Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago estão despencando nesta sessão de quarta-feira (4/3), após o anúncio de taxação da China em 25% sobre a soja importada dos Estados Unidos. O milho também foi incluído na lista chinesa, que conta com mais de 100 produtos, e perdeu mais de dez centavos na CBOT na manhã de hoje.
Por volta de 9h05 (Horário de Brasília), os principais vencimentos da soja estavam em baixa de 38,75 a 39,50 centavos, com o maio/18 cotado a US$ 9,98 ¾, com mínima a US$ 9,83 ½ e o julho/18 a US$ 10,10 ¼, com mínima a US$ 9,94 ½.
Os contratos futuros do milho estavam em queda de 9,75 centavos, com o maio/18 cotado a US$ 3,78 ¾ e o julho/18 a US$ 3,87 ½.
“O maior impacto é sobre a soja, já que o comércio é muito intenso, com mais de 35 milhões de toneladas exportadas pelos Estados Unidos indo para a China”, disse à Reuters Michael Portier, da consultoria Agritel.
“Mas acredito que seja um primeiro movimento mais exagerado, porque a América do Sul não tem condições de suprir toda a demanda da China sozinha, especialmente depois da seca na Argentina”
Já para um trader europeu, “é a chegada de uma tempestade ao mercado, que poderá causar uma grande ruptura no mercado global de soja”.
Analistas internacionais afirmam ainda que é preciso o mercado estar atento aos detalhes dessas tarifações, buscando saber como e quando a China irá implementar essas tarifas.
“Mas, no curto prazo, é muito severo para os preços, já que há muitos investidores vendendo forte seus futuros agora para fazer perguntas depois”, disse Matt Ammermman, gerente de risco de Commodity da INTL FCStone.
China retalia tarifas dos EUA e adota taxas sobre soja e aviões
A China respondeu rapidamente nesta quarta-feira aos planos da administração Trump de adotar tarifas sobre US$ 50 bilhões sobre produtos chineses, retaliando com uma lista de taxas similares sobre importações dos Estados Unidos como soja, aviões, carros, uísque e produtos químicos.
Com velocidade, a disputa comercial entre Washington e Pequim está ganhando força. O governo chinês levou menos de 11 horas para responder com suas próprias medidas, o que provocou uma forte liquidação nos mercados acionários e de commodities.
Os mercados se questionam se uma das piores disputas comerciais em muitos anos pode agora se tornar uma guerra comercial em larga escala entre as duas maiores potências econômicas do mundo.
“O pressuposto era de que a China não responderia agressivamente demais e evitaria aumentar as tensões. A resposta da China é uma surpresa para algumas pessoas”, afirmou Julian Evans-Pritchard, economista sênior da Capital Economics, lembrando que nenhum dos dois lados falou ainda em aplicação das tarifas.
“É mais um jogo de provocação, deixando claro qual seria o custo, na esperança de que ambos os lados possam chegar a um acordo e nenhuma dessas tarifas entre em vigor”, disse Pritchard.
A lista de Pequim de tarifas adicionais de 25% sobre produtos dos EUA abrange 106 itens com um valor comercial que corresponde a US$ 50 bilhões visados na lista de Washington, disseram os ministérios do Comércio e de Finanças da China. A data efetiva depende de quando a ação dos EUA entrar em vigor.
Diferentemente da lista de Washington, que foi preenchida com muitos itens industriais obscuros, a lista da China afeta produtos importantes de exportação dos EUA, como soja, carne congelada, algodão e outras commodities agrícolas importantes produzidas em Estados do Iowa ao Texas, que votaram em Donald Trump na eleição presidencial de 2016.
A lista chinesa cobre ainda aeronaves que provavelmente incluiriam modelos mais velhos da Boeing como o jato 737, e modelos mais novos como o 737 MAX ou seus aviões maiores. Um porta-voz da Boeing em Pequim recusou-se a comentar o assunto.
Fonte: Notícias Agrícolas






