
Fenômenos climáticos severos registrados no último final de semana, no Paraná, provocaram impactos relevantes e mantiveram o Estado em situação de atenção. O balanço divulgado pela Defesa Civil do Paraná, referente a esse período aponta que 45 municípios haviam registrado danos, com mais de 7,5 mil pessoas afetadas e 2.068 residências danificadas, após a ocorrência de temporais, vendavais, granizo e tornados associados à passagem de uma frente fria e à formação de supercélulas. Os eventos também atingiram áreas rurais, com relatos de danos em plantações, além de prejuízos à infraestrutura, à rede elétrica e à mobilidade.
O cenário exige atenção do setor agropecuário, principalmente diante da transição para a safra de verão. Segundo o INMET, a atuação do sistema meteorológico mantém condições para chuvas no Paraná também nos próximos dias. O órgão aponta que o ciclone extratropical deve se afastar rapidamente em direção ao oceano, mas um canal de umidade continuará favorecendo precipitações em partes do Sul e de outras regiões do país.

Diante da possibilidade de novos eventos severos, a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) entrevistou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Natalino Avance de Souza, sobre os possíveis impactos para o campo, as culturas mais vulneráveis, as medidas preventivas e o eventual apoio aos produtores atingidos.
Impactos dependem da intensidade e das áreas atingidas
De acordo com o secretário, os efeitos sobre a agricultura dependerão da intensidade dos fenômenos e das regiões alcançadas pelas tempestades. Por isso, órgãos estaduais estão trabalhando de forma integrada para ampliar a orientação aos agricultores.
Segundo ele, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) vêm atuando em conjunto com o Simepar e a Defesa Civil para levar informações ao maior número possível de entidades de agricultores.
“As nossas equipes técnicas estão atentas às adversidades climáticas e têm intensificado a presença de especialistas nas diversas regiões do Estado para abordar o tema com os agricultores e minimizar os efeitos negativos das possíveis eventualidades climáticas”, acrescenta.
Soja entra no radar durante transição para a safra de verão
O momento do calendário agrícola também é um fator importante para avaliar a vulnerabilidade das lavouras. O Paraná está na transição para a safra de verão, com o encerramento do vazio sanitário em algumas regiões e o início do plantio da soja.
Para o secretário, não é possível apontar uma única cultura como a mais vulnerável, já que os riscos variam de acordo com o estágio de desenvolvimento das plantas, as características da atividade e a intensidade do fenômeno meteorológico em cada localidade.
A recomendação é que os produtores acompanhem continuamente as condições meteorológicas e adotem as medidas preventivas indicadas para cada atividade. A atenção também deve ser direcionada às cadeias de proteína animal, especialmente às instalações, estruturas de produção e pastagens.
Monitoramento é feito de forma integrada
A evolução do sistema meteorológico vem sendo acompanhada pela estrutura estadual de agricultura, em conjunto com o Simepar e a Defesa Civil. De acordo com Natalino, a SEAB, o IDR-Paraná e a Adapar acompanham as informações meteorológicas repassadas pelos órgãos responsáveis e, a partir desses dados, orientam os produtores para prevenir ou reduzir eventuais danos.
“A partir desse monitoramento, as estruturas do Sistema Estadual de Agricultura atuam de forma integrada na orientação aos produtores, com foco na prevenção e na redução dos possíveis impactos sobre as atividades agropecuárias”, afirma.
O trabalho, segundo o secretário, ganha importância adicional neste período de transição para a safra de verão, quando diferentes regiões do Paraná se aproximam do período de plantio.
Prevenção pode reduzir vulnerabilidade
Antes da chegada das tempestades, a orientação é que os produtores adotem medidas capazes de reduzir a vulnerabilidade das propriedades e das áreas produtivas.
Entre os cuidados indicados estão a manutenção adequada dos terraços, a cobertura e conservação do solo e a atenção às condições das propriedades e das estruturas utilizadas na produção.
“A atuação do Sistema Estadual de Agricultura é integrada com a Defesa Civil, a partir do acompanhamento dos boletins e das condições meteorológicas. Essas informações são repassadas aos agricultores e às entidades do setor, com orientações para a adoção de medidas preventivas”, explica o secretário.
A preocupação com a conservação do solo é especialmente relevante diante da possibilidade de chuvas intensas e concentradas, que podem provocar erosão, enxurradas e outros prejuízos às áreas agrícolas.
Eventuais perdas serão avaliadas
Em relação aos produtores que eventualmente tenham perdas provocadas pelas tempestades, o secretário explica que a definição de medidas de apoio dependerá da dimensão e das características dos danos registrados.
“O Paraná dispõe de instrumentos como o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) e o Banco do Agricultor Paranaense, que podem ser mobilizados conforme as necessidades identificadas e os critérios de cada programa”, reforça Natalino.
As estruturas de campo do IDR-Paraná e da Adapar também deverão atuar junto aos produtores e às comunidades para levantar informações sobre possíveis ocorrências e orientar os agricultores sobre os mecanismos de apoio disponíveis.
Enquanto o quadro meteorológico permanece instável, a recomendação aos produtores é acompanhar os boletins oficiais e os alertas emitidos pelas autoridades. A Defesa Civil do Paraná disponibiliza alertas para ocorrências de tempestades, granizo e vendavais. O produtor pode receber as informações por SMS cadastrando o CEP pelo número 40199.
O Simepar também mantém o monitoramento das condições meteorológicas e reforça a importância de acompanhar os alertas da Defesa Civil diante da possibilidade de novos episódios de tempo severo.






