Entidades dos setores do agronegócio e da indústria estão reforçando a inconstitucionalidade do tabelamento para o frete mínimo do transporte rodoviário de cargas. O assunto foi discutido durante o seminário Frete sem Tabela, Brasil com Futuro, que ocorreu na quarta-feira (22/8).
O evento ocorreu uma semana antes das discussões em torno da medida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As entidades alegaram que as políticas de interferência de preços nunca funcionaram neste segmento e citaram como exemplo o ano de 1980, quando experiências que não foram bem-sucedidas resultaram em alta inflação.
Nesse cenário, o presidente da Associação Brasileira das indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, disse que o Congresso Nacional não efetuou a devida análise do processo e aprovou a medida de forma “descuidada”. Além disso, salientou que o Executivo usou a paralisação dos caminhoneiros como pretexto para “lavar as mãos”.
“Ninguém quer passar por uma paralisação daquela magnitude, nem pelos estragos que ela causou ao país, mas fazer uso disso para tomar decisões ainda mais desastrosas para a sociedade é pior”, afirmou Nassar.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Bartolomeu Braz, disse que as safras estão tendo prejuízos com o tabelamento. Para a atual safra do milho, por exemplo, Braz informou que os prejuízos superam os R$ 2 bilhões.
“A criação do frete mínimo causou inflação e aumento de 12% nos preços dos alimentos. Muitas vezes o frete é mais caro que o produto. Em certos momentos, vai ser melhor transportar milho do que produzir o milho”.
Fonte: Agrolink