assinalou: “É necessário planejar a agricultura de forma eficiente. Olhar para a vocação da propriedade, relacioná-la com os fatores de produção, com as questões mercadológicas. Às vezes, uma propriedade tem vocação para gerar caruru, mas não existe mercado para isso”.

Guia

Pensando nos diversos aspectos que envolvem a produção orgânica, o CI Orgânicos prepara o lançamento, até o final do ano, do “Guia do Produtor Orgânico – Como Produzir Alimentos de Forma Ecológica”.

Elaborado pelo engenheiro agrônomo Moacir Roberto Darolt, com o apoio do Sebrae e da Itaipu Binacional, a publicação será distribuída entre os produtores orgânicos, e terá divulgação nas redes sociais e nos sites do CI Orgânicos (http://ciorganicos.com.br) e do OrganicsNet (www.organicsnet.com.br). Darolt também assina o “Guia do Consumidor Orgânico”, lançado recentemente pelo Centro de Inteligência em Orgânicos.

Orientações

A “Guia do Produtor Orgânico” vai abordar que o que é a agricultura orgânica e suas características, tratando não somente da agricultura orgânica vegetal, mas também da animal. Além disso, os produtores poderão encontrar dicas de cuidados necessários para o cultivo de orgânicos.

Para aqueles que desejam transformar, embalar e transportar seus alimentos, o guia reserva um capítulo especial sobre o assunto. O manual descreve ainda as etapas do processo de certificação e de inclusão do selo brasileiro que identifica os alimentos orgânicos.

“Para os produtores que estão interessados em converter sua propriedade de convencional para orgânica, o guia apresenta as normas de produção e as mudanças tecnológicas que deverão ser feitas”, acrescenta Sylvia.

Conversão

A especialista explica que uma produção orgânica, para alcançar boa produtividade, requer um período de um a quatro anos , desde o momento da conversão dos cultivos convencionais para os orgânicos.

“Esse tempo representa não somente o investimento do produtor em trabalho seu e de sua família, perda de produtividade durante a fase de conversão, assim como utilização de seu próprio capital/poupança. Nesta fase, os produtos não podem ser vendidos como orgânicos, e não são certificados”.

 

Fonte: Agrolink

 

 

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