
Ampliação das linhas de crédito e redução de juros para o Funcafé
O setor cafeeiro atravessa bom momento na avaliação de entidades de representação, produtores e analistas de mercado. Com acesso a crédito, valorização internacional e negociações prosperando junto a parceiros comerciais importantes, a cadeia produtiva também busca se preparar para desafios como uma temporada mais severa do fenômeno El Niño, entre outros.
Na semana passada, no mesmo dia em que o Plano Safra foi divulgado, o Conselho Monetário Nacional aprovou as condições operacionais para o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) no ciclo 2026 – 2027. Com a nova resolução, as operações de custeio, comercialização, contratos de opções e mercados futuros, bem como recuperação de cafezais danificados, contarão com taxa de juros de 11,5% ao ano. Já as linhas destinadas à aquisição de café, por meio do Financiamento para Aquisição de Café (FAC), e ao capital de giro para indústrias de torrefação, indústrias de café solúvel e cooperativas terão taxa de 13,0% ao ano.
Para o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) e membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA, Silas Brasileiro, a definição das condições de financiamento do Funcafé representa um passo importante para assegurar previsibilidade e suporte financeiro de toda a cadeia produtiva do café. Ele prestigiou a cerimônia de lançamento do Plano Safra no Palácio do Planalto.
“O Funcafé é uma das mais relevantes políticas públicas voltadas à cafeicultura brasileira. A definição das taxas e das regras operacionais permite que produtores, cooperativas e indústrias possam planejar suas atividades com maior segurança, especialmente em um cenário de custos elevados e crescente necessidade de investimentos em tecnologia, sustentabilidade e adaptação climática”, destaca.

O Funcafé terá R$ 7.368.712.499,00 para atender as principais linhas de apoio à cadeia produtiva do café. A maior parcela dos recursos foi destinada à linha de Comercialização, que recebeu R$ 2,713 bilhões, o equivalente a 37% do total aprovado. Em seguida, estão as linhas de Aquisição de Café — FAC (para sustentação do mercado, visto a sua abrangência de participação de todos os elos da cadeia), com R$ 1,708 bilhão, correspondente a 23%; Custeio, com R$ 1,616 bilhão, ou 22%; Capital de Giro, com R$ 1,150 bilhão, equivalente a 16%; e Recuperação de Cafezais, com R$ 180 milhões, correspondentes a 2% do orçamento.
O Conselho Nacional do Café disse que acompanhará a implementação das medidas e a disponibilização dos recursos junto aos agentes financeiros, com a expectativa de que o crédito alcance os produtores de forma ágil e eficiente, contribuindo para mais uma safra de sucesso da cafeicultura brasileira. O CNC também destacou o trabalho desenvolvido pelas equipes do MAPA tem garantido a continuidade e o aperfeiçoamento de um mecanismo que, ao longo das últimas décadas, tornou-se essencial para a sustentação da competitividade da cafeicultura brasileira.
Prestígio e força do cooperativismo cafeeiro do Brasil
No cenário internacional, mais um reconhecimento do cooperativismo cafeeiro, modelo de negócios que corresponde a 65% da produção do setor. Um estudo detalhado sobre a Cooxupé — a maior cooperativa de cafeicultores do mundo — foi o grande vencedor da Competição de Casos da 36ª Conferência Mundial da IFAMA (International Food and Agribusiness Management Association), realizada recentemente em Cork, na Irlanda.

A pesquisa, que tem o professor Marcos Fava Neves entre seus autores, superou trabalhos de instituições de referência global, como a Universidade Harvard, ao analisar a trajetória, a governança e as estratégias de diversificação da cooperativa mineira. O estudo destaca como a Cooxupé navega por desafios complexos, como a volatilidade de preços e as mudanças climáticas, mantendo o foco na criação de valor para o produtor.
Negociações que prosperam diante de possíveis barreiras comerciais
Enquanto isso, representantes da cafeicultura se juntaram a outros emissários do agronegócio brasileiro em mais uma rodada de audiências públicas realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) em Washington, para discutir a aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Os encontros tiveram um tom mais técnico e menos político, ao contrário da primeira rodada de reuniões, em setembro de 2025, disse Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
“Foi muito mais tranquilo. É outro ambiente de discussão, resultado do trabalho de comunicação do setor privado. A gente vê que existe uma janela de oportunidade para abrir espaço na lista de exceção”, afirmou Matos. O USTR tem até o dia 15 para tomar a sua decisão final com base na investigação da Seção 301.
O setor cafeeiro busca isenção de novas tarifas e também uma inédita alíquota zero para o café solúvel. “Foi uma defesa muito sólida”, disse José Luiz Pimenta Junior, que representou a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) na audiência. O executivo disse que as perguntas foram mais voltadas à competitividade e à agregação de valor dos produtos brasileiros para a indústria dos Estados Unidos.






