Argentina rema contra a maré na exportação via Rio Paraná e Brasil pode levar vantagem

As embarcações têm encalhado em decorrência da pouca profundidade do calado do Rio Paraná – Foto: Imagem de fanjianhua no Freepik

A Argentina tem enfrentado problemas de logística na exportação de farelo e de óleo de soja, realizada pelo Rio Paraná, principal corredor de transporte argentino pelo qual passam 80% do complexo da soja daquele país. A situação favorece o Brasil por ganhar competitividade frente ao seu maior concorrente neste setor.

As embarcações têm encalhado em decorrência da pouca profundidade do calado do Rio Paraná. Fato que está causando prejuízos, porque as embarcações não podem utilizar sua capacidade máxima, além de atrapalhar o fluxo de outros navios. Isso aconteceu, recentemente, com o navio-tanque Hansa Oslo, que estava carregado de óleo de soja e encalhou no rio após navegar por apenas 12 quilômetros e ficar preso a uma abundante camada de lodo.

Somado a isso, o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, mencionou outro fator que está deixando a Argentina em desvantagem em relação ao Brasil. “Para complicar ainda mais a situação, eles tiveram problema nas últimas três safras e essa atual também está passando por dificuldade. E diminuindo a produção de soja, consequentemente, vai diminuir a produção de farelo e de óleo”.

Flexibilização de normas

Pressionado pelas tradings que exportam produtos agrícolas daquele país, na última segunda-feira (24), o governo argentino flexibilizou as normas de segurança para embarcações que utilizam a hidrovia Paraná-Paraguai e aumentou em até 7% o volume de carga transportada. De acordo com a Ministra de Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, esta alteração nas normas pode tornar as empresas mais eficientes e reduzir custos sem interferir na segurança.

Enquanto isso, no Brasil…

Ao mesmo tempo em que a Argentina passa por este aperto na logística, o Brasil está expandindo cada vez mais sua estrutura de transporte, seja pelos portos do Arco-Norte, seja por meio de ferrovias com a compra bilionária de vagões e locomotivas pela COFCO.

Nova Licitação

A Câmara de Exportação Agrícola da Argentina está sendo enérgica com o governo para que seja feita, o quanto antes, uma nova licitação para o contrato de manutenção da rota fluvial do Rio Paraná. “Havia sido feita uma licitação que foi cancelada em função de irregularidades detectadas. A ideia é que, máximo, até o terceiro trimestre deste ano, essa situação esteja resolvida”, finalizou Hélio Sirimarco.

Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
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