Tarifaço mostrou força da carne brasileira e setor atravessa excelente fase

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram mais de 357 mil toneladas em outubro de 2025, o maior volume mensal desde o início da série histórica em 1997. Foto: Divulgação Abiec

Capacidade de reação e abertura de novos mercados se refletiu nos números

Desde o início da crise do tarifaço americano, com a vigência da alíquota de 40% sobre produtos brasileiros em agosto, além dos 10% anunciados anteriormente em abril, o setor agropecuário temia ser um dos mais afetados pela medida. Três meses depois, no entanto, o que se viu foi uma surpreendente capacidade de reação de diversos segmentos, sendo que alguns conseguiram entrar na lista de exceções logo no começo, a exemplo do suco de laranja e da celulose. Produtores brasileiros não se deixaram abater e, reunidos com entidades de representação e autoridades, seguiram exportando suas mercadorias enquanto participam do diálogo que busca um alívio na sobretaxa.

O mercado de carne bovina se destacou claramente nessa “virada”, com a cadeia produtiva se reorganizando rapidamente e coordenando esforços para escoar os embarques. Agora já é possível dizer que a sanção americana não teve qualquer efeito negativo sobre o setor. Pelo contrário: houve valorização dos produtos e aumento das exportações. As exportações brasileiras de carne bovina atingiram mais de 357 mil toneladas em outubro de 2025, o maior volume mensal desde o início da série histórica em 1997, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Expectativa é de bater novos recordes

Caso mantenha o ritmo atual, o Brasil deve ultrapassar essa marca histórica ainda em novembro, consolidando 2025 como o melhor ano da série desde o início dos registros. A receita do mês totalizou US$ 1,90 bilhão, aumento de 39,1% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 1,37 bi). De janeiro a outubro, o Brasil exportou 2,79 milhões de toneladas, com valor acumulado de US$ 14,31 bilhões, o que representa crescimento de 16,6% em volume e 35,9% em valor frente ao mesmo período de 2024 (2,40 milhões t; US$ 10,53 bi). O desempenho mantém o país próximo do recorde do ano passado (2,89 milhões t; US$ 12,8 bi) e confirma a liderança brasileira nas exportações mundiais de carne bovina. Ao todo, os embarques chegaram a 162 países em 2025.

A China manteve a liderança em outubro, com 190.829 toneladas (US$ 1,046 bilhão), o equivalente a 53% do volume e 55% da receita total do mês. No acumulado de janeiro a outubro, o país asiático segue como principal destino, com 1,34 milhão de toneladas (US$ 7,10 bilhões), o que representa 48,1% do volume e 49,7% do valor total exportado. Em segundo lugar estão os Estados Unidos, com 231,9 mil toneladas (US$ 1,38 bilhão), seguidos por México (104,3 mil t; US$ 569,4 mi), Chile (104,4 mil t; US$ 569,8 mi) e União Europeia (101,4 mil t; US$ 824,0 mi).

Os mercados que mais ampliaram suas compras em 2025 foram México (+213%), União Europeia (+109%), China (+75,5%), Rússia (+50,4%) e Estados Unidos (+45%), demonstrando a diversificação e o fortalecimento das exportações brasileiras. Juntos, os dez principais destinos responderam por cerca de 84% do total exportado, com destaque para a China (48% do volume), Estados Unidos (8%), México e Chile (cerca de 4% cada), o que demonstra a ampla diversificação geográfica das vendas brasileiras.

Mesmo com retração nos embarques aos Estados Unidos nos últimos três meses, em razão das tarifas adicionais impostas em agosto, quando foram exportadas 9,3 mil toneladas, seguidas de 9,9 mil toneladas em setembro e 12,9 mil toneladas em outubro, o país segue como um destino fundamental para a carne bovina brasileira.

Resultado merecido após esforço conjunto e resiliência

O Presidente da Abiec, Roberto Perosa, celebrou o êxito do setor, e já mira em passos importantes para o futuro da pecuária nacional, como a participação da entidade na COP 30, que começa esta semana. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de outubro confirma a força do setor, o avanço na abertura e ampliação de novos mercados em parceria com os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores e com a ApexBrasil, além do equilíbrio entre o mercado interno e as exportações.

O Brasil segue ampliando sua presença internacional com qualidade e regularidade de fornecimento, resultado do trabalho conjunto entre a indústria e o governo na abertura de novos mercados. Mas é importante lembrar que apenas cerca de 30% da carne produzida no país é exportada, enquanto a maior parte, em torno de 70%, abastece o mercado interno. Isso mostra a robustez do consumo doméstico e o equilíbrio entre atender à demanda brasileira e consolidar nossa posição entre os principais fornecedores do mundo”, diz ele.

Perosa se destacou desde o início da crise envolvendo o tarifaço, participando junto a autoridades, empresários e outros representantes de classe na força-tarefa montada pelo governo para lidar com a situação. Coordenando diálogos com o setor produtivo americano e brasileiro, além de buscar alternativas junto a mercados recém-abertos, ele conseguiu mostrar que o cenário não era tão adverso como inicialmente se temia. A Abiec seguiu também trabalhando em seus projetos de divulgação da carne bovina nacional em eventos importantes, como o Portal SNA recentemente mostrou, a exemplo do Brazilian Beef.

Futuro da pecuária nacional em destaque na COP 30

Na COP 30, que acontece entre os dias 10 e 19 em Belém do Pará, a entidade estará presente para discutir a sustentabilidade na pecuária, incluindo inovação tecnológica e a transição para sistemas produtivos de baixo carbono.  Durante todos os dias de eventos, a diretoria de Sustentabilidade da ABIEC participará dos debates, com a presença de diversos associados e do presidente Roberto Perosa, que acompanhará parte das agendas em Belém.

Na COP 30, que acontece entre os dias 10 e 19 em Belém do Pará, a entidade estará presente para discutir a sustentabilidade na pecuária, incluindo inovação tecnológica e a transição para sistemas produtivos de baixo carbono. Foto: Divulgação Abiec

A programação inclui painéis e mesas redondas sobre temas centrais para o futuro da pecuária brasileira, como rastreabilidade, descarbonização, instrumentos financeiros verdes e o papel da carne bovina sustentável na segurança alimentar global. Durante a Conferência, a ABIEC também lançará o Beef Report Sustentabilidade – Especial COP30, publicação que reúne dados, indicadores e análises sobre o compromisso da cadeia produtiva da carne bovina com o desenvolvimento sustentável, a eficiência produtiva e a conservação ambiental.

Este é um momento de mostrar, com base em números e evidências, que a pecuária brasileira é parte essencial das soluções para o clima. O Beef Report Sustentabilidade – Especial COP30 reforça o papel do Brasil como referência global em produção sustentável de carne bovina, conectando produtividade, conservação ambiental e desenvolvimento de baixo carbono”, destaca Fernando Sampaio, diretor de Sustentabilidade da ABIEC.

Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Agradecimento especial a Bruno dos Santos Guzzo (Abiec)
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