Cenário foi pouco favorável para os rebanhos em 2012, mostra IBGE

 

“Fatores climáticos adversos, como a seca no Nordeste que se prolonga até hoje, afetaram a produção do leite, mel e dos principais rebanhos daquela região”, relata Otávio de Oliveira

 

Custos mais altos dos principais insumos de produção para abastecer a pecuária – principalmente aqueles destinados à alimentação dos animais -, problemas de logística e alterações no clima resultaram em um cenário pouco favorável para o setor no ano passado. É o que aponta a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2012), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na quinta-feira, 10 de outubro.

No período avaliado, produtos veterinários mais caros e escassez de milho e soja usados para alimentar o rebanho, especialmente no segmento da avicultura e suinocultura, impactaram na queda de 0,7% da criação de bovinos (1.536.229 de cabeças a menos); de 1,3% de suínos (511.434 cabeças a menos); e de 1,8% (redução de 22.939.920 cabeças).

Entre os anos de 2011 e 2012, outras produções passaram por uma realidade diferente: leite teve aumento na produção de 0,6%, o equivalente a 208.207 litros; lã, de 1,6% ou 188.520 quilos; ovos de galinha, de 2,3% (79.001); ovos de codorna 9,4% ou 24.572 dúzias.

A queda na produção de alguns produtos de origem animal não significou redução de seus preços. As principais valorizações ocorreram no segmento de ovos de codorna (alta de 27,2%), ovos de galinha (17,4%), leite (9,9%) e lã (9,3%).

Gerente de Pecuária do IBGE, Otávio de Oliveira reforça que, além das elevações dos custos dos insumos, as condições do clima prejudicaram o setor em 2012. “Fatores climáticos adversos, como a seca no Nordeste que se prolonga até hoje, afetaram a produção do leite, mel e dos principais rebanhos daquela região”, ressalta. “Também ocorreu o descarte precoce de caprinos e ovinos, devido à falta de alimentos e água para essas espécies. Com a queda da criação, houve um aumento final de preços da produção na pecuária.”

A PPM 2012 traz ainda informações sobre o efetivo de outros rebanhos, quantidade e valor dos produtos de origem animal, além do número de vacas ordenhadas e de ovinos tosquiados para o Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação e municípios produtores.

De acordo com o IBGE, entre 2011 e 2012, houve redução de todos os rebanhos: 0,8% para os de grande porte, 3,2% para os de médio porte e de 1,7% para os de pequeno porte. Mais uma vez são citados como problemas o clima, em especial a seca do Norte e Nordeste do país, regiões que sofreram maior impacto negativo. Conforme o estudo, casos como o da produção de caprinos e ovinos sofreram com desestímulo do produtor de continuar na atividade e pelos baixos lucros alcançados, provocando o precoce descarte de animais.

Apesar do cenário pouco favorável para a pecuária em 2012, o Brasil continua em segundo lugar no ranking mundial de rebanhos bovinos, atrás apenas da Índia, e em segundo também na produção de carne bovina, atrás dos Estados Unidos.

 

REGIÕES

Com alta de 12% e 5,4%, respectivamente, os estados do Amapá e Roraima tiveram as maiores variações relativas da região Norte, mas com representatividade nacional. No Nordeste foi observada a maior queda (-4,5%), com destaques para Pernambuco (-24,2%), Paraíba (-28,6%) e Rio Grande do Norte (-18,1%). Em contrapartida, Ceará (+3,8%), Maranhão (+3,1%) e Piauí (+0,1%) tiveram alta de seus efetivos.

Na região Sudeste, a queda foi menor – de 0,3% – no rebanho bovino, graças ao resultado de 2,4% do efetivo em São Paulo, influenciado pelo avanço da lavoura de cana-de-açúcar sobre as áreas de pastagens. No Sul, a redução foi de 1,3%, com ênfase para o Rio Grande do Sul, que sofreu baixa de 2,3%, em virtude da migração da criação de bovinos para a agricultura e silvicultura, especialmente soja, além do descarte de animais devido à seca. No Centro-Oeste, o efetivo diminuiu 0,4%, com quedas no Mato Grosso (-1,8%) e Mato Grosso do Sul (-0,3%); e positivas em Goiás (1,4%) e Distrito Federal (2,1%).

No ano passado, os maiores efetivos de bovinos foram os de Mato Grosso (13,6%), Minas Gerais (11,3%), Goiás (10,4%), Mato Grosso do Sul (10,2%) e Pará (8,8%). Com participações praticamente estáveis em relação a 2011, esses estados somavam 54,4% do efetivo nacional, em conjunto.

A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2012) do IBGE também destaca as cidades de São Félix do Xingu (PA), Corumbá (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS), que juntas somaram 2,4% de participação nacional. Dentre os 20 municípios com os maiores efetivos, seis estavam situados em Mato Grosso, seis em Mato Grosso do Sul, seis no Pará, um em Goiás e um em Rondônia.

 

LEITE

Ocupando o sexto lugar no ranking mundial, a produção leiteira no Brasil teve alta de 9,9%, na passagem de 2011 para 2012, com destaque para a região Sudeste, que concentrou maior produção (35,9%); seguida pelo Sul (33,2%); e Centro-Oeste (14,8%).

Já a queda da produção da cadeia do leite foi observada no Nordeste (-14,8%) e Norte (-1%). Na região nordestina, houve baixas em Pernambuco (-36,1%), Bahia (-8,7%) e Paraíba (-39,9%); no Norte, o Pará sofreu redução de 5%. O ritmo de crescimento também diminuiu bastante no Centro-Oeste: Mato Grosso (-2,8%) e Distrito Federal (-18%).

Principal estado produtor de leite, com 27,6% de participação, Minas Gerais reúne cinco dos dez maiores municípios produtores. Ainda lideraram a produção de leite: Castro (PR), Patos de Minas (MG) e Morrinhos (GO).

Dentre os produtos de origem animal apurados pela PPM 2012, o leite registrou o maior valor de produção: 32,304 bilhões de litros do produto geraram R$26,797 bilhões em valor.

 

Por Equipe SNA/RJ, com informações do IBGE

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