Protesto na BR-163 afeta transporte de grãos no Pará e veículos do Ibama são queimados

Produtores rurais, pecuaristas, madeireiros e comerciantes bloqueiam totalmente na sexta-feira (7) a rodovia BR-163, na região de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, interrompendo o fluxo de veículos no principal canal de escoamento de soja e milho para o Norte do país, disse um dirigente dos agricultores paraenses.

Os protestos, que têm ocorrido desde o início da semana no Pará, ocorrem contra o veto do presidente da República, Michel Temer, à Medida Provisória 756, que alterava os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, disse à Reuters o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Pará (Aprosoja-PA), Vanderlei Ataídes.

A rodovia é uma importante ligação entre as regiões produtoras de grãos de Mato Grosso e os terminais fluviais do Arco Norte, a mais nova rota de exportação de soja e milho do país. “A BR-163 está totalmente bloqueada e já temos quilômetros e quilômetros de caminhões formando fila”, disse Ataídes, citando relatos de pelo menos 30 quilômetros de congestionamento na sexta-feira. Não foi possível falar imediatamente com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre o assunto.

Segundo o dirigente da Aprosoja, a situação ficou mais tensa na noite de quinta-feira, após alguns manifestantes atearem fogo em uma carreta que transportava veículos do Ibama. Oito caminhonetes novas foram destruídas, segundo o Ibama. Os veículos seriam entregues na gerência executiva do instituto em Santarém (PA) para equipar as bases da BR-163. Ataídes disse não ter conhecimento sobre quem seria o responsável pelo incêndio.

Equipes da Polícia Federal (PF) e da PRF foram acionadas para apurar quem são os responsáveis pelo incêndio, segundo o Ibama. Em nota, a presidente do Ibama, Suely Araújo, determinou o bloqueio preventivo de todas as serrarias da região de Novo Progresso no sistema do Documento de Origem Florestal (DOF) após o “atentado”.

Ataídes, da Aprosoja-PA, disse que há relatos de que a manifestação irá se dirigir, ainda na sexta-feira, para o município de Moraes Almeida (PA). Os protestos podem impactar o transporte de grãos e as exportações, em momento de pico da colheita de milho de Mato Grosso. Entidades de exportadores de grãos, como a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), avaliavam o impacto para as exportações. A Abiove informou que deve comentar o assunto mais tarde.

 

Fonte: Reuters

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