
O crescimento do mercado de alimentos orgânicos estagnou-se. Em 2024 tínhamos um total de 25.107 unidades de produção e 23.873 em 2026. Esses dados do Ministério da Agricultura do Brasil mostram uma diminuição em alguns estados um moderado crescimento no nordeste do país.
A legislação brasileira de 2013 define o que são produtos orgânicos, in natura ou processados mas, anteriormente ao reconhecimento pelo setor público dos alimentos orgânicos com o selo de certificação brasileira e/ou cadastro as organizações de controle social, foram mais de 30 anos do pioneirismo da agricultura orgânica brasileira.
O mercado que deixou de crescer me lembra o livro “Atravessando o Abismo ou Crossing the Chasm” do Geoffrey A. Moore, no qual descreve o ciclo de vida de adoção da tecnologia que começa pelos inovadores, segue para os visionários, e expõe o abismo existente entre estes, além do próximo passo, que seria a adoção pela maioria inicial. Esse abismo é o que interessa. A barreira que muitas empresas inovadoras enfrentam ao tentar escalar seus negócios, pois os primeiros usuários geralmente são entusiastas.
No caso dos orgânicos, os compradores são pessoas dispostas a consumir alimentos saudáveis produzidos com menos insumos químicos ou sintéticos, que tenham um menor impacto ambiental, interessadas em apoiar a produção local, os pequenos produtores e as cooperativas de agricultores familiares.

O abismo, esse intervalo no crescimento, pode ser crítico e perigoso, explica Geoffrey Moor, e aplica-se à nossa produção orgânica que deixou de crescer, e as razões são inúmeras. Uma legislação complicada, que requer atualizações em um cenário onde a produção ainda é muito manual, difícil de escalar. E, ao longo de toda a cadeia de produção, existe pouco uso de tecnologias digitais que transformariam conhecimento e dados em informações precisas, otimizariam o uso de insumos, reduziriam riscos, custos, incrementariam a produtividade e apoiariam a gestão dos produtores.
E por falar de insumos, não contamos com sementes orgânicas. É uma questão oferta/demanda. Sim, contamos com a demanda de quantidades a preços justos e competitivos, mas faltam investimentos a longo prazo e a estruturação de uma cadeia rastreável e sustentável, para depois contar com a oferta das principais culturas orgânicas produzidas.
Como acelerar e cruzar esse abismo, quo vadis produção orgânica?







