Exportações têm sido fundamentais para as carnes

Com um consumo interno mais fraco, as exportações têm sido importantes para os resultados da indústria de carne do Brasil, mesmo em um ano marcado por fatos como a operação Carne Fraca. O país conseguiu reabrir mercados, além de viver um cenário de demanda externa aquecida, disse o analista da consultoria MB Agro, Cesar de Castro Alves.

“Em um ano em que o Brasil abateu mais animais, seria o caos se não houvesse exportação. Fez muita diferença e foi muito bem vinda em uma época em que o setor passou por turbulências”, disse Alves.

Em outubro deste ano, as exportações cresceram. Somadas carne bovina (in natura e industrializada), suína (apenas in natura) e de frango (in natura e processada), foram 559 mil toneladas, 18,6% a mais, de acordo com dados das associações que representam a indústria do setor. A receita aumentou 25,8%, com faturamento de US$ 1.358 bilhão.

A Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec) reportou vendas externas de 144.600 toneladas em outubro, 39,7% a mais que no mesmo mês em 2016. Os exportadores faturaram 38,1% a mais: US$ 604.5 milhões.

Pelo menos nos últimos três meses, a indústria de carne bovina vem apresentando saldos positivos. Em agosto, a Abiec registrou o melhor resultado neste ano até agora. Para Cesar Alves, o que favorece esse quadro é a combinação de uma demanda externa forte com uma ação rápida de reabertura de mercados.

“O mercado de boi está muito bom. Isso foi uma surpresa, justamente por conta da consequência da operação Carne Fraca. A oferta aqui é boa e competitiva. A demanda está boa lá fora, parte por conta da retração da Austrália. O Brasil está aproveitando gap na China e Rússia, onde compete com os australianos”, disse Alves.

Em outubro, os chineses ficaram em segundo lugar no ranking dos principais destinos da carne bovina brasileira. Com 20.600 toneladas, ficaram atrás apenas de Hong Kong, com 35.700 toneladas. A Rússia foi o quinto maior comprador no mês passado, com 14.200 toneladas.

Em relação à carne de frango, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reportou vendas de 365.500 toneladas em outubro, um aumento de 16,2%. A receita foi de US$ 634.4 milhões – 24,6% a mais que em outubro do ano passado.

Ao divulgar os dados no início do mês, a associação avaliou que o setor está se recuperando dos problemas e tende a fechar o ano com resultado positivo. Cesar Alves disse que, em um cenário de preços internacionais relativamente estáveis, a demanda tem sido favorável.

A exceção de outubro foi a carne suína. Só do produto in natura, a ABPA registrou vendas externas de 48.900 toneladas, uma queda de 8,1% em comparação com o exportado no ano passado. A receita dos exportadores caiu 10%, para US$ 119.78 milhões.

Em que pese “questões mercadológicas pontuais” que afetaram os embarques nos últimos dois meses, a ABPA entende que o cenário é positivo. Ao divulgar os dados, a associação destacou o desempenho positivo de mercados como Rússia, Cingapura, Argentina, Uruguai e Chile.

Para Cesar Alves, o resultado não é de todo ruim. Segundo ele, a base de comparação com o ano passado era alta. O analista da MB Agro destaca que a China reduziu suas compras, em meio a um movimento de recomposição de estoques.

O volume menor não significa, necessariamente, queda de receita no setor. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, enquanto o volume in natura exportado caiu 4,6% (502.900 toneladas), o faturamento aumentou 14% (US$ 1.252 bilhão) em relação aos dez primeiros meses de 2016.

Rússia

No final de outubro, a Rússia, um dos principais compradores de carne do Brasil, anunciou medidas relacionadas ao setor. O serviço sanitário suspendeu as importações de carne bovina do frigorífico Mataboi e impôs maior rigor nas inspeções de produtos de outras empresas.

Para Cesar Alves, o movimento está mais relacionado a questões comerciais do que propriamente sanitárias. Ele lembra que o país não impôs embargo ou restrições ao Brasil em função da operação Carne Fraca, ao contrário da atitude tomada por outros mercados ao redor do mundo.

O que a Rússia tentaria então é fazer valer seu tamanho e importância nas negociações bilaterais. Enquanto os brasileiros querem aumentar a presença das carnes no país, os russos têm interesse em vender trigo e pescados. No início de outubro, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, esteve em Moscou, onde negociou a ampliação do comércio.

“Estamos negociando e com certeza vamos avançar”, disse Maggi, na época, segundo informação divulgada pelo Ministério da Agricultura. “Se houver algum problema nessas negociações, pode respingar no suíno. A conversa está respingando no bovino, mas o suíno é importante. A Rússia está ampliando as compras e a concentração está maior”, afirmou Cesar Alves.

O Brasil já teria dado um sinal favorável ao um dos pleitos da Rússia. Segundo o jornal Valor Econômico, o Ministério da Agricultura pretende “flexibilizar” normas sanitárias para viabilizar a entrada do trigo russo no mercado brasileiro.

A reportagem ressalta que a medida é vista com preocupação por profissionais da área técnica, pelo risco de introdução de pragas no país. No entanto, o Ministério da Agricultura disse já ter sinalizado a flexibilização para os russos. Faltaria apenas adequar a norma à legislação.

 

Fonte: Globo Rural

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