
Infecção fúngica preocupa agricultores e mobiliza força tarefa
O alastramento da infecção fúngica conhecida popularmente como vassoura de bruxa, em plantações de mandioca no Amapá, vem preocupando produtores, autoridades e técnicos que tentam conter a praga. A doença se espalhou por oito dos 16 municípios do estado e se transformou numa calamidade pública, levando à perda de roças inteiras e à alteração drástica do dia a dia da população. Povos indígenas, que cultivam a mandioca para subsistência, são os mais afetados. Acredita-se que a proximidade com a Guiana Francesa explique esse quadro, pois a fronteira com o Brasil pode ter sido a porta de entrada da doença.
Antes da chegada da vassoura de bruxa, os indígenas trabalhavam com 68 tipos de mandioca. O impacto foi tão severo que apenas duas resistiram até agora. E também elas já estão sofrendo com agressividade do fungo. A mandioca é base da alimentação e fonte de renda para comunidades inteiras. Os primeiros casos foram detectados em 2024 pela Embrapa, na região do município de Oiapoque, extremo norte do país. A presença de Ceratobasidium theobromae representa risco de significativa redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, este fungo não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.
Segundo informações do Ministério da Agricultura, a vassoura de bruxa que atinge a mandioca não tem relação com a praga do cacaueiro, que dizimou plantações na Bahia entre as décadas de 80 e 90. A doença causa ramos secos e deformados, nanismo, proliferação de brotos fracos e finos nos caules, clorose, murcha, seca das folhas e morte das plantas. A dispersão ocorre principalmente por meio de material vegetal contaminado, ferramentas de poda, solo e água.
Soma de esforços na prevenção e auxílio aos afetados
O MAPA informou ainda que atua de forma coordenada com os órgãos estaduais de defesa agropecuária na vigilância, diagnóstico e contenção da praga, reforçando medidas de biossegurança e evitando sua disseminação para áreas comerciais. Em janeiro, o Ministério já havia declarado emergência fitossanitária no Amapá e também norte do Pará. Em março, foi instituído o “Programa Nacional de Prevenção e Controle da Vassoura-de-bruxa da Mandioca”. Mas o avanço do fungo vem preocupando a todos.
Isso porque não há tratamento eficaz conhecido, e a prevenção é a palavra da ordem, isto é, chegar às plantas antes delas serem infectadas. Assim, Embrapa, MAPA e outros órgãos montaram estratégias para prevenção ao fungo, incluindo os territórios indígenas nas fronteiras com a Guiana Francesa e Suriname.
São várias frentes em andamento, entre elas:
(1) Combate à insegurança alimentar com entrega de cestas básicas aos indígenas, agricultores familiares e demais públicos vulnerabilizados pelo avanço da doença. As entregas acontecem pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em parceria com a FUNAI e o governo do estado, pois o fungo vem destruindo as roças em vários municípios;
(2) Assistência Técnica e Extensão Rural indígena, com treinamento em boas práticas de manejo e para orientação dos povos e comunidades produtoras de mandioca;
(3) Busca de recursos para o financiamento de pesquisas para soluções a médio e longo prazo, já que até o momento, não se identificaram variedades geneticamente resistentes à nova doença.
Além disso, o governo federal anunciou um crédito especial para diversificar a produção de comida nos territórios indígenas como forma de garantir a segurança alimentar dos povos, tendo em vista que será necessário mudar a utilização das áreas em que não se pode mais produzir mandioca em decorrência do fungo.
Enquanto isso, e apesar dos melhores esforços de autoridades e produtores, a apreensão é inevitável. Em 2025, a higidez sanitária brasileira sofreu sustos já contornados, como focos de gripe aviária que ameaçaram as vendas de carne de frango. Mas também houve o reconhecimento, por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), do Brasil como país livre da febre aftosa, sem vacinação.
Assim, entre outras preocupações para a agropecuária nacional, como o tarifaço americano, segue o monitoramento e combate ao fungo que atinge a mandioca no Norte do Brasil e seus possíveis desdobramentos para o referido cultivo no restante do território nacional.






