Brasil avalia cotas chinesas sobre carne bovina e já busca alternativas

Luis Rua, Secretário do Ministério da Agricultura, ao lado do titular da pasta Carlos Fávaro, do Vice-Presidente Geraldo Alckmin e do presidente da Abiec Roberto Perosa. Autoridades e representantes do setor agropecuário já buscam alternativas diante das cotas chinesas para a carne bovina brasileira. Foto: Percio Campos/MAPA

Frigoríficos discutem possível rateio do volume autorizado#

Conforme o Portal SNA divulgou na semana passada, a China impôs uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira que poderão entrar no país por ano, sujeitas às tarifas normais.. A partir desse limite, incidirá uma sobretaxa de 55%. A medida entrou em vigor no primeiro dia de 2026. Após a repercussão inicial, produtores e autoridades aprofundaram os debates sobre o assunto, de modo a respeitar as novas diretrizes chinesas sem prejudicar a cadeia produtiva nacional.

Frigoríficos habilitados a exportar para o país asiático cogitam distribuir entre si a cota estipulada, a fim de evitar uma corrida para compra de gado, num momento em que a oferta nos pastos é grande. Assim, a estabilidade no preço da arroba seria preservada, mas especialistas do setor apontam para uma dificuldade de consenso entre as grandes empresas do ramo. O governo brasileiro ainda trabalha por possíveis compensações às salvaguardas anunciadas pelos chineses, num esforço conjunto que envolve diplomacia e comércio exterior.

Os principais exportadores também defendem que as cargas brasileiras nos portos chineses ou rumo ao país não sejam incluídas na cota que entrou oficialmente em vigor no dia 1 de janeiro. Esses embarques representam cerca de 350 mil toneladas. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo – MT), se esses volumes forem considerados dentro da cota, restariam pouco mais de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano de 2026.

Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em nota, disse que acompanha com preocupação a medida anunciada pela China sobre importações de carne do Brasil.

O tema já estava no radar e, agora, exige reação rápida para evitar instabilidade no mercado e efeitos no abate e na renda do produtor no início de 2026. A FPA vai atuar imediatamente junto ao MAPA, Itamaraty e à área de comércio exterior do governo para abrir um canal de negociação com as autoridades chinesas e buscar soluções que preservem previsibilidade ao setor. Também solicitará um levantamento técnico sobre o fluxo recente das exportações para embasar a estratégia brasileira e reduzir riscos de redução e desorganização de mercado”, concluiu a entidade.

Rotas alternativas e continuidade da divulgação internacional#

Outra possibilidade seria o Brasil assumir o excedente de países fornecedores que não conseguirem completar suas cotas para a China. Na lista de nações que sofreram imposições de embarques estão Argentina, Uruguai, Austrália e Estados Unidos. Enquanto isso, consultorias e entidades de representação avaliam se o preço da carne bovina, no mercado interno, pode cair ou ao menos manter-se estável, em função de um eventual recuo das exportações. Há também quem aposte numa redução do volume produzido ou redirecionamento dos embarques, embora ainda seja cedo para saber quais países poderiam assimilar o excedente brasileiro.

Entre os dias 26 e 30 de janeiro de 2026, o público da Gulfood, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo, poderá conhecer mais sobre a indústria da carne bovina brasileira no estande do projeto Brazilian Beef, iniciativa da Abiec e ApexBrasil. Foto: Divulgação Abiec

Nesse sentido, continuar divulgando a carne brasileira nos principais fóruns internacionais se alinha com os desafios do momento. Entre os dias 26 e 30 de janeiro de 2026, o público da Gulfood, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo, poderá conhecer mais sobre a indústria da carne bovina brasileira no estande do projeto Brazilian Beef, iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O evento será realizado no Dubai World Trade Centre, reunindo mais de 5 mil expositores de 120 países e atraindo mais de 150 mil visitantes qualificados ao longo dos cinco dias.

Para o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a Gulfood é fundamental para consolidar a presença da carne bovina brasileira no Oriente Médio e ampliar o alcance para mercados da Ásia, Sudeste Asiático e Europa. “Há duas décadas participamos desta feira, que já soma mais de 30 anos de história. Nossa presença reafirma o compromisso do Brasil com a oferta de um produto de alta qualidade, sustentável e alinhado aos mais rigorosos padrões internacionais, incluindo os requisitos halal”, afirmou.

Perosa também ressaltou a importância da parceria com a ApexBrasil ao longo desse período. “Essa colaboração tem sido essencial para fortalecer a imagem da proteína bovina brasileira no exterior e aprofundar o diálogo sobre tendências globais e oportunidades comerciais.” Atualmente, o mercado halal responde por cerca de 20% das exportações brasileiras de carne bovina.

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Abiec.

Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br#
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