
Debate sobre os desafios, perspectivas e oportunidades para o setor cafeeiro do Rio
Produtores de café do Rio de Janeiro, representantes de Associações de Classe e do poder público se reuniram, no último dia 16 de março, na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro ACRJ, para um debate sobre os desafios, perspectivas e oportunidades para o setor cafeeiro do Rio de Janeiro. Como buscar financiamento público para novos projetos através do Funcafé, o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, uma iniciativa pública federal que financia toda a cadeia produtiva do café.
O evento foi coordenado pelo presidente do Conselho Superior da ACRJ, Ruy Barreto Filho, que também atua no setor há muitos anos. Participaram do debate o senador Carlos Portinho (PL-RJ), o vice-prefeito de Santa Maria Madalena, Cosme Overney (PL-RJ), o supervisor Regional Serrano da Emater, Marcos Ferreira, e o secretário municipal de Desenvolvimento da Cafeicultura de Porciúncula, Luciano Carvalho, além de representantes das Associações de Classe do setor no Rio de Janeiro. O encontro teve o apoio da Sociedade Nacional de Agricultura – SNA.

Em seu discurso de abertura, Ruy Barreto Filho enfatizou a importância da retomada da cafeicultura no estado do Rio de Janeiro como um motor de desenvolvimento econômico e social. Na oportunidade, ele lançou Movimento #VoltaCafé, uma iniciativa conjunta dos produtores e associações ligadas ao café no estado, com o objetivo de resgatar o protagonismo do Rio na produção cafeeira.
“O principal objetivo do movimento é a geração de empregos, visando devolver dignidade às famílias fluminenses através do agronegócio”, disse Ruy Barreto Filho. Ele acrescentou que o movimento também vai buscar promover o café do Rio em restaurantes locais, focar em gestão, sustentabilidade e recuperar o orgulho do produtor. “O café é produzido majoritariamente por pequenos produtores, sendo uma das atividades que melhor remunera e distribui riqueza no campo”, disse.

Barreto chamou a atenção para a baixa participação do Rio no Funcafé e defendeu que o crescimento do setor depende de incentivos públicos, citando exemplos de sucesso como Minas Gerais, Vietnã e Colômbia. De acordo com ele, a cafeicultura na região Noroeste do Rio emprega mais de três mil famílias, cerca de 12 mil pessoas. “No Brasil, a cadeia do café gera mais de quatro milhões de empregos”, acrescentou.
A fala do senador Carlos Portinho focou na revitalização do setor agrícola do Rio de Janeiro. “Este encontro é uma “faísca” necessária para transformar o potencial do estado em uma chama de desenvolvimento econômico”, afirmou. Destacou a importância de municípios produtores como Cordeiro e Duas Barras, ressaltando que o estado possui ativos valiosos que precisam ser mais bem aproveitados para gerar emprego e renda. “Tenho buscado incentivar essas potencialidades por meio de emendas parlamentares e parcerias com a UERJ e a Emater”, explicou o senador.

Segundo Portinho é necessário aumentar a visibilidade do agronegócio fluminense em Brasília. O estado vende mal sua imagem, e é preciso mostrar que o modelo agrícola local, baseado em pequenos produtores e similar ao de Santa Catarina, merece uma fatia maior dos recursos do Plano Safra”, acrescentou.
O Senador sugeriu que os produtores elaborem uma proposta objetiva, focada em aspectos fiscais, geração de emprego e capacitação, inspirada em um “plano Safra estadual”, a ser entregue aos candidatos ao governo estadual. Ele também mencionou a necessidade de infraestrutura para beneficiamento de café em pelo menos três regiões do estado, visando processar e vender o produto regionalmente com exclusividade. “É necessário criar pelo menos três centros de beneficiamento no estado para que o café seja produzido, colhido, processado localmente e vendido com alguma exclusividade ao mercado consumidor do Rio de Janeiro”, completou.






