
Todo o setor agropecuário segue otimista quanto à flexibilização do tarifaço
Em entrevista à rede de televisão Fox News, o presidente americano declarou, na última terça (11 de novembro) que os Estados Unidos reduzirão algumas tarifas sobre importações de café. Trump não informou a origem do produto cujas tarifas devem ser reduzidas, mas o Brasil é o maior fornecedor de café do país e vem negociando com autoridades americanas a retirada da taxa de 50%, que entrou em vigor em agosto.
Os EUA são os maiores importadores mundiais de café, com cerca de 24 milhões de sacas consumidas ao ano. Em 2024, o Brasil forneceu 8,1 milhões de sacas ao mercado americano, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A imposição das tarifas sobre o café fez os preços subirem nos EUA, uma preocupação para o governo Trump. Na quarta-feira (12 de novembro) , o chanceler Mauro Vieira se encontrou com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio. Aos jornalistas, Vieira disse que a reunião foi produtiva, embora não tenha recebido nenhuma nova informação a respeito do tarifaço. A conversa ocorreu na reunião de chanceleres do G7, grupo de países mais desenvolvidos do mundo, no Canadá. O Brasil participou a convite do país anfitrião.
No dia seguinte (13 de novembro), Vieira e Rubio estiveram juntos novamente, dessa vez em território americano, na capital Washington. A expectativa é que um acordo provisório saia até o final do mês de novembro, com algumas reduções já sendo anunciadas nos próximos dias. Assim, haveria tempo hábil para prosseguir nas negociações até que um entendimento final seja alcançado. Vieira explicou que, em 4 de novembro, houve uma reunião virtual de alto nível entre autoridades do Itamaraty, do Ministério da Fazenda e do MDIC com suas contrapartes dos EUA. Nessa reunião, o Brasil apresentou uma resposta detalhada à lista de temas que Washington havia enviado em 16 de outubro.
Rubio foi às redes sociais após o encontro. “Reuni-me hoje com o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, no Departamento. Discutimos assuntos de importância mútua e um marco recíproco para a relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil“, disse.
Ao Globo Rural, o presidente do Cecafé, Marcos Matos, disse que as negociações com o governo americano contemplam as possibilidades de uma suspensão temporária do tarifaço, por 90 dias, até um acordo comercial definitivo, ou a isenção do imposto. Matos mencionou que dados recentes de inflação do país mostraram que o café foi o item que mais subiu em 12 meses até setembro. O café torrado e moído teve alta de 18,9% no período. Ainda de acordo com o Cecafé, em decorrência do tarifaço, as exportações brasileiras de café aos EUA caíram 46% em agosto e 52,8% em setembro.
Todo o setor agropecuário nacional segue otimista quanto à obtenção de um consenso que encerre a crise comercial entre os dois países, retornando à normalidade uma parceria longeva e rentável para ambas as partes. O setor cafeeiro, que já enfrentava momento delicado antes disso, se mostra confiante.

Importante polo cafeeiro apresentará iniciativas sustentáveis na COP30
Enquanto isso, uma das principais regiões produtoras de café do país protagonizará agendas importantes em Belém do Pará. Com a maior área certificada em Boas Práticas Agrícolas no Brasil e também em Agricultura Regenerativa do mundo na cafeicultura, o Cerrado Mineiro estará na COP30. Representantes do território, que abrange 55 municípios do Alto Paranaíba, Triângulo e Noroeste, participam da programação oficial no dia 18 de novembro, no Painel 36, com o tema Restaurar e Regenerar.
O painel será mediado pelo gerente regional do Sebrae Minas, Marcos Geraldo Alves, e contará com a participação do produtor rural e presidente do Consórcio Cerrado das Águas (CCA), Marcelo Urtado, que apresentará as ações que buscam garantir a segurança hídrica e promover a transição para sistemas produtivos mais sustentáveis no Cerrado Mineiro.
De acordo com Urtado, que também é Embaixador da Região e cafeicultor associado à Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado) e à MonteCCer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Monte Carmelo), o principal ponto do painel será mostrar a agricultura regenerativa do Cerrado Mineiro e como o Consórcio Cerrado das Águas atua, em especial, no projeto que cria corredores ecológicos, integrando conservação ambiental e produção agrícola.
Diante dos desafios, o Sebrae Minas vem atuando como indutor dessa sustentabilidade real e verificável. Diversas ações da entidade reforçam sua preocupação em favor da natureza, como o apoio técnico oferecido aos produtores por meio do Educampo – plataforma tecnológica do Sebrae que oferece suporte técnico e gerencial para as propriedades, promovendo eficiência, competitividade e sustentabilidade.
Ele destaca ainda que o Sebrae apoiou o consórcio na obtenção de uma linha de crédito exclusiva para agricultura resiliente, junto ao Rabobank, e também contribuiu para a construção de um projeto submetido ao Funbio, e aprovado no valor de R$ 4 milhões, voltado à expansão da agricultura regenerativa no Cerrado. “Estamos falando de um território onde sustentabilidade, inovação e produtividade avançam juntas. Ter a noção de que no Cerrado Mineiro estão a primeira fazenda e a primeira cooperativa regenerativa do mundo, além da primeira cooperativa Carbono Zero, reforça o protagonismo e a vanguarda do território, e o Sebrae Minas seguirá apoiando e fortalecendo esse movimento”, frisou.






